MP propõe jogos de futebol com torcida única em Curitiba; Primeiro teste será na Arena

Os jogos de futebol disputados em Curitiba poderão ter a presença exclusiva de torcedores do time mandante, é o que prop..

Francielly Azevedo - 10 de maio de 2018, 12:59

Foto: Rodolfo Buhrer &#124 La Imagem
Foto: Rodolfo Buhrer &#124 La Imagem

Os jogos de futebol disputados em Curitiba poderão ter a presença exclusiva de torcedores do time mandante, é o que propõe o Ministério Público do Paraná (MP-PR). A iniciativa será testada no próximo dia 16 de maio, na Arena da Baixada, no jogo entre Atlético-PR e Cruzeiro, válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil. A medida busca reduzir as ocorrências de atos de violência entre torcidas rivais, dentro e fora dos estádios e, consequentemente, a quantidade de efetivo policial necessário nos dias de jogos. O projeto-piloto tem apoio da Polícia Militar e da Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe).

O assunto vem sendo discutido com representantes dos três maiores clubes da capital e suas torcidas organizadas, além da Federação Paranaense de Futebol. Segundo o MP-PR, com a presença de torcedores de ambos os times nos estádios, é grande a necessidade de deslocamento de parcela considerável da força policial. Isso porque além da segurança no estádio e seu entorno, todo o percurso feito pelas torcidas organizadas até os locais dos jogos é acompanhado por escolta de policiais militares que precisam ser remanejados de seus postos de trabalho em outros pontos da cidade e até da região metropolitana.

Para o promotor de Justiça Maximiliano Ribeiro Deliberador, somente a partir do projeto-piloto será possível avaliar os reais impactos para a sociedade, especialmente quanto à segurança pública. Inicialmente, conforme discutido com os Clubes e suas torcidas, o projeto-piloto ocorrerá somente nos jogos realizados na Arena da Baixada. A intenção, segundo a Promotoria de Justiça é que, após as experiências iniciais, a medida possa ser estendida aos estádios dos demais clubes da capital. "O Coritiba está receoso com a ideia e o Paraná pediu um tempo para analisar os resultados", disse.

Dados da Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital mostram que em São Paulo, onde a medida já foi adotada, algumas mudanças foram observadas, como a redução em 31% do efetivo do Batalhão de Choque e 15% do efetivo externo da Polícia Militar, necessários nos dias de partida, a diminuição em 65% do total de escoltas realizadas para o acompanhamento das torcidas e o aumento em 23% do público presente nos jogos. No Paraná, a expectativa é de que os números sejam ainda mais expressivos, uma vez que, diferente de São Paulo, em Curitiba a medida não se restringirá aos clássicos.

De acordo com o MP-PR, além da diminuição da violência e do custo, que acaba sendo arcado pelo cidadão que paga pelas estruturas de polícia, busca-se trazer de volta aos estádios aqueles que, por receio de ocorrências de violência, se afastaram.