“Vocês vão ter os piores momentos” – esbraveja Petraglia contra a imprensa

Roger Pereira


A noite era de festa para o Atlético Paranaense. E, enquanto a imprensa aguardava o técnico Thiago Nunes ou algum jogador do time que acabara de ser campeão estadual, quem entrou na sala de imprensa foi o presidente do clube, Mário Celso Petraglia, para explicar a decisão de transmitir a final do campeonato no Youtube e criticar a Rede Globo, a imprensa em geral e a Federação Paranaense de Futebol.

O Atlético não vendeu os direitos de transmissão de suas partidas no Campeonato Paranaense para a RPC, afiliada da Rede Globo no estado e, assim, a decisão deste domingo não foi transmitida pela TV. O Atlético, então, sem autorização do Coritiba, da Federação Paranaense de Futebol e, muito menos da Rede Globo, transmitiu a partida no Youtube. A Rede Globo, no entanto acionou o canal virtual e tirou a transmissão do ar.

O Atlético também passou a proibir que emissoras de TV registrem imagens dos jogos do Paranaense em seu estádio, afirmando que disponibilizaria quatro minutos de imagens para todas as empresas que solicitarem. Na final do segundo turno do campeonato, no entanto, o clube cedeu lances aleatórios do jogo, não os melhores momentos e, nem sequer, os gols. Questionado se iria repetir o procedimento com os lances da final, ele confirmou. “As emissoras de TV lucram com o nosso produto. Vendem anúncio, têm patrocinadores em seus programas, para explorarem a nossa imagem. Ganham muito dinheiro e não querem pagar nada por isso. E ainda querem os melhores momentos. Terão os piores”, afirmou.

Na coletiva, Petraglia disse que assumiu o risco de transmitir o jogo, mas teve o aval de seu departamento jurídico, que avaliou todas as questões legais envolvendo a transmissão. “Não criamos prejuízo a ninguém. O jogo era de mando nosso. Mas, mesmo assim, houve a interferência do poder político e econômico, que nos tirou do ar. Por isso minha presença aqui para materializar o protesto contra a forma que fomos tratados pelo monopólio da televisão brasileira”.

Petraglia disse que não tem mais o que fazer para o Atlético competir com os grandes clubes brasileiros se o problema das cotas de TV não for resolvido. “Já temos o melhor CT, a melhor estrutura, o melhor trabalho de base, mas, recebemos 150 mil reais da televisão para entrar em campo, enquanto Flamengo e Corinthians recebem 5 milhões. Não tem como competir”, reclamou.

 

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Repórter do Paraná Portal
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