Renan Lodi valoriza ensinamentos de Simeone e busca afirmação no Atlético

Bruno Rodrigues - Folhapress

Renan Lodi e Simeone

Renan Lodi, 22, foi a grande novidade de Tite para a estreia da seleção brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo do Qatar, em outubro do ano passado. Nem tanto pela convocação do lateral esquerdo -que já vinha sendo chamado para amistosos- ou por sua titularidade contra a Bolívia, mas principalmente pela função que exerceu na goleada por 5 a 0.

O jogador atuou quase todos os 77 minutos que esteve em campo como ponta pela esquerda, um quinto homem de ataque aberto pelo lado. Teste realizado por Tite para enfrentar adversários que se fecham atrás com linha de cinco defensores.

Ainda que tenha jogado como atacante nas categorias de base do Athletico, partir de uma posição mais avançada representou uma experiência nova para o lateral. E que, apesar dos poucos treinos com a seleção, seria útil no seu retorno ao Atlético de Madrid para esta temporada.

“O Simeone conversou comigo [depois do jogo contra a Bolívia], sobre jogar mais como um atacante. Antes, no esquema em que estávamos jogando, não tinha como. Era um 4-4-2 e eu era lateral. Agora estamos jogando com três zagueiros e dois homens abertos pela ponta. Então para mim está mais parecido ao que eu encontrei na seleção”, diz Renan Lodi em entrevista à reportagem.

Depois de começar a campanha em LaLiga como titular, o brasileiro perdeu espaço na equipe e virou reserva. Ainda nos primeiros jogos da temporada, o técnico Diego Simeone mudou a estrutura tática do Atlético e passou de um 4-4-2 para um 3-4-3, que tornou o time mais ofensivo -é o segundo melhor ataque de LaLiga, com 45 gols, cinco a menos que o Barcelona.

Com a lesão do belga Yannick Carrasco, o meia (ou ala) pela esquerda, Renan Lodi ganhou uma nova oportunidade. No último fim de semana, foi titular contra o Levante e deverá estar entre os 11 que começarão o duelo desta terça-feira (23), contra o Chelsea, na partida de ida das oitavas de final da Champions League.

“Agora tem o Chelsea, o Villarreal e depois o Real Madrid. É uma sequência muito importante para mim”, diz Lodi, acostumado a jogar ao longo da carreira em linha de quatro defensores, mas que ainda experimenta a nova função.

“Para mim foi mais difícil a adaptação. O meu forte é vir de trás, rompendo com a bola, fazer a tabela com algum jogador. Ali na frente eu já estou mais próximo dos zagueiros, do lateral, e de costas ainda. Isso não é uma dificuldade, mas o cara já está bem perto de mim, não venho de trás como homem surpresa. Essa é a diferença”, explica.

Adaptação, aliás, que também não foi fácil no plano pessoal quando chegou à Espanha, na metade de 2019. Logo na estreia pelo Atlético, contra o Getafe, o brasileiro foi expulso com apenas 42 minutos em campo.

O início difícil, aliado à pandemia que interrompeu as competições, fez com que Lodi considerasse a possibilidade de voltar ao Brasil. “No começo eu queria ir embora, porque sentia muita falta de Curitiba”, diz.

Mas o retorno das competições, e principalmente o trabalho diário com Diego Simeone, reconfiguraram os planos do lateral, que hoje se diz em casa vivendo em Madri. Do treinador argentino, tem aprendido lições valiosas nos aspectos táticos e técnicos e sente seu repertório de jogo mais completo.

“Quando cheguei, o Simeone me chamou numa sala e disse: ‘Você está bem na parte defensiva, mas tem alguns aspectos que você tem de melhorar.’ Como perfilar o corpo, por exemplo. Ele é muito intenso. Um passe errado e ele vai te cobrar. Um cabeceio errado e ele vai te cobrar. Pode ser o Koke, que é capitão, ou o Lodi, que está começando a carreira”, conta o brasileiro.

“Quer o máximo do jogador no trabalho do dia a dia. Ele disse outro dia para mim: ‘Eu sou chato, mas você vai me agradecer muito um dia.'”
Com três pontos de vantagem para o Real Madrid na liderança de LaLiga e um jogo a menos, o Atlético dá demonstrações de estar preparado para quebrar, como em 2013/2014, o domínio do rival e do Barcelona no campeonato nacional. E, quem sabe, voltar a uma final europeia, onde esteve em 2013/2014 e 2015/2016, quando ficou com o vice.

“Como o Simeone costuma falar: é jogo a jogo. A gente está fazendo um ótimo campeonato, estamos muito felizes com o que está acontecendo. Estávamos com dez pontos sobre o segundo colocado [em LaLiga], estamos com três agora. Mas só depende da gente para sermos campeões”, afirma.

Partida a partida, como no mantra de Diego Simeone, Renan Lodi busca sua afirmação no clube. Nada como uma boa atuação na Champions, contra o Chelsea nesta terça, para somar pontos valiosos nesse processo.

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