Presunção da inocência”: Cida fala sobre secretários investigados ao lançar Divisão de Combate à Corrupção

A governadora Cida Borghetti (PP) assinou nesta quarta-feira (9) o decreto de criação da Divisão de Combate à Corrupção ..

Mariana Ohde - 09 de maio de 2018, 08:20

Foto: ANPr
Foto: ANPr

A governadora Cida Borghetti (PP) assinou nesta quarta-feira (9) o decreto de criação da Divisão de Combate à Corrupção no Paraná. Formada pelas polícias Civil e Militar – incluindo a Polícia Ambiental e Rodoviária - pela Receita Estadual e Controladoria do Estado, a nova divisão passa a englobar o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) e coordenará as ações de combate a corrupção no estado.

“Com um trabalho conjunto e articulado, vamos avançar no combate a toda espécie de desvios, ilícitos e irregulares, no âmbito da administração pública e privada”, afirmou Cida Borghetti.

"Toda sociedade pode e deve participar através do disque-denúncia 181 ou do 0800 41 1113. Nosso chefe da Controladoria, Carlos Eduardo, recebe todas informações, todos comentários e denúncias, e é encaminhado, daqui para frente, ao coordenador da Divisão de Combate à Corrupção do estado, que é o doutor Figueroa", disse.

Investigações

Durante o evento, a governadora foi questionada pela imprensa sobre a presença de dois nomes investigados na Lava Jato no governo do Paraná: os secretários da Administração, Fernando Ghignone, e do Planejamento, Juraci Barbosa.

Ambos foram citados em delação como intermediários para recebimento de caixa 2 doados pela empreiteira Odebrecht. As verbas seriam para campanhas de Beto Richa (PSDB). “Todo cidadão tem o direitos à ampla defesa. Todos eles, que estão ora delatados e investigados, têm direito à presunção da inocência, nós não podemos esquecer”, respondeu Cida.

O decreto determina que a nova divisão terá total autonomia para investigar denúncias relacionadas a corrupção. “Inclusive em relação a minha pessoa”, afirmou a governadora.

Tanto Ghignone como Juraci negam ter recebido recursos através de Caixa 2.

Delegado atuou na Quadro Negro

O novo coordenador da divisão, Renato Bastos Figueroa, atua desde 2010 em postos importantes na Polícia Civil: foi delegado da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Tático Integrado de Grupos de Repressões Especiais (Tigre).

Na chefia do Nurce, ele participou das duas primeiras fases da Operação Quadro Negro em 2015. A operação investiga o desvio de R$ 20 milhões de obras de escolas estaduais.

A terceira fase, deflagrada em dezembro de 2015, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, prendeu o irmão de Cida, Juliano Borghetti. Ele havia sido citado por testemunhas e era suspeito de facilitar os contratos e o desvios de recursos. Ele foi solto três dias depois.

Juliano foi citado na delação do dono da construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, que implicou o ex-ministro Ricardo Barros, marido de Cida, no esquema investigado. A delação foi revelada em reportagem da Folha de S. Paulo.

Na época do acordo, Ricardo Barros era deputado federal. Segundo o delator, ele teria negociado com Barros a compra de um cargo no gabinete Cida, na vice-governadoria do Paraná, para a servidora Marilane Aparecida Fermino, que ficaria responsável por favorecer a construtora junto à Secretaria de Educação. Ricardo Barros, segundo o delator, teria concordado e solicitado o pagamento de R$ 15 mil mensais ao cunhado, Juliano. Ambos negam as acusações.