Começa nesta quinta (23), a Mostra de Teatro Negro de Curitiba

Redação

Mostra de Teatro Negro de Curitiba

A 1ª Mostra de Teatro Negro de Curitiba começa nesta quinta-feira (23) com programação totalmente gratuita e online. Serão dez dias, até 2 de outubro, de apresentações de espetáculos teatrais e de dança, oficinas e ciclos de palestras. O evento vai reunir importantes artistas e pensadores da cultura afro-brasileira para destacar o protagonismo negro nas artes. E vai marcar a presença negra na cultura de Curitiba e do Paraná.

Serão 11 espetáculos, três oficinas, cinco palestras e cinco Giras (mesas de discussão inspiradas na tradição afro-brasileira). Esse conteúdo estará disponível na internet, no canal da Companhia Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo.

O painel “Protagonismo Negro” abre a programação quinta-feira (23), às 19h. Essa atividade será coordenada pelo ator, diretor e produtor Isidoro Diniz e pelo produtor Jewan Antunes, e terá a participação aberta a todos interessados.

Na sexta-feira, iniciam-se as apresentações de espetáculos e palestras (veja programação abaixo).

Inscrições prévias para dois eventos da Mostra de Teatro Negro de Curitiba

A organização da mostra informa que dois eventos requerem inscrição prévia. A “Oficina de Dramaturgia Negra”, com Jé Oliveira, que será ministrada entre 27 de setembro e 1º de outubro.

E a oficina de dança, “Oficina ENRAÍZE: Corpo e Memória entre An’Dancas”, com Leonardo Cruz.  Esta oficina acontece no dia 2 de outubro.

Nesta edição de estreia, a Mostra presta uma feminagem para a atriz curitibana Odelair Rodrigues, um dos maiores talentos do rádio, teatro e televisão do Paraná. Odelair foi uma das pioneiras da TV paranaense e conquistou 12 prêmios de melhor atriz, entre eles, o Troféu Gralha Azul 2000 – Menção Honrosa pelo seu pioneirismo e obra. Nascida em 14 de julho de 1935, ela faleceu em 1º de julho de 2003. O termo “feminagem” vem sendo difundido como uma adaptação feminina da palavra homenagem, adaptado para expressar respeito e admiração às mulheres.

Este projeto é realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Protagonismo negro: um tema presente

“Nossa proposta é dar visibilidade para contribuição cultural dos negros no Paraná, que ainda é pouco destacada, apesar de sua importância histórica”, conta o idealizador do projeto, Isidoro Diniz. “A proposta é ser um elo entre o passado, o presente e o futuro do protagonismo negro na cultura do estado. Quase não existem estudos sobre isso e a divulgação do tema ainda é tímida, mas vamos mostrar que muitos artistas afro-brasileiros contribuiriam, contribuem e continuaram contribuindo para nossa formação cultural”.

Segundo Diniz, o tema do protagonismo negro é uma pauta atual e que precisa ganhar mais destaque. “Apesar de toda uma história de lutas e grandes conquista, ainda não temos sequer o respeito merecido por tudo que fizemos pelo país. Sempre é importante lembrar que, se não fossem os negros, não existiria Brasil”, sintetiza o artista, que recentemente completou 40 anos de carreira.

 

Programação da primeira semana do evento:

 

Quinta-feira (23/9), às 19h, o evento inicia com o painel “Protagonismo Negro”. Coordenado por Isidoro Diniz e Jewan Antunes, será um espaço aberto para todos os participantes da Mostra.

 

Sexta-feira (24/9), às 19h, palestra com Salloma Salomão, dramaturgo e pesquisador da cultura afro-brasileira e teatro negro brasileiro. Tema: Teatro negro no Brasil.

 

Sexta-feira (24/9), às 20h30, será exibida a peça “Solo dos Mares e a Revolta dos Meninos Homens de uma Nação Suspensa”, dirigida por Katia Drumond e Isidoro Diniz. Essa nova produção marca a primeira parceria entre Isidoro Diniz e Salloma Salomão, que é dramaturgo, pesquisador da cultura afro-brasileira e teatro negro brasileiro. Os dois, junto com a professora doutora Ione Jovino, criaram a dramaturgia do espetáculo. A peça também marca a estreia do ator mineiro Pedro Ramires, que deu vida de maneira extraordinária ao personagem.

 

Sábado (25/9), às 15h, haverá a apresentação do espetáculo “Duula, A Mulher do Deserto”. Concebido pela Companhia Karagozwk, a peça continua o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo grupo por meio da busca de uma dramaturgia baseada na oralidade e na ancestralidade, adaptando obras literárias de contos africanos. Criado por Rogério Andrade Barbosa, o espetáculo conta a história de Duula, a mulher do deserto que tinha sido uma moça muito bonita quando jovem. Narra sua trajetória desde quando ainda morava na tenda dos pais, nos tempos que uma longa seca assolou a região em que viviam, matando os animais e as pessoas de sede.

 

Sábado (25/9), às 19h, acontece palestra com o ator, dramaturgo e diretor Jé Oliveira, que falará sobre Dramaturgia Negra. Esse encontro também será mediado pelo gestor cultural Cleber Borges.

 

Sábado (25/9), às 20h30, será apresentado o espetáculo “Billie”. Escrito e dirigido por Alexandre França e encenado pela atriz Cassia Damasceno. Ano passado, ela recebeu dois prêmios de melhor atriz em festivais brasileiros de cinema – Festival Cine PE e Festival Audiovisual Comunicurtas UEPB. O espetáculo tem como ponto de partida a vida e a arte da cantora Billie Holiday. Utilizando várias camadas de memória, como as biografias, o ambiente da época e a impressão que o público hoje tem deste ícone da música americana, “Billie” é um convite à reflexão acerca do caráter movediço que a essência artística e a fama possuem com o passar dos dias.

 

Domingo (26/9), às 15h, há a Oficina de Confecção de Bonecas Abayomi, com a atriz Geisa Costa. A oficina mostra as etapas de construção da boneca negra feita a partir de retalhos trançados, enrolados e amarrados. Natural de Londrina, Geisa Costa está desde 1993 em Curitiba, local que desenvolveu uma longa carreira nos palcos como atriz, produtora e contadora de histórias.

 

Domingo (26/9), às 19h, dando sequência ao Ciclo de Palestras, a professora Clemilda Santiago Neto, da Secretaria Estadual da Educação do Paraná, com mediação de Isidoro Diniz, discorrerá sobre o tema “Escravismo Colonial no Brasil: Um Novo Olhar”.

 

Domingo (26/9), às 20h30, é realizada a apresentação do espetáculo “Negro, Não Nego”, da Companhia Cena Hum. O espetáculo aborda com palavras, canto, dança e desenhos de corpo, questões como a resistência, humanidade e força dos negros na sociedade do passado e do presente.

Mais Informações.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="791475" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]