Rogério Caboclo fala sobre Tite, boicote à Copa América e garante volta para a CBF

Pedro Melo e Vinicius Cordeiro

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O presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, se posicionou pela primeira vez desde que foi retirado do cargo pelo Comitê da Ética da entidade pela acusação de assédio moral e sexual contra uma funcionária. Ele falou sobre o técnico Tite, o boicote à Copa América e a possibilidade de retorno para a presidência.

Em entrevista ao jornalista Rodrigo Bueno, da ESPN Brasil, Caboclo afirmou que nunca quis demitir o técnico Tite e que os jogadores da seleção brasileira nunca falaram sobre o boicote a Copa América, que será disputada no Brasil a partir do próximo domingo (10).

“Os jogadores nunca falaram em boicotar a Copa América, em nenhum momento isso aconteceu”, afirmou Caboclo, fazendo referência ao encontro na Granja Comary. “E eu nunca quis trocar o Tite, a comissão técnica. Nós estaremos todos juntos na Copa de 2022, e para vencer”, acrescentou.

Sobre a acusação que o afastou da presidência da CBF, Caboclo se diz inocente e garante que vai retornar para o cargo. “Eu não posso falar nada sobre isso porque tudo será tratado na minha defesa. Eu sou inocente. Tenho absoluta certeza de que vou provar isso. E não há dúvida nenhuma de que voltarei. A minha família toda está me apoiando, minha mulher, meu filho, meus pais, minha ex-mulher”, disse.

ROGÉRIO CABOCLO E A PRESSÃO NO COMANDO DA CBF

Caboclo estava isolado na CBF. A decisão de trazer a Copa América no Brasil não foi discutida com ninguém da entidade, por exemplo. O único a dar respaldo foi o presidente Jair Bolsonaro, que viu uma oportunidade para melhorar a imagem politicamente com o possível título da seleção.

Por outro lado, nenhum dos oito vices da CBF foi escutado. Além disso, a maioria dos diretores já sabia da conduta de Caboclo há dois meses. Nesse período, a convivência com o dirigente foi cada vez mais difícil para os funcionários da Confederação devido à postura agressiva do mandatário.

O clima entre Caboclo e os jogadores da seleção explodiu nesta semana. O anúncio de que o Brasil sediaria a Copa América gerou mal estar entre os atletas e a comissão técnica.

Primeiro porque o presidente da CBF visitou a Granja Comary, centro de treinamentos da equipe, e nem mencionou o assunto. Os atletas sentiram a pressão das críticas nas redes sociais após o país topar aceitar o torneio em meio à pandemia, sendo que a Argentina recusou a Copa pelo momento crítico da Covid-19. Com a polarização no país, jogadores e comissão não queriam politizar a seleção e nem se sentirem massa de manobra.

Os líderes da seleção convocaram Rogério Caboclo para uma reunião, na qual colocaram a postura. Neymar, Casemiro, Thiago Silva, Marquinhos, Alisson e Danilo se posicionaram contra a Copa América no Brasil, mas o encontro elevou a tensão com uma resposta ríspida de Caboclo. Para completar, Caboclo foi ao vestiário antes do jogo contra o Equador e discursou aos atletas, que ficaram constrangidos com a cena. Isso tornou a relação ainda mais insustentável.

Até os patrocinadores da seleção brasileira ficaram insatisfeitos por não terem sido ao menos notificados da decisão de trazer a Copa América ao Brasil.

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