Jornalista aborda a tragédia da Chape e o futebol

Por Valmir Gomes“Caros amigos e leitores, o que mais fiz nos dois últimos dias, foi chorar.A causa: o acidente co..

Redação - 30 de novembro de 2016, 17:50

Por Valmir Gomes

“Caros amigos e leitores, o que mais fiz nos dois últimos dias, foi chorar.

A causa: o acidente com o avião da Chapecoense, que acabou matando muita gente. Meditando no meu solitário canto, cheguei a uma conclusão, conviver com a morte não é para os vivos.

Daí fui atrás do sentimento coletivo mundial da perda dos acidentados. Encontrei um esporte chamado futebol, como causa. Não se espantem, o mundo virou torcedor da Chape, da madrugada do acidente para o dia. Tem morrido muito mais gente na Síria, nos últimos tempos, e o mundo parece ignorar, o que lastimo.

Aí entra o esporte mais popular do mundo, o elo entre o povo esportista e a tragédia. O futebol está no meu sangue desde a tenra idade, meu pai jogou profissionalmente e eu tentei seguir seus passos. Lembro-me do silêncio absoluto do bairro Passo da Areia em Porto Alegre, quando perdemos a Copa de 50. Guri ainda, não entendia aquela fúnebre tristeza. O tempo andou e o nosso futebol virou mania nacional e mundial.

Com as seguidas conquistas de Copas, os grandes clubes despertaram a mídia mundial, dai vieram os patrocínios, e com isto o futebol virou mania e ganhou adeptos e todos que praticam e que torcem futebol, de alguma maneira são próximos.

Os atletas, técnicos, médicos, preparadores físicos e diretores, se tornam quase íntimos dos seus torcedores. O futebol aproxima as pessoas, deixa os atletas, principalmente, íntimo de todos como se fosse uma extensão familiar. Quando um clube de ponta está bem, divide opiniões, pela rivalidade com seus grandes coirmãos. Quando um time considerado pequeno está bem, ganha o carinho de todos, vira unanimidade nacional.

Era o caso da Chape, vivia um grande momento nacional e internacional. Ninguém  era contra e, pelo contrário, todos estavam torcendo pelo título internacional. Então veio o acidente e matou o sonho dos torcedores de Chapecó e do Brasil inteiro. O futebol amanheceu órfão. O mundo se tornou aliado da tragédia e como um rio, foi desaguando solidariedade e carinho por todos os afluentes possíveis do planeta Terra. Por momentos, a tragédia virou festa, e o ser humano, se tornou humano.

A Arena do Atlético ficou verde, o adversário deu o título para a Chape, as torcidas do mundo prestam solidariedade. Pelé se declara torcedor da Chape, Maradona também, eu sou Chape desde criancinha. Não se fala em crise nem em guerra, houve nestes últimos dias, uma luz de paz e união de fé no futuro. Um verdadeiro milagre, dentro da tragédia, o milagre do futebol”.