Billie Eilish inova em live cheia de ambientes e com discurso anti-Trump

Folhapress

billie eilish, live

Um espaço 3D e interativo recebeu os fãs que chegaram mais cedo para a live da cantora pop Billie Eilish, neste sábado (24) -uma das mais interessantes da quarentena e a primeira desde que a pandemia da Covid-19 interrompeu sua turnê Where Do We Go?, que passaria pelo Brasil em maio deste ano.

Com a ajuda do mouse, os visitantes passeavam por uma lojinha com discos e peças de roupa à disposição de quem quisesse desembolsar alguns dólares além dos US$30 (cerca de R$ 168), pagos para assistir ao show. Seguindo em frente, vídeos e desenhos de fãs apareciam expostos como numa galeria de arte e, em outro ambiente, clipes e músicas da carreira da americana podiam ser explorados.

Na quarta sala, dedicada às eleições dos Estados Unidos, um vídeo da cantora pedia para que os americanos votassem contra o atual presidente até o dia 3 de novembro. “Donald Trump está destruindo o nosso país e tudo o que importa para nós”, ela dizia, endossada por artistas como Lizzo e Alicia Keys.

Em certo momento, o pai de Billie apareceu explicando os recursos da live: usando os botões ao redor da tela, os fãs poderiam interagir no chat, criar salas privadas para assistirem a apresentação com amigos e alterar o idioma da experiência. Depois de algumas propagandas, um quiz sobre a vida de Billie e um teaser do documentário que ela lançará em 2021, o show começou.

Acompanhada apenas por seu irmão, Finneas, e pelo baterista Andrew Marshall, a cantora apareceu num palco banhado por uma luz vermelha enquanto a batida sinistra de “Bury a Friend” começava.

O primeiro vestígio da experiência “virtual, multi-dimensional, interativa e imersiva” anunciada dias antes não demorou a chegar: em certo momento, a luz passou a mudar freneticamente para preto e branco e a sombra de uma criatura se revelou atrás da cantora.

A partir daí, cada música teve sua interpretação mirabolante pensada pela artista de 18 anos para a live: em “You Should See me in a Crown”, uma aranha gigante passeava pelo palco avançando sobre os músicos. “Ilomilo” começou com Billie sentada tranquilamente em uma pedra no fundo do mar, cercada por peixes e algas, e terminou com ela sendo devorada por um enorme tubarão. No fim do show, em “Bad Guy”, um carro corria desgovernado pelo cenário.

Mas nem só de esquisitice vive Billie Eilish. A voz doce e clima mais intimista apareceram em “Ocean Eyes” -a primeira música lançada por ela, aos 14 anos-, com o cenário reduzido e ondas projetadas ao fundo. Em “I Love You”, ela e Finneas apareceram sentados na frente de uma lua gigante e cercados por estrelas. Para cantar a triste “When the Party’s Over”, bastou um banquinho e um holofote.

Para compensar a ausência do público, dezenas de fãs apareceram virtualmente para acompanhar Billie em “Everything I Wanted” e a cantora recebia aplausos da equipe por trás das câmeras nos intervalos das músicas. “A única vantagem de não estarmos em um show é vocês não estarem desmaiando na grade”, brincou.

Em “All the Good Girls Go to Hell”, imagens de fumaça saindo de chaminés de fábricas, lixo espalhado no mar, calotas polares derretendo, animais encalhados e florestas pegando fogo cercaram a cantora enquanto ela cantava frases como “colinas queimam na Califórnia” e “quando as águas começarem a subir e o céu sumir de vista”. No fim, a mensagem “sem música em um planeta morto” apareceu fixa na tela enquanto Billie convocou novamente os fãs: “Por favor, votem, o Trump é o pior de todos”, disse.

Quase no fim da uma hora de apresentação, a cantora falou sobre a saudade dos shows. “Na quarentena eu percebi que o palco é o único lugar onde sinto que eu sou eu mesma”, disse. “Se nós votarmos contra o homem laranja talvez possamos nos ver de novo.”

Mesmo sem conseguir substituir a energia de um show ao vivo, a apresentação de Billie Eilish foi um sopro de criatividade após meses de lives mornas e com pouca produção.

Em vez de um algo adaptado para o mundo digital, a cantora usou seus recursos para criar um formato novo e próprio, que ainda ficou no ar por 24 horas após o seu fim e tem potencial para existir no mundo pós-pandêmico para quem prefere assistir a shows no conforto de casa.

A julgar pelo desempenho no fim de semana, vale conferir de perto o que ela irá entregar quando finalmente puder pisar nos palcos de novo.

Previous ArticleNext Article