Conheça os 22 atletas paranaenses nas Paralimpíadas de Tóquio

Pedro Melo

Paralimpíadas Tóquio atletas paranaenses

A delegação do Brasil já está em Tóquio para a disputa das Paralimpíadas, que começam nesta terça-feira (24). Dos 259 representantes, entre paratletas, guias, goleiros, calheiros e timoneiros, 22 deles são paranaenses e vão em busca de medalhas em nove modalidades.

Os atletas paranaenses nos Jogos Paralímpicos em Tóquio são Flávio Reitz (atletismo), Lorena Spoladore (atletismo), Cleiton Abrão (atleta-guia), Laércio Martins (atleta-guia), Eliseu dos Santos (bocha), Marcelo dos Santos (bocha), Giovane Vieira (canoagem), Mari Santilli (canoagem), Jady Malavazzi (ciclismo), Carminha Oliveira (esgrima em cadeira de rodas), Tiago da Silva (futebol de 5), Beatriz Carneiro (natação), Débora Carneiro (natação), Bruno Becker (natação), Eric Tobera (natação), Vitor Tavares (parabadminton), Andrey Muniz de Castro (tiro com arco), Ronan Cordeiro (triatlo), Edwarda Dias (vôlei sentado), Anderson Rodrigues (vôlei sentado), Alex Witkovski (vôlei sentado) e Daniel Jorge da Silva (vôlei sentado).

*Atualizado – Vinícius Rodrigues, do atletismo, morou em Maringá, mas nasceu no interior de São Paulo.

O Paraná ainda teria mais um atleta nas Paralimpíadas, mas o mesa-tenista Welder Knaf, da classe 3, foi suspenso provisoriamente pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). Ele foi comunicado da decisão em Tóquio na última quinta-feira (19) e já retornou para o Brasil.

Conheça a história e os principais resultados dos atletas paranaenses nas Paralimpíadas de Tóquio.

FLÁVIO REITZ – ATLETISMO

Flávio Reitz salto em altura Paralimpíadas
(Washington Alves/COB)

Flávio Reitz, de Francisco Beltrão, descobriu um tumor no fêmur da perna esquerda ainda aos 15 anos e precisou amputar. Ele entrou no esporte paralímpico em 2008 no handebol de cadeira de rodas e conheceu o atletismo no ano seguinte. O paranaense começou a participar das provas de salto de altura após assistir um vídeo do Comitê Paralímpico do Brasil (CPB) e compete na classe T42 (deficiência nos membros inferiores sem a utilização de prótese).

Reitz é dono do recorde brasileiro no salto em altura e conquistou a medalha de prata nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto-2015.

LORENA SPOLADORE – ATLETISMO

Lorena Spoladore atletismo jogos paralímpicos
(Marcelo Regua/MPIX/CPB)

Lorena Spoladore, de Maringá, perdeu a visão gradativamente por conta de um glaucoma congênito ainda nos primeiros dias de vida. Ela se mudou com a família para Goiânia para buscar tratamento, mas ficou completamente cega aos seis anos. A atleta participa das provas de atletismo na classe T11 (deficiência visual).

Na carreira, a paranaense foi medalha de prata no revezamento 4×100 metros e bronze no salto de distância nas Paralimpíadas do Rio-2016. Ela ainda foi ouro no salto em distância no Mundial de 2013 e prata no Mundial de 2015.

CLEITON ABRÃO – ATLETISMO

Cleiton-Abrão
(Washington Alves/COB)

Cleiton Abrão, de Nova Esperança, participa das provas de 800 metros no convencional e já está em transição para as provas mais longas. Na Paralimpíada de Tóquio, o paranaense será o atleta-guia de Edneusa de Jesus, bronze na maratona da Rio-2016.

