Ministério Público pede afastamento de Eurico Miranda da presidência do Vasco

Francielly Azevedo


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu o afastamento de Eurico Miranda da presidência do Vasco. Ele é acusado de acobertar torcidas organizadas que promovem violência nos estádios. Os promotores afirmam que o clube descumpre artigos do Estatuto do Torcedor. Em nota divulgada no site, o cruz-maltino disse que recebeu com “perplexidade” o “tamanho absurdo”.

O MP pede a destituição definitiva de Miranda, dos vice-presidentes e da diretoria do Vasco, além de multa de R$ 500 mil. O pedido foi baseado em relatórios do Grupamento Especial de Estádios da Polícia Militar, principalmente em relação a confusão no clássico entre Flamengo e Vasco, no dia 8 de julho, em São Januário.

O Vasco se manifestou por meio do site oficial, dizendo se tratar de uma “busca pelo holofote, questões pessoais e sede de poder”, já que Miranda será lançado à reeleição.

“Não é novidade que um membro do Ministério Público tem se aventurado em ações absolutamente precipitadas e desarrazoadas no que tange os episódios de violência nos estádios cariocas, especialmente em relação ao Club de Regatas Vasco da Gama, contra o qual se chegou a deduzir pedido de interdição do Estádio pela via inadequada e com base em suposto descumprimento de obrigações de terceiros, que inusitadamente não foram alvos de pretensões similares”, diz a nota.

A confusão

Após a derrota por 1 a 0 para o rubro-negro, os torcedores vascaínos jogaram bombas e objetos nos jogadores do Flamengo e em policiais militares. A torcida também tentou invadir o gramado. A PM reagiu com gás de pimenta, mas isso acabou atingindo também torcedores que não estavam envolvidos no tumulto.

Algumas pessoas precisaram escalar as cabines de imprensa para escapar na violência. A briga continuou no lado externo do estádio e culminou na morte do torcedor David Rocha Lopes, baleado no peito.

Na época, Eurico Miranda afirmou que a confusão teria sido organizada por grupos políticos contrários a administração dele.

Confira a nota do Vasco:

“É com perplexidade que tomamos conhecimento de tamanho absurdo. Não é novidade que um membro do Ministério Público tem se aventurado em ações absolutamente precipitadas e desarrazoadas no que tange os episódios de violência nos estádios cariocas, especialmente em relação ao Club de Regatas Vasco da Gama, contra o qual se chegou a deduzir pedido de interdição do Estádio pela via inadequada e com base em suposto descumprimento de obrigações de terceiros, que inusitadamente não foram alvos de pretensões similares.

Agora, seguindo a batida, e evidentemente temperada com questões pessoais e/ou políticas, se aventura, às vésperas do lançamento da candidatura do atual mandatário à reeleição, vir a juízo requerer, com base em mera ilação do parquet, a destituição de toda a diretoria do Clube, porquanto, segundo vocês afirmam, fotografias “comprovariam” que o VASCO apoia a Força Jovem e, por conseguinte, estimularia a violência nos estádios. Inacreditavelmente assiste-se a mais um exemplo de uso da máquina estatal como instrumento político!

Em meio a tantas evidências que levam à essa insofismável conclusão, vemos mais uma jogada ensaiada entre o(s) condutor(es) da manobra e os canais que se desesperam com a retomada do bom desempenho do futebol, afinal uma ação distribuída e que ainda se encontra em autuação produziu uma matéria em tempo recorde, a ser reverberada nas primeiras horas do dia do lançamento da candidatura do atual mandatário à reeleição. Nada mais peculiar!

Ora, se de um lado não há dúvidas do caráter político/pessoal da manobra encetada, há também de outro, a certeza que o Judiciário não servirá a tais propósitos, até porque, segundo determina o art. 37 do Estatuto do Torcedor, no qual se prevê  a destituição de dirigentes, para que haja uma decisão neste sentido necessário se faz a observância do devido processo legal, o que, obrigatoriamente, ensejerá a prévia intimação do Clube para apresentação de defesa.

Busca pelo holofote, questões pessoais e sede de poder! Essa é a combinação que assustadoramente parece ter dado ensejo ao instrumento político em questão.

O Vasco, quando efetivamente intimado para manifestar-se, demonstrará o absurdo por de trás da manobra”

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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