Áudios envolvem governo Richa em negociação com a Odebrecht

O governo de Beto Richa (PSDB) é suspeito de atuar para favorecer a empreiteira Odebrecht. Áudios obtidos com exclusivid..

Redação - 11 de maio de 2018, 09:57

Foto: ANPr
Foto: ANPr

O governo de Beto Richa (PSDB) é suspeito de atuar para favorecer a empreiteira Odebrecht. Áudios obtidos com exclusividade pela revista ISTOÉ e publicados nesta quinta-feira (10) revelam, entre outros conteúdos, uma conversa entre o então chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo, e Pedro Rache, diretor-executivo da Contern.

No diálogo, Roldo tenta convencer o empresário a desistir da licitação para a duplicação da PR-323, porque ela já estaria prometida para a Odebrecht. O encontro entre eles teria acontecido em 2014, no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. Os áudios estão em poder do Ministério Público Federal (MPF), segundo a ISTOÉ. "A gente tem um compromisso nessa obra aí. Queria ver até onde a gente pode entrar para que esse compromisso não seja desrespeitado”, disse Roldo.

Para que o Grupo Bertin desistisse da licitação, Roldo ofereceu ajuda em outro negócio: a viabilização de uma parceria para projetos no Complexo de Aratu, no litoral da Bahia, onde o grupo tem seis usinas termoelétricas. Ele intermediaria a negociação com a Copel para fechar uma parceria com valor próximo de R$ 500 milhões.

Após as negociações,  o Grupo Bertin desistiu da obra. A Odebrecht concorreu sozinha e venceu a licitação em 2014. Em troca do contrato, com duração de 30 anos, a Odebrecht acertou o repasse R$ 4 milhões, via caixa 2, para a campanha de reeleição de Beto Richa em 2014.

A obra não saiu do papel. Mas, segundo delação de Benedcito Barbosa, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, os R$ 2,5 milhões seriam lançados futuramente como despesa no projeto de duplicação da PR-323.

Ouvidos por ISTOÉ, Deonilson Roldo e Beto Richa negaram irregularidades e rechaçaram qualquer acordo ou direcionamento para a Odebrecht. Roldo afirmou que o áudio foi editado. Pedro Rache não foi localizado por ISTOÉ. A Contern informou, em nota, que “em nenhum momento recebeu sinais de que o referido processo licitatório estaria direcionado para uma ou outra determinada construtora”.

Veja as transcrições dos áudios na matéria da ISTOÉ.

Investigação

Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) remeteu à primeira instância, ao juiz federal Sérgio Moro, investigação na qual Beto Richa é suspeito de receber R$ 2,5 milhões da Odebrecht, dos R$ 4 milhões acertados, para sua campanha à reeleição em 2014, por meio de caixa 2. O caso foi para no Paraná após Richa perder o foro privilegiado ao renunciar ao cargo de governador.