Paranaense é primeira transexual a jogar por time feminino de vôlei no Brasil

Fernando Garcel


Com Narley Resende

Um time de vôlei feminino de Curitiba terá a participação da primeira atleta transexual da história a disputar um campeonato oficialmente no Brasil. A Federação Paranaense de Vôlei (FPV) aceitou nesta semana a inscrição de Isabelle Meris no time feminino do clube Voleiros.

No próximo domingo (5), o time já vai disputar a primeira partida oficial de Isabelle entre as mulheres, na Copa Dia Internacional da Mulher. O torneio, em São José dos Pinhais, é organizado pelo Galatasaray Voleibol. Os atletas devem usar no campeonato um uniforme com a hashtag “#SomosTodosIsabelle”. O apoio é uma resposta ao preconceito sofrido pela atleta desde que decidiu jogar pelo time feminino. Com a autorização para participar em uma vaga feminina, o próximo passo é a inscrição do time de Isabelle nos torneios da Federação Paranaense. O primeiro será a Taça Curitiba, entre dia 20 e 24 de março.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O superintendente da Federação, Jandrey Vicentin, afirma que a Confederação Nacional de Volei foi consultada e não há registro de outro caso semelhante no Brasil. Segundo ele, o Comitê Olímpico Internacional criou uma diretriz baseada no atletismo, que poderá, por enquanto, ser considerado pelo Vôlei. “O COI fez uma alteração na participação de atletas transgêneros. Antes, a regulamentação exigia a cirurgia de mudança de sexo e dois anos de tratamento hormonal. Hoje, o COI exige apenas um ano de tratamento hormonal e exames que comprovam o nível de testosterona abaixo dos níveis masculinos e não exige mais a cirurgia de mudança de sexo”, disse Vicentin. “O assunto é inédito e está sendo tratado cautelosamente com a atleta para que os direitos civis sejam respeitados, mas que as outras equipes participantes tenham o direito desportivo de igualdade também resguardado”, completou o superintendente.

A atleta afirma que ficou nervosa quando soube da reunião com os membros da Federação. Apesar disso, ela diz que foi bem recebida pelos representantes. “É um tema novo para eles e ficaram muito empolgados em estar trabalhando em cima desse tema para abranger mais pessoas”, conta.

A jornada de Isabelle no esporte é inspirada na história de Tifanny Abreu, que é a primeira brasileira a conseguiu autorização da Federação Internacional de Vôlei para atuar entre as mulheres na Itália. Tifanny joga em um time da segunda divisão do Campeonato Italiano, em uma liga de alto rendimento. “A partir de que começou a repercutir as informações sobre ela, eu tomei coragem e conversei com a comissão técnica do meu time e falei ‘se ela pode, é um sonho possível, então eu também posso'”, conta a atleta.

Transexual brasileira faz história e joga entre as mulheres na Itália

Isabelle já participou de outros dois torneios de Volei, mas sempre em times mistos. Nesses casos, ela precisou fazer exames hormonais para participar na cota feminina do time. Por meio de mandado de segurança, Isabelle já conseguiu fazer documentos, com a identidade social e mudança de gênero.

“Sofri preconceito, discriminação e reprovação por parte de alguns times por ser uma mulher transsexual e estar jogando como uma mulher biológica. Fiz tratamento hormonal, acompanhamento psicológico. Consegui fazer alteração no meu nome, gênero e consegui uma ‘liberação’ para competir com as meninas. Todos os meus documentos são oficiais com o nome de Isabelle Meris”, conta a atleta.

Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Representante do time feminino do clube Voleiros, a professora Ildeana Schiochet afirma que Isabelle sempre foi bem recebida entre os atletas do clube e organizadores de campeonatos. Porém, os times e torcidas adversárias reagiram mal à participação de uma transexual entre as mulheres. “Na nossa equipe ela sempre foi bem recebida. Porém, nos outros campeonatos tivemos uma recusa das outras equipes. Inclusive, algumas equipes se recusaram a jogar campeonatos ou se colocaram contra dizendo que não iam jogar se ela participasse”, conta Ildeana.

Em março do ano passado, uma outra atleta trans, a italiana Alessia Ameri, foi liberada pela Federação Internacional para atuar pela segunda divisão do país europeu. Não há notícia de outros casos oficiais pelo mundo.

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