“Aquaman” com música de “Mulher Maravilha”

Pedro Ribeiro


PopCorn Music

 

Por Daniel Derevecki

Há alguns dias circula na internet um vídeo com o tema musical da nova aposta da DC, o filme solo do “Aquaman”, que vai estrear nesta semana. A obra foge ao conceito orquestral típico das grandes produções cinematográficas, mas nem por isso deixa de ser grandiosa. O autor é o inglês Rupert Gregson-Williams, de 52 anos, que recentemente atuou como compositor em outra produção da DC, o filme da “Mulher Maravilha”.

Para a super-heroína, Gregson-Williams compôs um tema musical impactante, com a melodia principal destacada por um solo de guitarra com distorção, apoiado sobre timbres de sintetizadores muito bem escolhidos. Agora, para o rei peixe, o compositor usa e abusa ainda mais dos ruídos e sons sintetizados. É um contraponto interessante aos temas musicais da principal concorrente da DC, a Marvel. Em filmes como “Vingadores”, “Homem de Ferro” e “Capitão América” existe uma predominância da orquestra, tendo os sintetizadores e os ruídos como plano de fundo. Essa lógica começou a ser invertida por Gregson-Williams em “Mulher Maravilha” e, ao que tudo indica, deve consolidar-se de vez em “Aquaman”. Nesta nova obra os ruídos predominam, trazendo tensão ao ouvinte e preparando os ouvidos para os momentos em que a melodia principal vai surgir.

A estratégia adotada pelo compositor não chega a ser exatamente uma novidade, é algo até corriqueiro no cinema, mas vale uma análise mais aprofundada porque envolve a manipulação eficiente de dois tipos de sons: “periódicos” e “aperiódicos”. Vou explicar de forma bastante breve porque a coisa é abrangente. Existem na natureza basicamente dois grupos sonoros, os que têm frequência definida (periódicos) e os que não têm (aperiódicos). Para exemplificar, vamos imaginar que é tocada ao piano uma nota equivalente à frequência de 440 hertz. Essa altura definida corresponde à nota Lá, portanto é um som “periódico”, que se repete em um ciclo e sua frequência pode ser aferida. Agora imagine um prato de bateria. O som do prato não tem uma frequência definida, por isso não há uma nota musical correspondente. Por que esse fenômeno ocorre? Porque o som do prato é a junção de várias frequências que formam um som “aperiódico”, ou ruído. Você consegue distinguir o som do prato como sendo mais agudo do que o do bumbo, por exemplo, mas nem por isso é possível estabelecer que nota foi tocada.

É exatamente desse tipo de conceito que Gregson-Williams tem lançado mão desde o tema da “Mulher Maravilha”, ficando mais evidente agora em “Aquaman”. A utilização que ele dá aos ruídos é muito bem construída, servindo como uma espécie de técnica estendida no processo composicional. A mistura entre os sons “aperiódicos” e o tema musical propriamente dito, acontece numa proporção em que os ruídos passam a ter maior relevância à obra como um todo, porém, amplamente conectados à ideia musical exposta no tema. É a tecnologia a serviço da música. Aliás, música e tecnologia sempre estiveram ligadas, mesmo quando a única tecnologia disponível era um pedaço de madeira para bater em um tronco. Inclusive, isso resultava em sons “aperiódicos”.

No mais, enquanto o filme não estreia, aproveite para estourar a pipoca, aumentar o volume e curtir o tema musical ruidoso de um “Aquaman” com música de “Mulher Maravilha”.

Daniel Derevecki é bacharel em Música Popular pela Universidade Estadual do Paraná.
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Twitter: @danielderevecki

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