LAÉRCIO MARTINS – ATLETISMO

Laércio Martins atleta guia paranaense Olimpíadas Tóquio
(Márcio Rodrigues/Mpix/CPB)

Laércio Martins, de Ivaiporã, iniciou na corrida aos 12 anos e começou como atleta-guia junto com Lucas Prado nas Paralimpíadas de Pequim-2008. Os dois ganharam juntos a medalha de prata nos 400 metros em Londres-2012. Em Tóquio, o paranaense será o guia da maratonista Edilene Boaventura.

ELISEU DOS SANTOS – BOCHA

Eliseu dos Santos bocha paranaense Jogos Paralímpicos
(Leandro Martins/CPB/Mpix)

Eliseu dos Santos, de Telêmaco Borba, perdeu gradativamente os movimentos dos membros superiores por conta de distrofia muscular. O paranaense começou na bocha aos 29 anos e hoje é um dos maiores nomes do Brasil na modalidade. Ele compete na classe BC4 (deficiências severas, mas que não recebem assistência).

Rocha é bicampeão olímpico nos pares em Pequim-2008 e Londres-2012, além de medalha de prata nos pares na Rio-2016 e de bronze no individual em Londres-2012. Ele ainda foi ouro no individual e nos pares no ParaPan de 2019.

MARCELO DOS SANTOS – BOCHA

Marcelo dos Santos bocha Paralimpíadas
(Fernando Frazão/Agência Brasil)

Marcelo dos Santos, de Telêmaco Borba, nasceu com distrofia muscular progressiva. O paranaense começou na bocha em 2007 e competiu pela primeira vez dois anos depois. A entrada na modalidade foi por influência do irmão Eliseu dos Santos.

Na carreira, Marcelo dos Santos foi ouro nos pares e bronze nos individuais nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto-2015 e prata nos pares nas Paralimpíadas Rio-2016. Além disso, ele ganhou a medalha de prata nos pares no Mundial de 2014.

GIOVANE VIEIRA – CANOAGEM

Giovane Vieira de Paula paracanoagem Tóquio
(Arquivo pessoal)

Giovane Vieira de Paula, de Apucarana, teve que amputar a perna esquerda, acima do joelho, após acidente de trem aos 11 anos. Ele iniciou a canoagem cinco anos depois através do ex-marido de sua mãe adotiva.

Na carreira na canoagem, o paranaense ganhou o ouro no Sul-Americano de 2018, na Argentina, e no Pan-Americano da modalidade de 2017, no Equador. Ele compete na classe VL3 (destinada aos atletas que usam a embarcação Va’a – conhecida também como canoa havaiana).

MARI SANTILLI – CANOAGEM

Mari Santilli Paracanoagem Jogos Paralímpicos Tóquio
(Levy Ferreira/SMCS)

Mari Santilli, de Curitiba, era atleta amadora do triatlo, mas sofreu um acidente de moto em 2006 e teve a perna esquerda amputada, na altura do joelho. Depois, a curitibana começou a fazer provas de travessia no mar e até participou de competições oficiais na natação.

Em 2014, a atleta saiu da natação e foi para a canoagem. No ano seguinte, ela foi convocada pela primeira vez para a seleção brasileira. Essa será a segunda participação de Mari Santilli nas Paralimpíadas.

JADY MALAVAZZI – CICLISMO

Jady Malavazzi ciclismo Tóquio
(Divulgação/CPB)

Jady Malavazzi, de Jandaia do Sul, sofreu um acidente de carro aos 13 anos e perdeu o movimento das pernas. Após a recuperação, ela iniciou no basquete. Em 2011, trocou para o ciclismo e já disputou o Parapan-Americano de Guadalajara.

Na carreira, a brasileira foi medalha de prata no Parapan de Guadalajara em 2011 e bronze no contrarrelógio e na prova de estrada no Mundial de Ciclismo de 2018. Ela compete na classe H3, que os atletas impulsionam a bicicleta adaptada com os braços.

CARMINHA OLIVEIRA – ESGRIMA EM CADEIRA DE RODAS

Carminha Oliveira esgrima paralimpíadas
(Divulgação)

Carminha Oliveira, de Foz do Iguaçu, tem uma atrofia na perna direita após receber vancina vencida de poliomielite quando tinha apenas três anos. Ela conheceu o esporte paralímpico ao assistir à Rio-2016 na televisão e praticou tênis de mesa antes de ir para a esgrima.

