Petrovic usa duelo contra Uruguai como laboratório para o Pré-Olímpico

Jorge de Sousa

Aleksandar Petrovic - seleção brasileira de basquete - Copa América de Basquete - Torneio Pré-Olímpico de Basquete

O Brasil inicia sua caminhada na Copa América de Basquete nesta sexta-feira (21) contra o Uruguai, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Mas o olhar da seleção brasileira e do técnico Aleksandar Petrovic está dividido com o Torneio Pré-Olímpico, que irá começar no dia 23 de junho.

Como a seleção não conseguiu a vaga aos Jogos Olímpicos de Tóquio pelo Campeonato Mundial no ano passado, terá que disputar o torneio qualificatório em Split, na Croácia. Além dos donos da casa, o Brasil terá pelo caminho na competição a Tunísia na primeira fase e caso avance para as semifinais pode encontrar a Rússia, a Alemanha ou o México. Apenas uma equipe sairá com a vaga olímpica da competição.

“Nossa preparação será de duas semanas, com quatro amistosos, dois no Brasil e dois em um torneio na Polônia. Dia 20 de julho jogamos em Split. Penso que temos que chegar em um bom nível físico, porque temos que ter boas exibições para ganhar o torneio”, avaliou Petrovic.

Por isso, o duelo contra o Uruguai será a chance para diversos jovens atletas buscarem uma vaga dentro do elenco final do Pré-Olímpico. Georginho (23 anos), Gui Santos (22 anos), Leo Demétrio (25 anos), Du Sommer (25 anos), Márcio Santos (17 anos) e Dikembe (20) são alguns dos nome que vão encarar o laboratório de Petrovic por um lugar na Croácia.

“A renovação (na seleção) não será total, vamos continuar contando com Raulzinho, Vitor Benite, Augusto Lima e Bruno Caboclo. Vamos continuar escolhendo os jogadores que podem render uma boa química com os demais, pensando nos próximos quatro anos para os Jogos Olímpicos de Paris”, pontuou o técnico.

Na Copa América de Basquete, o Brasil está balizado no Grupo B juntamente com Uruguai, Paraguai e Panamá. Os três primeiros colocados da chave garante vaga nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, em 2023. Depois dos confrontos contra os uruguaios nesta sexta e na próxima segunda-feira (24), a seleção brasileira encara em casa panamenhos e paraguaios em novembro, atuando fora de casa contra esses rivais em fevereiro de 2021.

“Em um grupo com Uruguai, Paraguai e Panamá é seguro que vamos nos classificar. Agora é tempo para experimentar, não estou obsessivo para apenas ganharmos. Agora é tempo para vermos como se comportam alguns jogadores, até para avaliar como eles se comportam em um Pré-Olímpico”, explicou Petrovic.

“PESSOALMENTE SERÁ DIFÍCIL JOGAR CONTRA A CROÁCIA”

Aleksandar Petrovic - seleção brasileira de basquete - Copa América de Basquete - Torneio Pré-Olímpico de Basquete
Aleksandar Petrovic irá tentar colocar a seleção masculina de basquete pela terceira vez seguida nos Jogos Olímpicos. (Thierry Gozzer/CBB)

Antes do confronto contra o Uruguai, Petrovic concedeu entrevista exclusiva ao Paraná Portal e comentou suas expectativas sobre a atuação dos jovens jogadores contra o Uruguai, as dificuldades de jogar contra seu país natal e quais são seus planos para o desenvolvimento da seleção brasileira de basquete.

Quais são suas expectativas para os jovens jogadores nesses confrontos contra o Uruguai?

Para nós esses dois jogos são muito importantes, porque muitos desses jogadores vão entrar em dinâmica do futuro do basquete brasileiros nos próximos dez anos. Falo por exemplo do Márcio Santos, que tem 17 anos e pela primeira vez está na seleção brasileira.

Por isso, é uma seleção nova, embora tenhamos jogadores que participaram do Mundial como Rafa Luz e Yago para dar uma mescla em três diferentes tipos de jogadores. Quando acabar o Pré-Olímpico e depois os Jogos Olímpicos, um grupo de veteranos vai deixar de jogar com a seleção.

Não é só para ganharmos dois jogos do Uruguai. É para que esses jogadores marquem território aqui na seleção. E eu quero facilitar a eles essa entrada na seleção, fazendo com que eles joguem de uma maneira bem distinta. Porque se fala muito de ataque, de chutes de três, mas essa seleção vai começar um novo ciclo de basquete, que é muito mais internacional e que se começa desde a defesa, controle de rebotes, transição defensiva, contra-ataque, mudando um pouco a forma como eles atuam dentro do basquete nacional.

Já sabemos que temos muito claro que esses dois jogos contra o Uruguai vamos experimentar. Porque em um grupo com Uruguai, Paraguai e Panamá é seguro que vamos nos classificar.

Agora é tempo para experimentar, não estou obsessivo para apenas ganharmos. Agora é tempo para vermos como se comportam alguns jogadores, até para avaliar como eles se comportam em um Pré-Olímpico. Até porque quando cinco veteranos saem da seleção, temos que repor essas saídas.

Pré-Olímpico é uma competição para jogadores experientes, que vão atuar diante de 20 mil pessoas em uma quadra hostil. Isso é algo que apenas um jogador com muita experiência pode aguentar.

Georginho vem em uma temporada de bom nível no NBB. Como você acha que ele irá se sair nesses jogos?

