Democracia em Vertigem perde para “Casal Obama” e Brasil segue sem Oscar

Jorge de Sousa

Democracia em Vertigem - American Factory - documentário - Oscar 2020

A produção “Democracia em Vertigem” foi derrotada na categoria “Melhor Documentário” no Oscar 2020. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas decidiu em favor de “American Factory”, documentário que tem como produtora a Higher Ground, empresa do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama e de sua esposa Michelle Obama.

American Factory é um documentário que critica a produção chinesa e como ela impacta na indústria em todo mundo, colocando grandes dúvidas sobre o futuro da globalização e do mercado globalizado em todo mundo.

A derrota de Democracia em Vertigem marca a continuidade do jejum do cinema nacional na maior premiação do cinema mundial. A primeira indicação nacional no Oscar foi em 1945, quando o compositor Ary Barroso concorreu com a música “Rio de Janeiro” para o filme “Brazil”.

Democracia em Vertigem conta os bastidores do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, apontando que a instabilidade política gerou uma onda de intolerância no país, culminando inclusive na eleição de Jair Bolsonaro como presidente da República.

Com forte apelo ideológico e partidário,  Democracia em Vertigem ganhou muita repercussão no Brasil e no mundo. Inclusive, a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) mencionando que a produção era “anti-Brasil” e que espalhava notícias falsas sobre o país.

Em sua entrada no tapete vermelho do Teatro Dolby, em Los Angeles, a cineasta Petra Costa valorizou sua produção e afirmou que as mudanças no país dependem da conscientização da população.

“A cura do Brasil depende do voto de cada um. Não aguento mais gente falando que política é tudo igual. A gente tem que barrar esse avanço. O filme é carta de amor ao Brasil e ao país que eu sonhava ter. E foi muito triste ver o fascismo que estava brotando nas ruas enquanto fazia o filme. Esse ódio não faz parte da alma brasileira e eu espero que a gente consiga se curar disso”, pontuou a diretora.

Um fato importante dentro dos finalistas da categoria foi que dos cinco documentários indicados, quatro tiveram direção feminina.

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