Técnico se divide entre Adenor e Tite para lidar com caso Neymar

Folhapress

Tite

O técnico Tite concedeu uma entrevista de 47 minutos, nesta segunda-feira (3), em Teresópolis, e teve de responder a 20 perguntas sobre Neymar entre as 26 realizadas. Enquanto tentava lidar com a situação espinhosa envolvendo o atacante, investigado por suposto estupro e por suposto crime virtual, um carro da DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática) apareceu na Granja Comary para intimar o jogador a depor.

Nesse cenário complicado, o treinador procurou demonstrar maior simpatia do que em entrevistas anteriores e mostrar seu “lado humano”, como gosta de dizer. Em determinado momento, ele chegou a fazer uma pausa dramática e a demonstrar emoção ao recordar o contato com crianças no centro de treinamento da seleção brasileira na última semana.

“Digo que o Adenor está acima”, afirmou o gaúcho, citando seu nome de batismo. “O Tite não vai engolir o Adenor, não. O cargo não vai engolir. De repente, pode ter um momento de vaidade, tenho os meus, sou orgulhoso. Mas tenho tempo de rodagem para saber que meus valores são muito bem calcados e consolidados na minha carreira.”

Foi nessa toada que boa parte da entrevista foi levada. Ele recordou seu tempo no Guarani de Garibaldi, no início da carreira, perguntou a jornalistas quais eram aqueles a quem ele estava devendo respostas e fez um apelo para que nenhuma de suas respostas fosse tirada de contexto e colocada de forma polêmica.


Adenor deu lugar a Tite, porém, nos raros momentos em que o questionamento não envolvia Neymar. “Pergunta tática, resposta tática”, vibrou, lançando mão de um de seus bordões e levantando o tom de voz para falar animadamente sobre a versatilidade de seus jogadores de meio-campo.

O que o técnico Tite não explicou foi por que tirou de Neymar a faixa de capitão, antes mesmo do surgimento da acusação de estupro. Ele manteve em sigilo o teor do que falou com o jogador na Granja Comary e afirmou que a conversa na qual foi comunicado ao atleta que ele não vestiria mais a braçadeira foi “íntima e pessoal”.

Foi Adenor, portanto, que recebeu Neymar em seu quarto para uma troca de ideias no último domingo, já diante da situação difícil criada com a acusação de estupro. Mas, mesmo não sendo a faixa de capitão da seleção algo íntimo e pessoal, Tite preferiu não dar nenhuma justificativa sobre o motivo pelo qual mudou o dono do acessório -que agora é de Daniel Alves.

Quando tinha anunciado a convocação para a Copa América, o gaúcho sofrera críticas por não aplicar ao craque do time seus rígidos critérios disciplinares. O atleta, no Paris Saint-Germain, havia dado um soco em um torcedor, mas o treinador disse que só se pronunciaria sobre o tema depois de conversar com ele, mostrando irritação com a insistência nas perguntas relacionadas ao assunto.

Desta vez, a simpatia foi maior e nenhuma questão foi rejeitada, como ocorrera no mês passado. O gaúcho conseguiu transitar entre Tite e Adenor para lidar com uma entrevista que encerrou sorrindo, procurando uma produtora de TV para cumprimentá-la: “Precisava te dar um abraço”.

*** por Diego Garcia e Marcos Guedes

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