Companhia Os Satyros celebra 30 anos no Festival de Curitiba

Redação

Em sua 28ª edição, o Festival de Curitiba recebe a Cia. de Teatro Os Satyros com uma série de novos espetáculos reunidos em um certame que celebra os 30 anos de história do grupo. Quatro peças serão apresentadas nos teatros Paiol e José Maria Santos, entre os dias 27 de março e 05 de abril.

A programação inclui as estreias nacionais “Mississipi”, “Todos os Sonhos do Mundo” e “O Rei de Sodoma”, trabalhos que juntos oferecem um panorama da linha de investigação do grupo, da sexualidade aos afetos políticos. Além dos títulos inéditos, a companhia ainda traz o espetáculo-manifesto “Cabaret TransPeripatético”, reconhecido por ser o primeiro trabalho do grupo com elenco inteiramente não cisgênero.

O espaço teatral Os Satyros está instalado desde o ano 2000 nos arredores da Praça Roosevelt, em São Paulo, sendo parte de um acelerado processo de transformação urbana na região, localidade reconhecida pela criminalidade a um efervescente ponto cultural. Em seus primeiros anos na Praça, o grupo desenvolveu várias ações de integração com a população do entorno, o que mais tarde resultou em vínculos artísticos, como a integração de algumas travestis e transexuais como atrizes em projetos específicos.

Esse fenômeno arquitetônico e social pelo qual a Praça Roosevelt passou nos últimos vinte anos é objeto de investigação do espetáculo “Mississipi”, que faz sua estreia logo no início do Festival, com apresentações nos dias 27 e 28 de março, no Teatro José Maria Santos.


A montagem lança mão de diferentes formas narrativas – romance policial, espetáculo de denúncia, teatro narrativo e teatro-karaokê – para retratar três momentos históricos distintos da Praça (1999, 2009 e 2019). Os 14 artistas do elenco vivem personagens em situações de rua, cujas vidas são atravessadas pela violência do tráfico, do abuso policial, entre outros desafios cotidianos.
Em “Cabaret TransPeripatético” o grupo coloca mais uma vez em perspectiva a realidade contemporânea de corpos dissidentes. A peça é a primeira em que todo o elenco se reconhece como não cisgênero – transsexuais, travestis, agêneros e não binários – e faz parte da Trilogia do Antipatriarcado, composta por “Pink Star” e a remontagem “Transex”.

A pesquisa foi desenvolvida durante quatro meses, a partir dos paradigmas da obra Manifesto Contrassexual, de Paul Preciado, e experiências biográficas do próprio elenco, que sobe ao palco do Teatro do Paiol nos dias 30 e 31 de março. A peça é um grito de liberdade e de representatividade, que fala de afeto, espaço social, opressão, transfobia, empoderamento, angústias e sonhos, contrapondo os estigmas que certas subjetividades carregam.

O ator e dramaturgo Ivam Cabral celebra junto à companhia da qual é fundador seus 30 anos de carreira, com o solo/recital “Todos os Sonhos do Mundo”. O artista interpreta relatos que intercalam sua trajetória e fragmentos poéticos, relacionando trechos do seu livro com poemas de Carlos Drummond de Andrade (“Não se Mate” e “Amar”). A peça compõe um retrato sincero da depressão e demais condições emocionais peculiares à sociedade contemporânea. As apresentações acontecem nos dias 01 e 02 de abril, no Teatro Paiol.

A última peça da série comemorativa a ser apresentada é “O Rei de Sodoma”, nos dias 04 e 05 de abril, no Teatro Paiol. A partir do texto do escritor, dramaturgo e cineasta espanhol Fernando Arrabal, os atores Tiago Leal e Patrícia Vilela protagonizam a trama sádica e surreal de uma rede de prostituição criada por uma mulher ambiciosa, cujo único objetivo é acumular dinheiro e poder. Com direção de Rodolfo García Vázquez e Dan Nakagawa, a montagem mobiliza a estética do teatro do absurdo para narrar a crueldade que entrecruza as vidas dos personagens.

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