Dante autografa livro 50 Anos da Rua das Flores nesta terça, no Café Babette

É nesta terça-feira, das 18h às 21h, no Café Babette (Aliança Francesa) noite de autógrafo do livro de Dante Mendonça sobre Rua das Flores

Redação - 30 de maio de 2022, 19:58

Imagens/Divulgação
Imagens/Divulgação

 

A Rua das Flores foi o primeiro calçadão do Brasil exclusivo para pedestres. Em 1972, há 50 anos. Sua história daria um romance.  

E deu. A Rua e a Bruma, a Régua e o Compasso. A Rua XV de Novembro, principal de Curitiba. A Bruma da ditadura militar no país. A Régua e o Compasso do prefeito-arquiteto de Curitiba e sua turma de jovens pares de profissão, engenheiros, arquitetos, visionários, ousados, criativos. 

A Rua e a Bruma, a Régua e o Compasso – Romance da Revolução Urbana de Curitiba é o novo livro de Dante Mendonça, que juntou história e ficção, personagens reais e imaginários, para compor a saga da transformação urbana de Curitiba, a partir justamente do fechamento ao tráfego de um trecho da principal rua da cidade. 

Catarinense de Nova Trento, radicado em Curitiba desde 1970, Dante Mendonça tem uma trajetória que vai de chargista a cronista, de aquarelista a escritor – ocupa a cadeira número 1 da Academia Paranaense de Letras.  

 Em clima de romance 

Engana-se quem esperar do livro um tratado histórico sobre a Rua das Flores, que no pedaço de calçadão retomou o antigo nome da Rua XV de Novembro e foi palco de pintura de crianças, torre de informações, mesas e cadeiras na calçada, enfim, um cenário para o encontro e a prosa entre as pessoas, ao nível do homem a pé. 

O livro recua no tempo e desvenda a Curitiba que era, bem antes da que passou a ser na década de 1970, a partir de duas personagens centrais, Zenaide e Gérard Lauzier. Ela, de nome inspirado numa página desenhada pelo cartunista francês Gérard Lauzier para a revista Realidade, e o próprio, que vem a Curitiba abrir sua exposição na Galeria Cocaco, no mesmo dia do nascimento da Rua das Flores.  

No livro de Dante Mendonça, com posfácio de Paulo Vitola, a contextualização da revolução urbana de Curitiba começa em 1949, com a vinda do maestro Xavier Cugat à cidade, para um show na Sociedade Thalia. 

Partindo da constatação de Jaime Lerner, “Curitiba é conhecida como túmulo das orquestras espanholas, porque os músicos acabavam se apaixonando por alguma polaca e aqui encerravam suas carreiras”, desfilam pelas páginas do livro as grandes orquestras, as noitadas bancadas pelo ouro verde da cafeicultura, os amores e desamores, o entrecruzar de influências desenhando a alma de uma cidade. Vão da sisudez dos colégios católicos de influência francesa, por exemplo, ao ineditismo de uma galeria de arte como a Cocaco. Do Île de France à Velha Adega, do solo de trombone para um búfalo no Passeio Público à inauguração do Teatro do Paiol por Vinícius de Moraes.  

A Rua das Flores é como o primeiro ponto da sutura da cidade diante da bruma. É um divisor de águas entre a Curitiba taciturna, encolhida, e a cidade referência no mundo. Mas é, principalmente, o despertar do curitibano para o seu cenário de vida. A partir daquelas pedras colocadas no chão, ele passou a discutir sua cidade. Para o bem ou para o mal, mas nunca mais com indiferença.