‘Destruição Final’ tem cenas eletrizantes, de fazer grudar na poltrona

Folhapress


Filmes-catástrofe formam um filão forte no cinema desde os anos 1970, quando “Terremoto” e “Inferno na Torre” estouraram as bilheterias. Depois de um bom tempo sem nenhum exemplar notável, com filmes até bem ruins como “2012”, surge no meio da pandemia um dos melhores a seguir essa fórmula.

O título no Brasil é um tanto longo e infeliz, “Destruição Final: O Último Refúgio”. O título original é “Greenland”, ou Groenlândia, em inglês. Pondo a Terra em perigo real e imediato com a aproximação de um cometa gigante, o roteiro é inteligente e esperto o suficiente para criar entretenimento de primeira.

Nos últimos tempos, esse tipo de filme tem exibido elenco encabeçado por fortões do cinema de ação, como Dwayne “The Rock” Johnson ou Arnold Schwarzenegger. Desta vez, o papel principal está com Gerard Butler. Mesmo tendo conquistado fama empunhando espada em “300”, ele tem menos músculos e mais talento dramático.

Há uma química muito forte entre Butler e Morena Baccarin, atriz nascida no Brasil e radicada em Hollywood, conhecida de “Deadpool” e da série “Homeland”. Além de ser muito bonita, ela convence bastante em situações de angústia e medo. E cenas angustiantes não faltam em “Destruição Final”.

Baccarin e Butler interpretam o casal Allison e John Garrity, que vivem o início de um processo de separação. O complicador é o filho de sete anos, Nathan. Enquanto os pais brigam, o garoto está entusiasmado com o cometa Clarke, o grande assunto comentado em todo o mundo. É um cometa que deve passar mais próximo da Terra do que qualquer outro na história da humanidade.

Mas os cálculos dos astrônomos se revelam completamente equivocados, Clarke, que na verdade é uma gigantesca nuvem de meteoros de vários tamanhos, vai cair direto no planeta. O governo americano então convoca vários profissionais e suas famílias para irem até bases militares. Então vão ser levados de aviões até abrigos nucleares em destino ignorado.

A seleção contempla pessoas essenciais para uma possível reconstrução das cidades que possam ser atingidas. John, que é um engenheiro civil de grande sucesso, construindo arranha-céus em Atlanta, é um dos convocados. Deve pegar sua mulher e seu filho, e mais ninguém, e se dirigir a uma base militar a alguns quilômetros de casa.

A tensão já começa aí, quando os vizinhos se revoltam ao perceberem que não foram convocados para essa operação de sobrevivência. Depois de algumas atribulações, a família chega à base militar, e tudo começa a dar muito errado.

Numa tremenda confusão, John acaba se separando de Allison e Nathan. Precisa encontrar novamente sua mulher e seu filho, e as coisas se complicam quando o garoto é sequestrado, com sua mãe deixada no meio de uma estrada.

Enquanto isso, as grandes pedras espaciais começam a cair e a destruir a Terra. As ondas de impacto são sentidas a milhares de quilômetros de distância, arrasando cidades inteiras em cenas de grande plasticidade.

As peripécias de John, Allison e Nathan são entrelaçadas com muita criatividade e emoção. Algumas cenas são de grudar o espectador na poltrona de cinema.

Talvez o melhor de “Destruição Final” seja a ausência de qualquer comportamento arriscado e pouco plausível de seus personagens. Em nenhum momento John assume uma figura meio James Bond ou Indiana Jones, executando feitos inacreditáveis.

A família é formada por pessoas comuns tentando fugir do fim do mundo, sem nenhum ato de heroísmo -só uma fuga desesperada, que é bem sustentada nas cenas de ação até o desfecho.

O diretor Ric Roman Waugh, ex-dublê que já tinha dirigido Butler em “Invasão ao Serviço Secreto”, mostra a boa mão para filmes de ação.

Mas o grande mérito é mesmo do roteirista Chris Sparling, que escreveu em 2012 o ótimo “Enterrado Vivo”, com Ryan Reynolds. Ele conseguiu inserir uma dose enorme de criatividade num gênero que parecia esgotado.

DESTRUIÇÃO FINAL: O ÚLTIMO REFÚGIO
Produção EUA, 2020
Direção Ric Roman Waugh
Elenco Gerard Butler, Morena Baccarin, David Denman
Quando Pré-estreias pagas nos cinemas a partir de quinta (12)
Avaliação Ótimo

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