Tcheco aponta FC Cascavel na rota de Operário e Chapecoense rumo à elite do futebol brasileiro

Jorge de Sousa

Tcheco aponta FC Cascavel na rota de Operário e Chapecoense rumo a elite do futebol brasileiro

Anderson Simas Luciano, o popular Tcheco, conseguiu uma carreira de sucesso como jogador e tem buscado também deixar sua marca como técnico. Após oito anos como auxiliar técnico no Coritiba e Paraná Clube, Tcheco buscou no Barra FC e no Rio Branco a experiência e conhecimento para assumir o emergente FC Cascavel.

“O clube projeta em seis, sete anos estar na elite do futebol, no mínimo na Série B. Isso é importante, trilhando mais ou menos o caminho que o Operário acabou fazendo e a Chapecoense também”, apontou o treinador.

Se o objetivo do FC Cascavel é ousado, o início do trabalho de Tcheco no comando técnico da equipe dá esperanças que os primeiros passos para essa caminhada sejam dados nesta temporada.

A inédita classificação na primeira fase da Copa do Brasil contra o Figueirense e a invicta primeira fase no Campeonato Paranaense credenciam a equipe como uma das favoritas dentro do Campeonato Brasileiro da Série D.

“A gente está conseguindo realizar isso, mas mais importante do que como você começa é como você termina e vamos tentar fazer que esse final do estadual tão bonito como foi o começo”, analisou Tcheco.

Confira abaixo a entrevista exclusiva do Paraná Portal com Tcheco e a análise do treinador sobre o futuro do FC Cascavel, os motivos que levaram o técnico a não ser efetivado no Coritiba e uma análise sobre a maior presença de profissionais estrangeiros nas equipes brasileiras.

Tcheco admite que não se sentia preparado para ser efetivado no Coritiba
Tcheco admitiu que não se sentiu preparado para ser efetivado como técnico do Coritiba em 2013 e 2018. (Divulgação/FC Cascavel)

Paraná Portal: Como foram as negociações e por que você entende que o FC Cascavel escolheu você para ser técnico no início da temporada?

Tcheco: Primeiro foi o trabalho que a gente acabou realizando no Rio Branco no ano passado. Eles acompanharam de perto alguns jogos nossos, nosso jeito de jogar. O gerente de futebol que é o Marcos Vinicius (Favero) tem uma rede de contatos grande, acabou tendo algumas informações com algumas pessoas que já trabalharam comigo, quando era jogador e de quando eu estava como auxiliar no Coritiba e no Paraná e acabou fazendo essa aposta, principalmente pelo que fizemos no Rio Branco. Além disso, o meu nome que eu já tinha como ex-jogador, fez com que eles viessem atrás, até por ser um treinador novo, entendendo que poderia ser uma aposta interessantes para eles.

Paraná Portal: Quais são os diferenciais do FC Cascavel para realizar essa boa campanha até o momento no Campeonato Paranaense?

Tcheco: Tem alguns pontos. Antes de assinar, eu vim aqui para conhecer o clube e me chamou a atenção a estrutura que o clube tem. A estrutura de trabalho, três campos, todo o departamento de futebol muito organizado, como eu falei antes, um gerente de futebol que geralmente tem equipes nas séries B, C e A.

Outro ponto positivo de quando eu cheguei aqui para assinar o contrato foi (prometido) que ia ser mantido 80% do elenco do ano passado, quer dizer já tinha uma base. Não ia começar um processo do zero, contando com algumas contratações pontuais.

O clube projeta em seis, sete anos estar na elite do futebol, no mínimo na Série B. Isso é importante, trilhando mais ou menos o caminho que o Operário acabou fazendo e a Chapecoense também. A cidade tem uma dimensão parecida com a deles, em termos de população, a logística é ótima, tem aeroporto, o clube tem seus acionistas. Então tem uma preparação para que isso possa ser formalizado no futuro.

Então isso já é uma garantia de estar em um trabalho um pouco mais tranquilo. Tudo depende de resultados, mas entendendo que existia uma base e com a chegada de contratações pontuais, era possível ter um pouco mais de sucesso para realizar o trabalho.

E a qualidade dos jogadores é indiscutível. A qualidade que eles têm ajuda muito a prosperar. Também temos uma comissão técnica muito boa, muito envolvente no trabalho e muito qualificada.

Junta todos esses fatores para que a equipe desde o ano passado conseguisse construir um respeito diante do nosso estado e agora estamos mantendo novamente esse perfil.

Mas o nosso maior sonho é tentar classificar a equipe para a Série C do Campeonato Brasileiro, que é o maior desejo do torcedor e a gente vai em busca disso. Passa por um processo no estadual. Dar confiança no sentido do trabalho. A gente está conseguindo realizar isso, mas mais importante do que como você começa é como você termina e vamos tentar fazer que esse final do estadual tão bonito como foi o começo.

