Balé Teatro Guaíra celebra 50 anos com Mostra de Repertório

AEN

O Balé Teatro Guaíra completa 50 anos em 2019 com uma programação especial e apresenta uma mostra de repertório com grandes sucessos da companhia, incluindo O Grande Circo Místico e O Segundo Sopro. O BTG é a terceira companhia mais antiga do país e uma referência em dança contemporânea. Em cinco décadas, marcou a vida de bailarinos e bailarinas que fizeram parte do corpo artístico e transformou a história da dança nacional.

Ana Botafogo, hoje o grande nome do balé no Brasil, fez sua estreia como primeira-bailarina no palco do Guairão com o BTG em 1977. Ela havia voltado de uma temporada na Europa e ainda não tinha se apresentado profissionalmente no país. “Para mim, era um sonho dançar Giselle. Foi muito emocionante esse balé ter sido meu primeiro papel como solista. Também foi com o BTG a primeira vez que me apresentei profissionalmente no Rio de Janeiro e isso projetou meu nome nacionalmente”, diz.

Para Wanderley Lopes, o balé foi um divisor de águas. Foi na dança que ele encontrou, literalmente, uma casa e uma família. Lopes passou a infância em instituições de acolhimento e chegou a morar nas ruas. Na Casa do Pequeno Jornaleiro em Curitiba, um abrigo para órfãos, era chamado pelo número “36” ao invés do nome. Foi pela televisão que viu pela primeira vez um bailarino, o russo Mikhail Baryshnikov, e se apaixonou pela dança. O garoto prodígio entrou no Balé Teatro Guaíra aos 17 anos, em 1981, pouco depois de a companhia começar a aceitar garotos. Em 1984, Lopes se casou com Eleonora Greca, primeira-bailarina do BTG, e juntos foram solistas de dezenas de espetáculos.

A bailarina Karin Chaves, que faz parte da atual composição da companhia, também teve sua vida marcada pelo Balé Teatro Guaíra. A primeira vez em que ela dançou no Guairão tinha três anos. Aos oito entrou na Escola de Dança Teatro Guaíra e no dia da inscrição teve certeza de que estava predestinada a ser bailarina.


Após passar em uma seleção da São Paulo Companhia de Dança com mais de mil concorrentes, Karin desistiu da carreira artística e estudou gestão financeira. “Depois de um ano, voltei a Curitiba e vi um espetáculo do BTG por acaso. Ali algo se acendeu novamente dentro de mim, meus olhos brilharam e eu soube que o meu lugar era o Guaíra”.

Nas comemorações dos 50 anos, Karin será a solista de três espetáculos: Beatriz, de O Circo Místico; a eleita, de A Sagração da Primavera, e Aurora em O Segundo Sopro. São três coreografias com estilos diferentes, do clássico ao jazz, o que exige muito do corpo. “Quando voltei ao BTG queria

ser tudo – de bailarina a atriz – e sentir toda a versatilidade do artista”.

Para Rodrigo Leopoldo, o balé é sinônimo de romper paradigmas. O jovem negro da periferia de São Paulo se tornou um dos bailarinos mais completos tecnicamente do BTG hoje.

Ele iniciou os primeiros passos na dança escondido, após sair da aula de capoeira. “Não queria que os colegas da escola soubessem porque havia o preconceito de que meninos não fazem balé”, diz.

Durante as aulas na Escola do Theatro Municipal de São Paulo, onde entrou após vencer 300 concorrentes, as meninas não queriam dançar com ele porque não imaginavam um bailarino negro. “Eu mesmo, quando fui escolhido para dançar O Lago dos Cisnes ano passado, demorei para acreditar que o príncipe seria negro. Para mim, hoje a dança é o universo simulado nos sentimentos”.

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