A paranaense participa das provas na categoria A, para atletas com mobilidade no tronco, mas amputados ou com limitação de movimento. O principal resultado dela na carreira foi a prata na espada no Regional das Américas, no Canadá, em 2018.

TIAGO DA SILVA – FUTEBOL DE 5

Tiago Silva Fut 5 Jogos Paralímpicos
(Marcio Rodrigues/MPIX/CPB)

Tiago da Silva, de Pinhais, nasceu com alta miopia. Ele sofreu deslocamento da retina no olho esquerdo aos dois anos e no olho direito aos cinco, quando ficou totalmente cego. O paranaense praticou natação, atletismo e goalball antes de ir para o futebol de 5 em 2009.

Tiago é bicampeão com a seleção brasileira nos Jogos Parapan-Americanos em 2015 e 2019, medalhista de ouro ma Paralimpíada Rio-2016 e campeão na Copa América de 2019 e do Mundial de 2018.

BEATRIZ CARNEIRO E DÉBORA CARNEIRO – NATAÇÃO

Beatriz-carneiro-débora-carneiro-natação-tóquio Paralimpíadas
(Divulgação)

Beatriz e Débora Carneiro, de Maringá, são irmãs gêmeas e participam das Paralimpíadas pela primeira vez. Beatriz Carneiro foi diagnosticada aos seis anos com deficiência intelectual. Começou na natação por hobby e competiu pela primeira vez aos 12 anos. Ela participou do primeiro torneio internacional em 2017, no México.

As principais conquistas da paranaense são o ouro nos 200m medley, prata nos 100m peito e bronze nos 200m livre no Parapan de 2019. No Mundial de 2017, ela ganhou a medalha de prata nos 100m peito. E em Tóquio, a maringaense compete nos 100m peito e 200m medley na classe S14 (dedicada a atletas com deficiência intelectual).

Já Débora Carneiro nasceu com deficiência intelectual de grau moderado. Ela começou na natação em 2013, quando tinha 14 anos, e participou da primeira competição internacional em 2017, no Mundial do México. É irmã gêmea da também nadadora Beatriz Carneiro.

A maringaense foi ouro nos 100m peito e prata nos 100m medley no Parapan de 2019 e bronze nos 100m peito no Mundial de 2019. Em Tóquio, a nadadora vai participar nos 100m peito na classe SB14 e 200m medley na S14.

BRUNO BECKER – NATAÇÃO

Bruno Becker natação Paralimpíadas
(Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB)

Bruno Becker, de Curitiba, nasceu com focomelia (anomalia congênita que impede a formação normal de braços e pernas). Após a morte do irmão mais novo por afogamento, ele entrou para a natação.

O curitibano é o recordistas das Américas e mundial nos 50m borboleta; ganhou três medalhas de bronze – 50m livre, 100m livre e 200m livre no Parapan de 2019. Em Tóquio, ele vai competir nas provas dos 50m livre na classe S3, 200 m livre na S2 e 50m peito na SB2.

ERIC TOBERA – NATAÇÃO

Eric Tobera natação paralimpíada
(Arquivo pessoal)

Eric Tobera, de Telemâco Borba, nasceu de forma prematura e sofreu uma paralisia cerebral. Ele encontrou no esporte a maneira de superar a depressão e começou no atletismo. Após conhecer o técnico Rui Menslin, o paratleta passou a treinar natação em Curitiba.

Nas Paralimpíadas de Tóquio, o atleta paranaense participa das provas dos 50m, 100m e 200m livre S4 e 50m peito SB3.

VITOR TAVARES – PARABADMINTON

Vitor Tavares parabadminton Tóquio paralimpíadas
(Divulgação/CPB)

Vitor Tavares, de Curitiba, possui nanismo. Ele conheceu o parabadminton no colégio de 2016 através de professor que dava aulas para crianças e atletas de alto rendimento.

