Companhia Os Satyros celebra 30 anos no Festival de Curitiba

Em sua 28ª edição, o Festival de Curitiba recebe a Cia. de Teatro Os Satyros com uma série de novos espetáculos reunidos..

Redação - 17 de março de 2019, 08:35

Espetáculo MISSISSIPI, realizado pela Cia Os Satyros em Janeiro 2019. Foto por Andre Stefano. www.andrestefano.com
Espetáculo MISSISSIPI, realizado pela Cia Os Satyros em Janeiro 2019. Foto por Andre Stefano. www.andrestefano.com

Em sua 28ª edição, o Festival de Curitiba recebe a Cia. de Teatro Os Satyros com uma série de novos espetáculos reunidos em um certame que celebra os 30 anos de história do grupo. Quatro peças serão apresentadas nos teatros Paiol e José Maria Santos, entre os dias 27 de março e 05 de abril.

A programação inclui as estreias nacionais “Mississipi”, “Todos os Sonhos do Mundo” e “O Rei de Sodoma”, trabalhos que juntos oferecem um panorama da linha de investigação do grupo, da sexualidade aos afetos políticos. Além dos títulos inéditos, a companhia ainda traz o espetáculo-manifesto “Cabaret TransPeripatético”, reconhecido por ser o primeiro trabalho do grupo com elenco inteiramente não cisgênero.

O espaço teatral Os Satyros está instalado desde o ano 2000 nos arredores da Praça Roosevelt, em São Paulo, sendo parte de um acelerado processo de transformação urbana na região, localidade reconhecida pela criminalidade a um efervescente ponto cultural. Em seus primeiros anos na Praça, o grupo desenvolveu várias ações de integração com a população do entorno, o que mais tarde resultou em vínculos artísticos, como a integração de algumas travestis e transexuais como atrizes em projetos específicos.

Esse fenômeno arquitetônico e social pelo qual a Praça Roosevelt passou nos últimos vinte anos é objeto de investigação do espetáculo “Mississipi”, que faz sua estreia logo no início do Festival, com apresentações nos dias 27 e 28 de março, no Teatro José Maria Santos.

A montagem lança mão de diferentes formas narrativas - romance policial, espetáculo de denúncia, teatro narrativo e teatro-karaokê - para retratar três momentos históricos distintos da Praça (1999, 2009 e 2019). Os 14 artistas do elenco vivem personagens em situações de rua, cujas vidas são atravessadas pela violência do tráfico, do abuso policial, entre outros desafios cotidianos.

Em “Cabaret TransPeripatético” o grupo coloca mais uma vez em perspectiva a realidade contemporânea de corpos dissidentes. A peça é a primeira em que todo o elenco se reconhece como não cisgênero - transsexuais, travestis, agêneros e não binários - e faz parte da Trilogia do Antipatriarcado, composta por “Pink Star” e a remontagem “Transex”.

A pesquisa foi desenvolvida durante quatro meses, a partir dos paradigmas da obra Manifesto Contrassexual, de Paul Preciado, e experiências biográficas do próprio elenco, que sobe ao palco do Teatro do Paiol nos dias 30 e 31 de março. A peça é um grito de liberdade e de representatividade, que fala de afeto, espaço social, opressão, transfobia, empoderamento, angústias e sonhos, contrapondo os estigmas que certas subjetividades carregam.

O ator e dramaturgo Ivam Cabral celebra junto à companhia da qual é fundador seus 30 anos de carreira, com o solo/recital “Todos os Sonhos do Mundo”. O artista interpreta relatos que intercalam sua trajetória e fragmentos poéticos, relacionando trechos do seu livro com poemas de Carlos Drummond de Andrade (“Não se Mate” e “Amar”). A peça compõe um retrato sincero da depressão e demais condições emocionais peculiares à sociedade contemporânea. As apresentações acontecem nos dias 01 e 02 de abril, no Teatro Paiol.

A última peça da série comemorativa a ser apresentada é “O Rei de Sodoma”, nos dias 04 e 05 de abril, no Teatro Paiol. A partir do texto do escritor, dramaturgo e cineasta espanhol Fernando Arrabal, os atores Tiago Leal e Patrícia Vilela protagonizam a trama sádica e surreal de uma rede de prostituição criada por uma mulher ambiciosa, cujo único objetivo é acumular dinheiro e poder. Com direção de Rodolfo García Vázquez e Dan Nakagawa, a montagem mobiliza a estética do teatro do absurdo para narrar a crueldade que entrecruza as vidas dos personagens.