Paraná Portal: Como está o planejamento da comissão técnica e diretoria do FC Cascavel para a Série D?

Tcheco: Nosso planejamento era até a metade do campeonato estadual avaliar o elenco para que pudéssemos trazer jogadores mais pontuais. Entendemos que tem algumas posições e já estamos buscando alguns nomes.

O Carlos Henrique (atacante) que era do Londrina já se apresentou ao clube, não pode jogar mais o estadual, mas na Série C vai poder jogar. Já está em processo de treinamento para entender a maneira como a gente joga, o jeito que a gente trabalha. Provavelmente até a semana que vem vão chegar mais dois jogadores, que a gente entende que necessita para encorpar nosso elenco para o Brasileiro.

E a diretoria deu esse respaldo para a gente, entendeu da mesma maneira e as coisas têm funcionado da maneira como foi combinado e planejado. Aí tenho certeza que as coisas acontecendo assim já antecipado já favorece para que a gente tenha um elenco forte no Brasileiro.

Paraná Portal: Como as experiências como auxiliar técnico no Coritiba e no Paraná lhe auxiliaram na carreira como treinador? Dentro do Coritiba o que impediu que você fosse efetivado na função?

Tcheco: O tempo que eu passei de auxiliar nas duas equipes, posso dizer com mais propriedade no Coritiba, eu sempre levava isso como um estágio privilegiado. Passava os treinadores a gente ia entendendo o molde do trabalho deles. Tem coisas que vem com tua convicção e outras que não vem, isso não quer dizer que seja certo ou errado, mas é aquilo que você pensa dentro do futebol e eu ia me moldando em cima dessas coisas. Então eu tive muita sorte e agradeço por ter tido o convite para ser auxiliar na época. Então foi um estágio privilegiado, é assim que eu retrato minha passagem no Coritiba e no Paraná Clube.

A questão de eu ser treinador, eu até tive o convite para ser treinador no Coritiba. Mas eu entendia que a camisa do Coritiba precisava de um treinador com mais envergadura, com mais respeito, com mais entendimento, eu não me achava preparado na época para assumir o clube. Hoje eu já tenho mais entendimento, já tenho mais desenvoltura para montar os meus trabalho. Na época eu achava que o clube precisava de um treinador com mais respeito pela camisa e por isso as coisas não aconteceram.

Mas tudo tem seu tempo, quem sabe um dia isso aconteça novamente. Isso vai depender do meu trabalho e dos meus resultados, o futebol é muito dinâmico e acho que isso pode acontecer no futuro.

Paraná Portal: Quais as principais dificuldades na transição da carreira de atleta para técnico e quais dicas você pode passar para jogadores que pensam em seguir esse caminho?

Tcheco: É muito complicada essa transição, porque apesar de viverem no mesmo mundo, são dois mundos paralelos, não tem nada a ver um com o outro. O atleta cuida exclusivamente da sua performance, do seu trabalho e do seu corpo, em uma questão muito individual. O treinador já não, é mais o coletivo, que abrange ainda a comissão técnica, até para o andamento dos trabalhos, tem que ter uma química, tem que ter uma lógica, tem que ter uma sintonia de trabalho.

Quando passei para o lado da comissão técnica isso foi muito evidente, a dificuldade que eu teria. Por isso que eu prolonguei minha questão de ser auxiliar por muito tempo, para entender cada vez mais esse processo. Porque estava tendo muita dificuldade em análise tática, análise de trabalho, análise de treinamento e tudo mais. Então como eu falei são dois mundos que vivem juntos, mas são paralelos e muito diferentes um do outro.

A introdução que eu já dei e sempre falo isso com os atletas, um dos meus lemas é que o atleta tem que entender o que está fazendo, tem que saber o que está fazendo, tanto dentro quanto fora de campo. Então eu sempre debato com eles extracampo e a recomendação que eu sempre dou para eles é que hoje a internet possibilita que você online faça os cursos e já tenha o entendimento. E não precisar ser só de treinador, tem de coordenador, tem de executivo de futebol, tem de treinador de goleiros. A preparação física é uma área mais abrangente ainda, tem há anos no mercado e por isso também tem maior material.

Mas que não fiquem só na concentração olhando as redes sociais e o Whatsapp. A internet ela te possibilita agora fazer cursos ainda como jogador, para entender essa área antecipada. Porque aí depois eles vão necessitar só um pouco da área prática, que vai ser bem menos tempo do que eu tive, por exemplo. Aí com um pouco de trabalho como auxiliar em qualquer clube que eles forem fazer vai ser a metade do tempo que eu tive. Então essa é a recomendação que eu dou, utiliza o tempo que eles têm na concentração para fazer curso.

