Neymar desabafa sobre caso de racismo com González: “Vamos nos encontrar novamente”

Redação

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Neymar fez um novo desabafo sobre a confusão com Álvaro González. O brasileiro foi expulso na derrota do PSG para o Olympique de Marselha ontem após dar um tapa no zagueiro. Segundo o brasileiro, foi um revide após ter sido chamado de “macaco” pelo defensor.

No Instagram, o camisa 10 disse que aceita sua punição pela agressão, mas que espera que o ofensor também sofra punição. Para Neymar, o preconceito e a intolerância são inaceitáveis.

“O racismo existe, mas temos que dar um basta. Não cabe mais, chega! O cara foi um tolo, eu também fui por me deixar ser atingido. Vamos nos encontrar novamente e vai ser do meu jeito, jogando futebol. Fica na paz! Fica em paz! Você sabe o que falou, eu sei o que fiz! Mais amor no mundo, publicou.

Além disso, o brasileiro ainda falou sobre pacificar as reações dos negros após serem vítimas. Neymar disse que o zagueiro espanhol e ele, por se deixar ser atingido, foram tolos.

“Eu ainda hoje tenho o privilégio de me manter com a cabeça levantada, mas todos nós precisamos refletir que nem todos os pretos e brancos podem estar na mesma condição. O dano do confronto pode ser desastroso para ambos os lados, quer seja preto ou branco. (…) pacificar esse movimento ‘anti racismo’ é obrigação nossa para que o menos privilegiado receba naturalmente sua defesa”, completou.

NEYMAR E GONZÁLEZ DEVEM SER PUNIDOS

O caso entre Neymar e González será julgado pela Comissão Disciplinar da Liga de Futebol Profissional, responsável pelo Campeonato Francês. A agressão de Neymar pode ser classificado como “intimidação”, que prevê suspensão por quatro jogos. Caso o tapa seja classificado como “ato de brutalidade sem causar lesão”, pode gerar um gancho de até sete jogos.

Já o comportamento racista prevê punição de 10 jogos.

NO TWITTER, GONZÁLEZ PROVOCOU NEYMAR

Depois do jogo, Álvaro González fez um post no Twitter com indireta para o camisa 10 do PSG. “Não existe lugar para racismo. Carreira limpa e com muitos companheiros no dia a dia. Às vezes tem que aprender a perder e assumir em campo. Três pontos incríveis hoje”, disse o defensor.

No entanto, Neymar rebateu. “Você não é homem de assumir teu erro, perder faz parte do esporte. Agora insultar e trazer o racismo pra nossas vidas não, eu não estou de acordo. EU NÃO TE RESPEITO! VOCÊ NÃO TEM CARÁTER! Assume o que tu fala mermão … seja HOMEM RAPÁ ! RACISTA (sic)”, disparou o camisa 10.

Antes da resposta, Neymar já tinha declarado que o “único arrependimento era não ter dado na cara” de González.

LEIA A ÍNTEGRA DO DESABAFO DE NEYMAR SOBRE RACISMO

Ontem me revoltei, fui punido com o vermelho porque quis dar um cascudo em quem me ofendeu. Achei que não poderia sair sem fazer nada porque percebi que os responsáveis não fariam nada. Não percebiam ou ignoravam. Durante o jogo queria dar a resposta como sempre, jogando futebol. Os fatos mostram que não consegui, me revoltei No nosso esporte, as agressões, insultos, palavrões, são do jogo, da disputa, não dá pra ser carinhoso. Entendo esse cara em parte, faz parte do jogo. Mas o preconceito e intolerância são inaceitáveis.

Eu sou negro, filho de negro, neto e bisneto de negro, tenho orgulho e não me vejo diferente de ninguém, ontem eu queria que os responsáveis pelo jogo (Árbitro, auxiliares) se posicionassem de modo imparcial e entendessem que não cabe tal atitude preconceituosa. 

Refletindo e vendo tanta manifestação quanto ao que ocorreu fico triste pelo sentimento de ódio que podemos provocar quando no calor do momento nos revoltamos. Deveria ter ignorado? Não sei ainda…hoje, com a cabeça fria, respondo que sim, mas oportunamente eu e meus companheiros pedimos ajuda aos árbitros e fomos ignorados. Esse é o ponto.

Nós que estamos envolvidos no entretenimento precisamos refletir. Uma ação levou a uma reação e chegou onde chegou. Aceito minha punição porque deveria ter seguido no caminho da disputa limpa do futebol. Espero, por outro lado, que o ofensor também seja punido.

O racismo existe, existe, mas temos que dar um basta. Não cabe mais, chega! O cara foi um tolo, eu também fui por me deixar ser atingido. Eu ainda hoje tenho o privilégio de me manter com a cabeça levantada, mas todos nós precisamos refletir que nem todos os pretos e brancos podem estar na mesma condição. O dano do confronto pode ser desastroso para ambos os lados, quer seja preto ou branco. Não quero e não podemos misturar assuntos. Cor de pele não há escolha. Perante Deus somos todos iguais.

Agora…ontem perdi no jogo e me faltou sabedoria…estar no centro dessa situação ou ignorar um ato racista não vai ajudar. Eu sei. Mas pacificar esse movimento ‘anti racismo’ é obrigação nossa para que o menos privilegiado receba naturalmente sua defesa. Vamos nos encontrar novamente e vai ser do meu jeito, jogando futebol. Fica na paz! Fica em paz! Você sabe o que falou, eu sei o que fiz! Mais amor no mundo.

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