Com ingressos esgotados, adaptação de Dogville para o teatro estreia no Festival de Curitiba

Fernando Garcel


Adaptação da obra-prima do cineasta Lars von Trier, “Dogville” estreia no Festival de Teatro de Curitiba, após temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo. As apresentações acontecem nos dias 2 e 3 de abril, no Guairinha. Os ingressos estão esgotados.

Com direção de Zé Henrique de Paula, a montagem traz no elenco Mel Lisboa, Eric Lenate, Bianca Byington, Marcelo Villas Boas, Marcia Oliveira, Rodrigo Caetano, Gustavo Trestini, Fernanda Thurann, Lucas Romano, Ana Andreatta, Blota Filho, Munir Pedrosa, Rosana Penna , Dudu Ejchel e Fernanda Couto.

A trama se passa na fictícia cidade de Dogville, uma pequena e obscura cidade situada no topo de  uma cadeia montanhosa, ao fim de uma estrada sem saída, onde residem poucas famílias formadas por pessoas aparentemente bondosas e acolhedoras, embora vivam em precárias condições de vida.

A pacata rotina dos moradores é abalada pela chegada inesperada de Grace (Mel Lisboa), uma forasteira misteriosa que procura abrigo para se esconder de um bando de gangsters. Recebida por Tom Edison Jr. (Rodrigo Caetano), que, comovido pela sua situação, convence os outros moradores a acolhê-la na cidade, Grace, decide oferecer seus serviços para as famílias de Dogville, como retribuição. Porém, no decorrer da trama, um jogo perverso se instaura entre os moradores da cidade e a bela forasteira: quanto mais ela se doa e expõe a sua fragilidade e a sua bondade, mais os cidadãos de bem exigem e abusam dela, levando a situação a extremos inimagináveis.

A obra faz uma crítica contundente ao mundo contemporâneo e à sociedade de consumo por meio de uma radiografia precisa da alma humana. “São situações reais e muito próximas de nós, que colocam uma lente de aumento na alma do ser humano. É como se não acreditássemos que aquelas pessoas fossem capazes de explorar essa mulher de forma tão cruel. O filme discute questões atuais, como a xenofobia, a intolerância e põe em cheque a máxima do sistema capitalista na qual, para se obter lucros, é preciso explorar ao máximo o outro, por vezes de formas desumanas”, reflete o produtor e idealizador da peça Felipe Lima.

Desafios de adaptação

Para o diretor Zé Henrique de Paula, é desafiador transformar o filme de Lars von Trier em uma peça porque a obra já evoca essa estrutura teatral. “Acho que o filme é uma referência muito forte, é icônico e sinônimo de Lars von Trier e daquela linguagem mais teatral. Adotamos o caminho inverso: na peça flertamos com a linguagem cinematográfica, utilizando não somente projeções e videomapping, mas também projetando cenas filmadas ao vivo durante o espetáculo. Trabalhar isso com os atores envolve muita energia e desprendimento por parte de todo o elenco e equipe”, revela.

Além da linguagem cinematográfica, a montagem dialoga com estéticas de referência do teatro e do teatro físico, como de Tadeusz Kantor, Pina Bausch e Dimitris Papaioannou. “A ideia é explorar a secura do texto, a aridez da cidade e a precariedade dos personagens de forma a trazer isso também para o corpo dos atores e os elementos de encenação”, diz o diretor.

Prêmios

A peça está indicada ao Prêmio Shell na categoria Melhor Figurino; três categorias no Prêmio Cesgranrio de Teatro: Melhor Espetáculo, Melhor Atriz com Mel Lisboa e Melhor Figurino com João Pimenta; cinco categorias no Prêmio Botequim Cultural de Teatro: Melhor Espetáculo, Melhor Direção com Zé Henrique de Paula, Atriz em Papel Coadjuvante com Selma Egrei, Figurino com João Pimenta e Iluminação com Fran Barros.

Leia também:

Previous ArticleNext Article