Em cinco anos de carreira, o curitibano ganhou o ouro no individual nos Jogos Parapan-Americanos de 2019 e três medalhas de bronze no Mundial da modalidade também em 2019.

RONAN CORDEIRO – TRIATLO

Ronan Cordeiro triatlo paranaense paralimpíadas tóquio
(Tommy Zaferes/World Triathlon)

Ronan Cordeiro, de Curitiba, tem má formação congênita na mão esquerda e competiu na natação entre 2012 e 2018. Há três anos, ele começou a competir no triatlo e participa dos Jogos Paralímpicos pela primeira vez na carreira.

Os melhores resultados do triatleta são os bronze na etapa da Copa do Mundo de Corunã e na World Series em Yokohama, ambos em 2021. Ele também foi prata na etapa de Alhandra na Copa do Mundo de 2020.

ANDREY MUNIZ DE CASTRO – TIRO COM ARCO

Andrey Muniz de Castro Daniel Zappe CPB Jogos Paralímpicos
(Daniel Zappe/MPIX/CPB)

Andrey Muniz de Castro, de Apucarana, perdeu o movimento das pernas aos 19 anos após acidente de carro. Um ano depois, ele começou no basquete em cadeira de rodas. Em 2008, o paranaense iniciou no tiro com arco e se destacou na modalidade.

Na carreira no tiro com arco, o paratleta ganhou a medalha de prata no arco composto no Parapan-Americano da modalidade em 2021.

EDWARDA DIAS – VÔLEI SENTADO

Edwarda Dias vôlei sentado Tóquio paralimpíadas
(Exemplus/CPB)

Edwarda Dias, de Pinhão, não tem dois dedos do pé esquerdo e sofreu com um problema na gestação, quando o cordão umbilical enrolou na perna direita, o que impediu a formação do membro abaixo do joelho. A paratleta conheceu o esporte durante as Paralimpíadas de Londres 2012 e começou no vôlei sentado por apresentação de olheiro.

Com a seleção brasileira, a levantadora e atacante ganhou a prata nos Jogos Parapan-Americanos de 2015 e 2019 e o bronze nas Paralimpíadas de 2016.

ANDERSON RODRIGUES DOS SANTOS – VÔLEI SENTADO

Anderson Rodrigues vôlei sentado Jogos Paralímpicos
(Leila Nunes/Jogos Abertos do Paraná)

Anderson Rodrigues dos Santos, de Curitiba, sofreu acidente de moto em 2010 e teve a perna direita amputada abaixo do joelho. Ele iniciou no esporte por orientação médica.

O curitibano ganhou a medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de 2019 e de bronze no Mundial de 2018.

ALEX WITKOVSKI – VÔLEI SENTADO

Alex Witkovski vôlei sentado Jogos Paralímpicos
(Reprodução/Facebook)

Alex Witkovski, de Curitiba, foi atropelado em 2012 por um caminhão descontrolado enquanto trabalhava e amputou a perna direita acima do joelho. Em 2017, o hoje ponteiro e passador conheceu o vôlei sentado e integra a seleção brasileira da modalidade desde 2019.

DANIEL JORGE DA SILVA – VÔLEI SENTADO

Daniel Jorge da Silva vôlei sentado paralimpíadas Tóquio
(Acervo pessoal)

Daniel Jorge da Silva, de Curitiba, levou um tiro em 2000 durante assalto. Por conta de problemas circulatórios, ele teve a perna direita amputada abaixo do joelho. O paranaense conheceu o vôlei sentado em 2004 por convite de Anderson e Carlos Jacó, jogadores da seleção brasileira nas Paralimpíadas de 2000 e 2004.

O curitibano tem uma carreira vitoriosa na seleção brasileira com quatro medalhas de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de 2007, 2011, 2015 e 2019, duas de prata nos Mundiais de 2014 e 2016 e bronze no Mundial de 2018.

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