Rogério Caboclo é afastado da CBF por 30 dias após denúncia de assédio

Vinicius Cordeiro

presidente cbf rogério caboclo

Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) neste domingo (6). A determinação foi do Conselho de Ética da entidade após a denúncia de assédio sexual e moral contra uma funcionária. Nesse período de 30 dias, quem assume a função é o vice Antônio Carlos Nunes, conhecido como Coronel Nunes.

O afastamento acontece horas depois que foi noticiada a promessa de Caboclo ao governo federal. Segundo o jornalista André Rizek, do GE, Caboclo assegurou que o técnico Tite seria demitido na próxima terça-feira, após o jogo contra o Paraguai pelas Eliminatórias. Renato Gaúcho, alinhado com o presidente Jair Bolsonaro, seria o escolhido para assumir o comando da seleção brasileira e responsável pela convocação para a Copa América.

Contudo, a situação de Tite fica indefinida. Vale lembrar que os jogadores e a comissão técnica são contra a realização da Copa América. No entanto, tanto Tite quanto o capitão Casemiro prometeram se pronunciar abertamente após as duas rodadas das Eliminatórias.

Além disso, a Conmebol terá que encontrar um novo dirigente para encabeçar a organização da Copa América. Já Rogério Caboclo se concentra na defesa para apresentar contra a denúncia de assédio.

ROGÉRIO CABOCLO E A PRESSÃO NO COMANDO DA CBF

Caboclo estava isolado na CBF. A decisão de trazer a Copa América no Brasil não foi discutida com ninguém da entidade, por exemplo. O único a dar respaldo foi o presidente Jair Bolsonaro, que viu uma oportunidade para melhorar a imagem politicamente com o possível título da seleção.

Por outro lado, nenhum dos oito vices da CBF foi escutado. Além disso, a maioria dos diretores já sabia da conduta de Caboclo há dois meses. Nesse período, a convivência com o dirigente foi cada vez mais difícil para os funcionários da Confederação devido à postura agressiva do mandatário.

O clima entre Caboclo e os jogadores da seleção explodiu nesta semana. O anúncio de que o Brasil sediaria a Copa América gerou mal estar entre os atletas e a comissão técnica.

Primeiro porque o presidente da CBF visitou a Granja Comary, centro de treinamentos da equipe, e nem mencionou o assunto. Os atletas sentiram a pressão das críticas nas redes sociais após o país topar aceitar o torneio em meio à pandemia, sendo que a Argentina recusou a Copa pelo momento crítico da Covid-19. Com a polarização no país, jogadores e comissão não queriam politizar a seleção e nem se sentirem massa de manobra.

Os líderes da seleção convocaram Rogério Caboclo para uma reunião, na qual colocaram a postura. Neymar, Casemiro, Thiago Silva, Marquinhos, Alisson e Danilo se posicionaram contra a Copa América no Brasil, mas o encontro elevou a tensão com uma resposta ríspida de Caboclo. Para completar, Caboclo foi ao vestiário antes do jogo contra o Equador e discursou aos atletas, que ficaram constrangidos com a cena. Isso tornou a relação ainda mais insustentável.

Até os patrocinadores da seleção brasileira ficaram insatisfeitos por não terem sido ao menos notificados da decisão de trazer a Copa América ao Brasil.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="768623" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]