Quando eu convoco eu não miro as estatísticas do NBB. Georginho não está aqui por que tem vários triplos-duplos, está aqui porque tem muita qualidade e habilidades específicas que podem auxiliar no crescimento da seleção.

Outro caso é de um grande jogador que não tem uma trajetória tão grande no Brasil, mas vem de um grande Mundial e tem uma carreira longa na Europa, que é o caso de Rafa Luz.

Porque a renovação não será total, vamos continuar contando com Raulzinho, Vitor Benite, Augusto Lima e Bruno Caboclo. Vamos continuar escolhendo os jogadores que podem render uma boa química com os demais, pensando nos próximos quatro anos para os Jogos Olímpicos de Paris. Reforço para mim não me impressionam as estatísticas, porque a forma da seleção jogar vai além.

Como é sua avaliação das dificuldades da chave do Brasil no Torneio Pré-Olímpico?

Todas as chaves são complicadas. É diferente a forma de classificação para as mulheres e para os homens. As mulheres são um torneio de quatro equipes em que três se classificam, enquanto os homens têm seis chaves e apenas um se classifica.

Basquete é um jogo global e vamos para Split, enfrentar seleções muito fortes como Croácia, Rússia e Alemanha. Mas em Belgrado se tem Sérvia, Nova Zelândia e Itália. Na Lituânia se tem Eslovênia com Doncic e Lituânia. Ainda tem chave no Canadá com Grécia e Turquia.

Para todos os lados é tudo muito complicado. Mas é um torneio muito específico e curto. Nossa preparação será de duas semanas, com quatro amistosos, dois no Brasil e dois em um torneio na Polônia. Dia 20 de julho jogamos em Split. Penso que temos que chegar em um bom nível físico, porque temos que ter boas exibições para ganhar o torneio.

Para você será especial decidir essa vaga em seu país natal?

Pessoalmente vai ser muito complicado. Eu estou em três épocas distintas no basquete croata, de 1992 a 1995, de 1999 a 2001 e de 2016 a 2017 como treinador da seleção croata.

Para mim é complicado, mas é ainda mais complicado para os croatas, porque eles sabem que todos os defeitos da equipe eu sei e isso pode ser uma grande vantagem para a equipe do Brasil.

Mas eu penso que todo mundo está obcecado com a Croácia no grupo, mas dos primeiros dois jogos só um é importante. Que é o do primeiro dia contra a Tunísia. Ganhando ele, o jogo contra a Croácia não é tão importante porque já estaríamos classificados para a semifinal e aí poderemos reencontrar a Croácia em uma possível final. Minha atenção junto dos nossos treinadores é focar totalmente na Tunísia.

A eliminação contra a República Tcheca no Mundial ainda repercute com os atletas?

Yago Mateus - seleção brasileira de basquete - Copa América de Basquete - Torneio Pré-Olímpico de Basquete
Yago é um dos dois jogadores do elenco contra o Uruguai que participou do Mundial de Basquete. (Thierry Gozzer/CBB)

Aconteceram muitas coisas. Na competição tivemos 45 dias. 44 dias saíram tudo à perfeição, mas um dia não. O dia antes dessa partida, nós tínhamos feito uma longa viagem desde de uma parte a outra de China viajando 12 horas.

Não havíamos conseguido treinar bem e não conseguimos captar forma de jogar contra a República Tcheca. Não tivemos tempo suficiente dado pela FIBA, porque a República Tcheca chegou após duas horas de uma viagem de ônibus, enquanto nós tivemos essa longa distância de avião. Não conseguimos treinar e por isso a equipe não reagiu da melhor maneira contra a República Tcheca, mas isso são coisas que acontecem em uma competição.

(Nota do editor: As duas seleções atuaram no dia 5 de setembro. O Brasil jogou em Nanquim (a 1.405,9 km de Shenzen), enquanto a República Tcheca esteve em Xangai (a 1.435,2 km de Shenzen). O duelo entre as equipes aconteceu no dia 7 de setembro em Shenzen, com vitória dos tchecos por 93 a 71, em resultado que praticamente eliminou os brasileiros do Mundial.)

 

Assim como Ruben Magnano, você irá lutar para implantar uma filosofia com foco na defesa?

A NBB segue muito a NBA, com a forma de jogar é muito mais aberta, com posições muito curtas e muitos chutes. Enquanto o Basquete Fiba é muito diferente, com jogo controlado, jogo interior e exterior.

Eu não entro em guerra com ninguém, mas a seleção deve começar a jogar por trás, desde sua defesa. Porque quando você mete 15 tiros de três você vai ganhar uma partida, mas quando você não faz a defesa é a única coisa que pode salvar sua vida.

Eu vejo com exemplo que estamos aqui com gente jovem, que já assimila a forma de jogar de outra maneira, algo que me deixa muito contente. Estou aqui há dois anos e meio e vejo que os jogadores veteranos também aceitam esse tipo de comportamento, porque é um basquete totalmente diferente que vemos aqui no NBB.

FICHA DO JOGO

Brasil x Uruguai – Primeira rodada do Grupo B da Copa América de Basquete

Ginásio Max Rosenmann, São José dos Pinhais

Sexta-feira (21), às 19h30

Transmissão: SporTV 2

Convocados por Aleksandar Petrovic: Georginho, Rafael Luz e Yago (armadores); Cauê Borges, Danilo Fuzaro, Guilherme Santos e Jhonatan (alas-armadores); Leo Demétrio, Du Sommer, Márcio Santos e Lucas Dias (alas-pivôs); Ronald, Rafael Mineiro e Dikembe (pivôs).

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