Paraná Portal: Qual sua avaliação sobre o intercâmbio cada vez maior de técnicos estrangeiros dentro do futebol brasileiro?

Tcheco: Eu acho super importante ter o conhecimento de outras escolas, isso sempre vai fazer crescer o desenvolvimento do futebol brasileiro para a área dos treinadores. Isso enriquece mais ainda o conhecimento dos treinadores brasileiros, mas acredito que está tendo uma invasão muita grande dessa ala. Isso talvez acho que tem um lado bom e um lado ruim.

O lado bom, como já te falei, é que tem crescido muito o conhecimento por todos. Mas a ala ruim é que assim como nos cursos se cobra muito que o jogador brasileiro está perdendo a essência, das raízes brasileiras, daquele jogador de rua, os treinadores com essa invasão podem perder um pouquinho de sua essência também.

Porque aí a gente começa a querer copiar um pouco do que eles fazem lá fora, sendo que no passado eles  que vinham copiar o que a gente fazia aqui. Só que eles acabaram estudando mais do que a gente. A gente precisa colocar mais no livro, colocar mais no papel nossas ideias, se concretizar com estudos, foi assim que eles fizeram lá fora e a gente precisa abrir os olhos para isso. Mas ao mesmo tempo não deixar que isso enraíze por parte deles aqui dentro se não a gente vai perder nossa essência, nossa maneira de jogo e as nossas qualidades. Porque o treinador brasileiro tem sua qualidade, isso é indiscutível.

Passa um pouco também pela valorização dos treinadores brasileiros quando ganham receber os louros da glória no mesmo jeito que eles têm aqui. Porque o que eles fazem, quando a gente faz igual, eles são muito mais gratificados no sentido de trabalho e reconhecimento. E ao mesmo tempo quando a gente faz errado tanto quanto eles fazem a gente também tem uma crítica muito grande.

Precisa de um pouco de discernimento com essas coisas também. Porque se não parece que está tudo errado aqui e tudo certo lá e não é bem assim. Mas volto a dizer, a gente tem que ter um pouquinho de equilíbrio em tudo. Nas críticas, nos elogios, um pouquinho nessa invasão por parte deles, porque se não vai fechando o mercado para todo mundo aqui e lá fora é o contrário. A gente tem pouca abertura porque eles dão pouca abertura para o mercado brasileiro.

Hoje o mercado brasileiro que nós estamos reconquistando novamente, que já foi um mercado muito forte, é o do mundo árabe. Temos lá cinco treinadores de renome, que graças a Deus estão conseguindo aos poucos abrir os mercados. O (Fábio) Carille está no mundo árabe, o Mano (Menezes) está lá, o (Rogério) Micale está lá, o (Péricles) Chamusca está lá.

Isso há três, quatro anos atrás não existia. Acho que aos poucos a gente vai novamente reconquistando essa área no mundo asiático e mundo árabe e aos poucos temos que tentar se introduzir nos mercados principais. É uma longa caminhada, estamos engatinhando para isso, mas tem tempo para tudo também.

Paraná Portal: Como você planeja seu futuro profissional? Pretende realizar novos cursos ou já tem novos objetivos em mente?

Tcheco: Em relação aos estudos, isso vai ser uma coisa muito iminente. Um treinador que não fica atento as atualidades do futebol fica para trás, mais ou menos como um médico na medicina. Tem que sempre estar se atualizando, porque vai ser muito exigente a cobrança, a cada tempo que passa vai ter sempre novidades e os cursos vão sempre ser aperfeiçoados para você se atualizar

Em relação ao que eu penso como carreira profissional, eu estou indo por etapas. Não tive receio em ficar por oito anos como auxiliar e aprender muita coisa, mas assim que eu entrei na carreira como treinador eu tive a possibilidade para ser treinador do Coritiba e não aceitei, porque achava que tinha que conhecer mais sobre o mercado, não só de treinador, mas em algumas experiências novas.

Aí minha primeira passagem foi na segunda divisão do catarinense (Barra FC), recentemente no Rio Branco e hoje estou no FC Cascavel. Então estou em uma evolução não só de níveis, mas em uma evolução de conhecimentos, de novos desafios que aparecem, gestão de grupo e de clube e isso vai me dando bastante casca e experiência que no momento que eu atingir a elite do futebol, aonde eu quero chegar dentro de quatro a cinco anos, no máximo, eu vou chegar com embasamento.

Se você chegar por chegar, você pode sair por sair também. Mas se você chegar por embasamento a probabilidade de ficar por mais tempo na elite do futebol é maior ainda. Aí chegando na elite do futebol tudo pode acontecer. Você atingir altíssimos níveis de carreira, como chegar é difícil, manter é mais ainda e aí será meu próximo desafio, se manter na elite do futebol. Acho que pouco a pouco eu vou entender esse processo e galgando para chegar lá.

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