Das vaias aos aplausos: a fria torcida brasileira na estreia da Copa América

Vinicius Cordeiro

Copa América

A torcida da seleção brasileira decepcionou nesta sexta-feira (15). 46.342 pagantes estiveram no Morumbi na vitória do Brasil sobre a Bolívia e garantiram a maior renda da história do futebol brasileiro – R$ 22.476.630,00, mas estiveram longe de acrescentar algo positivo ao espetáculo.

“Aqui em São Paulo é normal, tem muitos torcedores de time, então é sempre muito complicado jogar aqui. Chegou momento que, se o Tite gritasse, dava para escutar no campo… Na Bahia o axé é diferente. As pessoas sentem falta da seleção brasileira. Certeza que lá vai ser mais animado que aqui”, disparou o lateral, e capitão, Daniel Alves após o jogo.

O hino nacional cantado à capela, legado da Copa do Mundo de 2014, seguiu firme. Boa parte dos atletas ainda demonstra emoção com o momento, que parece incendiar o estádio. Pena que a relação não dura os 90 minutos.

Apesar da seleção estar em campo, as pessoas não esquecem seus clubes do coração. Talvez isso seja motivado pela distância criada com a equipe, potencializado ainda mais pelo preço caro cobrado. O valor médio do ingresso foi R$ 485, ajudando a criar a atmosfera de “plateia”.

VAIAS AOS “RIVAIS”

Com a bola rolando, parte dos torcedores cantaram gritos do seu próprio time – e acabavam sendo vaiados pelos outros.

Já no anúncio da escalação, Alisson, Casemiro, Phillipe Coutinho e Roberto Firmino foram os mais celebrados. O próprio técnico Tite, com história no Corinthians, ficou entre palmas e vaias. Mas o surpreendeu mais foi a reação negativa quando o telão anunciou os nomes de Cássio e Fágner, amplamente contestados.

As cenas após o apito inicial foram trágicas. O canto de “bicha” para o goleiro adversário, tão rebatido nos últimos tempos, também marcou presença e acabou sendo rebatido até por Galvão Bueno na transmissão da Rede Globo.

Com o cronômetro passando e o placar zerado, a insatisfação toma conta. Contra os bolivianos, durou 45 minutos. Aos poucos, gritos de insatisfação foram direcionados ao gramado. No final do primeiro tempo, vaias tomaram o estádio.

A partir do primeiro gol de Coutinho, a alegria apareceu em momentos raros. O que ficou marcado mesmo foi o silêncio – absoluto e depressivo – que tomou conta do Morumbi.

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