Campeã olímpica, Valeskinha assume o Curitiba Vôlei para salvar o projeto

Pedro Melo

Curitiba Vôlei Valeskinha Superliga Feminina

Enquanto o vôlei brasileiro segue em busca da medalha de ouro nas Olimpíadas de Tóquio, a situação do Curitiba Vôlei não é das melhores. O Curitiba encontra dificuldades para arranjar patrocínio e não tem presença garantida na próxima temporada da Superliga Feminina. A central Valeskinha, de 45 anos, assume como gestora para evitar o fim do projeto que começou em 2016.

Valeskinha, campeã olímpica em Pequim-2008, quer aproveitar o sucesso dentro e fora das quadras para trazer patrocinadores e apoiadores ao Curitiba Vôlei.

“Não temos parceiros, apoiadores, patrocínios. Eu estou daqui a pouco me aposentando e não queria que isso morresse. Vejo muitas pessoas dizendo que o sonho é jogar vôlei, ter uma oportunidade. É triste ver algumas pessoas acharem que não é relevante e não devem dar o devido valor. Estamos remando contra a maré. Já éramos para estarmos treinando, mas não temos time nem nada. São quatro temporadas que sobrevivemos com pouco e a Gisele [Miró] era nossa patrocinadora”, comentou Valeskinha, em conversa com a reportagem do Paraná Portal.

FALTA DE APOIO PARA O CURITIBA E SAÍDA DE GESTORA

Em entrevista ao Paraná Portal em junho, a então gestora Gisele Miró adiantou a dificuldade para encontrar patrocinadores para o projeto do Curitiba Vôlei. Em pouco de mais de 40 dias, ela não conseguiu apoio para a manutenção da equipe.

A diretora se reuniu com o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que sinalizou positivamente para continuar com o projeto na capital paranaense. Porém, nenhum investimento foi realizado para a montagem do time de olho na Superliga.


Por isso, Gisele Miró pagou R$ 18 mil do próprio bolso para a inscrição do Curitiba Vôlei na Superliga, mas não faz mais parte do projeto. “Infelizmente é verdade. Mas a equipe e o sonho de manter a Superliga ganha fôlego novo com a campeã olímpica assumindo esse desafio. Fica a esperança das palavras do prefeito Rafael Greca que ao me receber 20 dias atrás chamou toda sua equipe e pediu para que encontrassem soluções para transformar Curitiba na capital nacional do vôlei”, falou a agora ex-diretora, em conversa com a reportagem.

Valeskinha ainda pede que as empresas curitibanas se juntem para apoiar o esporte na cidade. “O que eu tenho é esperança e que possa chegar até o Greca, o único que realmente apoiou a ideia. Nós temos a fé e a esperança que empresas possam se juntar. Não queremos uma empresa só, mas se a gente conseguir uma quantia já pode ajudar muito”, declarou.

O PROJETO DO CURITIBA VÔLEI

O Curitiba Vôlei surgiu em agosto de 2016, já com a participação de Valeskinha, e conquistou o título da Superliga B em 2018 após vencer o confronto paranaense com Londrina na final por 3 sets a 2. Desde então, a equipe curitibana disputa a elite e sempre alcançou os playoffs.

Nas duas primeiras temporadas, o time terminou em oitavo lugar – perdeu para o Minas na temporada 2018/2019 e não jogou o confronto das quartas de final com o Praia Clube por conta da pandemia na temporada 2019/2020. O ápice veio na última edição, mesmo com todas as dificuldades financeiras e de ausência de público.

Com um elenco formado semanas antes do início da Superliga, o Curitiba Vôlei alcançou a melhor campanha da história. Terminou em sétimo lugar na fase de classificação, com vitórias sobre todos os concorrentes diretos, e jogos de igual para igual contra os favoritos.

A queda nas quartas de final veio após duas derrotas para Osasco – os dois jogos foram em São Paulo porque a capital paranaense não podia receber eventos esportivos na ocasião por conta da bandeira vermelha. Além disso, Valeskinha ficou de fora das decisões por lesão.

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