Operário tenta se adaptar a rotina de ‘clube grande’ para brigar pelo título

Jorge de Sousa

Operário - Paranaense - Fantasma - Série B - Gérson Gusmão

O Operário Ferroviário retornou à disputa do Campeonato Brasileiro da Série B após 18 anos em 2019. Isso fez com que o Fantasma encarasse uma nova rotina na preparação para o Campeonato Paranaense deste ano.

Sai a preparação antecipada ainda em dezembro para dar lugar a pré-temporada espremida nas primeiras semanas de janeiro, tal qual os principais clubes do Brasil. Com uma excelente campanha em seu retorno à Série B, o Operário mostrou que não quer se desfazer desse novo status.

Para conseguir dar ritmo a um elenco praticamente novo em pouco tempo, nada melhor que alguém com experiência de casa. Gerson Gusmão é o técnico mais longevo entre as divisões nacionais, comandando o Fantasma desde 2016 e tem o respaldo da diretoria para os possíveis percalços das rodadas iniciais do Paranaense.

TIME BASE

Do time que chegou a um honroso décimo lugar na última Série B nomes importantes como os laterais Maílton e Allan Vieira, os zagueiros Alisson, Lázaro, Rodrigo e Chicão, além do volante Índio, não fazem mais parte do elenco. O meia Marcelo e o atacante Felipe Augusto – artilheiro do Fantasma na última Série B, ainda tem situação indefinida no elenco.

O lateral Sávio vem de empréstimo do Coritiba com o desafio de substituir Maílton, eleito melhor lateral direito da Série B e atualmente jogador do Atlético Mineiro. O zagueiro Douglas Nascimento, o lateral esquerdo Danilo, o meia Tomás Bastos e o atacante Douglas Coutinho também chegaram nesta temporada e já assumiram a condição de titulares.

No próximo domingo (19), contra o Cascavel CR, Gerson Gusmão deve escalar o Operário Ferroviário com Rodrigo Viana, Sávio, Douglas Nascimento, Sosa e Danilo; Jardel, Rafael Chorão e Tomás Bastos; Schumacher, Lucas Batatinha e Douglas Coutinho.

PALAVRA DO TÉCNICO

Operário - Paranaense - Fantasma - Série B - Gérson Gusmão
Nenhum treinador nas divisões nacionais tem mais tempo de clube do que Gerson Gusmão. (José Tramontin/OFEC)

Como estão as expectativas para o Operário dentro do Paranaense?

Nós temos uma torcida que é apaixonada e muito presente, que se acostumou nos últimos anos a comemorar as nossas conquistas. Mas eu como técnico, os jogadores e a diretoria sabemos que o clube passou por uma reformulação muito grande e toda reformulação tem incerteza no início. Então ainda estamos em um processo de conhecimento e de condicionamento dos atletas, porque tivemos pela primeira vez um período muito curto para trabalhar, então tudo é novo para o clube. Meu primeiro objetivo é chegar em uma semifinal e assim garantir uma vaga na Copa do Brasil e só depois a classificação para a final para brigar pelo título.

Como essa mudança na pré-temporada tem modificado sua forma de trabalho?

A gente espera um início de uma certa irregularidade. Sabemos que a equipe não vai estar condicionada, entrosada, preparada nas primeiras rodadas, então podemos ter um momento de oscilação. Trocamos mais de 50% do nosso grupo de jogadores e mesmo com alguns atletas permanecendo, temos novos perfis de atletas com características diferentes, que exigem um tempo de adaptação. Realmente prejudicou um pouco a maneira que a gente gosta de trabalhar, os próprios jogos treinos, que tivemos que abdicar de alguns treinamentos durante a semana para fazê-los. Quem sabe a partir da terceira rodada a equipe possa estar mais forte. Nós temos 22 jogadores e mais três goleiros e também vamos incorporar dois ou três meninos do sub-20 que voltaram da Copinha. A ideia é iniciar o Paranaense com esse grupo, deixando os reforços para a Série B.

O seu trabalho longevo ao Operário te dá maior tranquilidade em seu dia a dia no clube?

É gratificante atingir esse número. É uma situação atípica no futebol brasileiro, que a gente gostaria que mudasse. Até porque traz uma responsabilidade grande, porque você sempre tem que estar em evidência e as pessoas sempre esperam quando vai acabar essa longevidade. Eu tenho uma voz muito ativa junto do presidente, o que me dá liberdade para escolher quais atletas que quero contratar, sendo esse um dos motivos que me fazem permanecer aqui. Eu recebi outros convites, tive algumas propostas muito boas, mas reconheço que o Operário me oportunizou, fora a liberdade que tenho aqui e dificilmente terei em outro clube. A partir do momento que você sabe que não serão uma ou derrotas que vão custar seu emprego, você pode colocar suas ideias sem medo de ser demitido.

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