Artistas e professores pedem restauração da Belas Artes

Pedro Ribeiro



A Escola de Música e Belas Artes do Paraná está em ruínas. Monumento histórico da cultura paranaense precisa ser recuperado. Documento com cinco mil assinaturas será entregue ao governador Ratinho Junior pedindo a restauração do prédio e a volta das aulas no local.

Por onde passaram gênios da música e das artes plásticas como Bento Mossurunga, João Turin, Theodoro de Bona, Lange de Morretes, David Carneiro, Guido Viaro e Juarez Machado, entre outros ícones da cultura paranaenses, hoje já não passa mais ninguém, pois do monumental e histórico prédio da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, só restaram poeira e escombros.

Há mais de 10 anos o edifício, onde surgiu, há 70 anos, a Escola de Música e Belas que depois se transformou em Faculdade de Música e Artes do Paraná, foi interditado pelos bombeiros e sucumbiu junto com parte da cultura dos paranaenses. Foi abandonado pelos governos que dão às costas para a memória e a história cultural dos agentes e daqueles que buscam na cultura o conhecimento e o saber.

A artista plástica Teca Sandrini é uma dessas agentes culturais que não se entrega e vem lutando para o resgate dessa memória jogada no limbo. Ela reuniu alguns ex-alunos e ex-diretores da Belas Artes e, em apenas quatro dias conseguiu reunir cinco mil assinaturas em documento que será entregue ao governador Ratinho Junior pedindo a restauração do prédio que fica no coração de Curitiba, na rua Emiliano Perneta, próximo à Praça Zacarias.

“O Governo do Estado, responsável pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná abandonou o histórico prédio, um ícone da nossa cultura para a tristeza de músicos e artistas plásticos que ali estudaram e hoje contribuem com a disseminação e divulgação da arte paranaense.” Lamenta Teca Sandrini.

Teca ressalta que a antiga sede da Escola de Música e Belas Artes do Paraná está em ruínas e precisa ser restaurada para que volte a fazer parte do nosso patrimônio cultural e histórico, abrindo novamente suas portas para a comunidade. Por ali passaram nomes da nossa cultura Erbo Stenzel, João Osório Brezinski, Leonor Botteri, Luiz Carlos de Andrade Lima, entre outros já citados, que sentaram como alunos e saíram como professores.

A artista plástica Luciana Cavalin, ex-aluna da Escola de Música e Belas Artes, lamenta o descaso das autoridades do governo, principalmente da área cultural, com o patrimônio histórico, mas acredita na sensibilidade do governador no sentido de atender ao pedido dos artistas para a restauração do prédio.

No documento “Por um Novo Tempo na Arte” que já possui cinco mil assinaturas, o signatários explicam que a EMBAP foi a primeira escola de artes paranaense de nível superior em Curitiba fundada em 17 de abril de 1948. Por suas salas de aula passaram muitos artistas, educadores e agentes culturais. É um marco fundamental da formação de importantes profissionais no campo das artes plásticas e música no Estado do Paraná através do Ensino Público Superior e Gratuito.

“Nós queremos a recuperação do prédio e a volta das aulas, pois no local sempre houve uma energia muito peculiar que fez com que todos os que frequentaram seus cursos nunca deixaram de lembrar com carinho tudo que por lá viveram e aprenderam”, destaca o texto o documento.

Curitiba já foi considerada a Cidade Universitária e a Cidade Ecológica e podemos sonhar também com a Cidade das Artes, pois são vários os espaços destinados às artes como o MON – Museu Oscar Niemeyer, conhecido como o Museu do Olho, a Ópera de Arame, espaço ímpar para apresentações artísticas, o Teatro Guaíra, instituição secular e tantos outros museus, teatros, ateliês, salas de exposições e apresentações, patrimônios históricos restaurados, preservados e inaugurados.

“Por acreditarmos que a arte forma um melhor indivíduo, um cidadão sensível ao mundo, e que o artista transforma o mundo com suas intervenções, nós, os ex-alunos, ex-professores e/ou simplesmente admiradores das artes, conscientes da sua importância e benefícios na transformação do indivíduo e por ele do seu entorno, contamos com a sua assinatura para que possamos enviar aos órgãos responsáveis um pedido da comunidade com o objetivo de sensibilizá-los para a restauração e revigoração do prédio localizado na Rua Emiliano Perneta, 179, centro de Curitiba”.

Este prédio histórico da EMBAP teve um papel importante na formação das pessoas, revelando artistas que hoje continuam ensinando e divulgando a arte, por isso merece mais atenção e cuidado.

Restaurar e revigorar o prédio vai transformá-lo numa casa de cultura aberta para a comunidade, com espaço para um memorial da escola, sala de exposição de trabalhos de artistas novos e renomados, um auditório para apresentações de música, uma livraria de artes e um café cultural. Além disso, oficinas de artes visuais e música, salas para práticas de extensão universitária, formação de público e lazer cultural, farão com que este espaço se integre ao centro histórico de Curitiba, amplificando o pulsar artístico tão importante para novas gerações do Paraná e assumindo um papel na mediação cultural para a transformação da realidade.

Assim, com as adaptações necessárias para seu novo objetivo e funcionamento, nossa cidade resgatará mais um espaço cultural para se orgulhar, a CASA DAS ARTES – EMBAP.
A renomada artista plástica paranaense Estela Sandrini, formada pela EMBAP em 1967, diretora do MON entre 2011 e 2017, é a representante dos artistas plásticos e professores que assinaram o documento que será entregue ao governado do Estado.
Os artistas não pedem dinheiro. Apenas reivindicam a preservação do patrimônio com a restauração do prédio, propondo um novo e digno tempo para a arte, o que é dever do Estado.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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