‘Dexter: New Blood’ traz Michael C. Hall de volta ao mundo do crime

Vitor Moreno - Folhapress


Protagonizada por um assassino psicopata que tem como vítimas preferenciais outros criminosos, a série “Dexter” (2006-2013) talvez tenha sido uma das que mais levaram ao extremo o gosto contemporâneo pelos anti-heróis. Fez sucesso com o público e com a crítica, mas teve um porém: o final não agradou.

Depois de cometer diversos crimes ao longo de oito temporadas, todo mundo esperava um final apoteótico, que não ocorreu. Em vez de uma fuga alucinante, de uma morte requintada ou mesmo de sua prisão, a série mostrou o personagem se autoexilando. Ele decide começar uma nova vida e tudo fica por aí.

O ator Michael C. Hall, 50, confessa que nem mesmo ele ficou plenamente satisfeito com a forma como a história havia sido concluída, mas comemora que isso abriu espaço para que agora volte ao personagem em “Dexter: New Blood”. A minissérie tem estreia programada no Brasil para esta segunda-feira (8) no serviço de streaming Paramount+.

“Acho que o desejo de trazê-lo de volta agora tem a ver com o universo ficcional dele”, diz o intérprete durante bate-papo com a imprensa. “Passou-se tempo suficiente para acreditarmos que ele conseguiu encontrar outro caminho na vida e assumiu uma falsa identidade.”

Outro fator que também envolve os quase dez anos de hiato entre o fim da produção original e os novos episódios é o filho de Dexter, Harrison, agora vivido pelo jovem Jack Alcott. Originalmente, o menino era enviado para a Argentina para ser criado longe da influência obscura do pai.

“O filho dele não é mais uma criança, mas um jovem adulto”, comenta Hall. “A reaparição dele é algo com o qual Dexter terá que lidar de modo muito diferente do que se ele tivesse 11 anos. São essas pequenas coisas que nos apontaram que este era o momento de trazê-lo de volta.”

As mudanças pelas quais o mundo passou nos últimos anos não foram uma preocupação. “Talvez estejamos em um mundo em que certos poderes facilitem uma narrativa beligerante de modo mais intenso e impessoal do que antes”, avalia. “Mas as manifestações de obscuridade humana e a nossa obrigação de lidar com nossas sombras, individual e coletivamente, precedem o momento atual.”

Por isso, ele diz que tentou focar apenas em contar a história e não na forma como as pessoas reagiriam a ela. Inclusive, ele revela que já havia recusado outros convites anteriores para voltar a interpretar o personagem.

Desta vez, contou o fato de Clyde Phillips, produtor executivo das temporadas 1 a 4, estar envolvido no projeto. “Ele era a única pessoa que poderia contextualizar Dexter nesse novo ambiente, mantendo o DNA fundamental da série, o tecido conjuntivo que todos conheciam”, explica.

Também contribuiu a história que foi apresentada a Hall. “Acho que o que funciona para que uma série ou filme seja revisitado é ter algo novo e fundamental acontecendo no universo dos personagens, algo que faça sentido”, afirma. “Tem que ser uma história que valha a pena ser contada, e não apenas uma peça de nostalgia com apenas os antigos sucessos sendo tocados.”

“Com certeza eu não queria voltar no tempo, fazer como se nada tivesse acontecido nesse período”, conta. “O tempo passou para ele, assim como passou para todos nós. Acho que o retorno do filho dele é uma trama excitante, que é única e que precisava desse tempo para acontecer.”

Pelo papel na série original, o ator recebeu o Globo de Ouro e diversas indicações ao Emmy. Ele confessa que, apesar dos bons papéis no teatro, não conseguiu outros personagens tão marcantes quanto gostaria na TV depois –antes, ele já havia vivido o atormentado David de “Six Feet Under”, que também lhe rendeu elogios e prêmios.

“Não posso fingir que Dexter é um personagem com o qual não sou sempre associado”, comenta. “Para muitas pessoas, ele é o começo e o fim do entendimento que as pessoas têm de mim como ator. Esse é um risco da profissão sempre que você faz um papel que gera muita exposição.”

Mesmo assim, Hall classifica como “selvagem” a experiência de voltar a interpretar o serial killer. “Nosso cronograma foi apertado, não tínhamos muito tempo para pensar, mas descobri que ele ainda estava aqui em algum lugar, não era um completo estranho para mim”, diz.

Os conflitos do personagem ainda estão lá. “Ele não participa de encontros dos Assassinos Anônimos, não tem uma comunidade de pessoas para se comparar, mas ele tem clareza de que tem um vício e que isso trouxe consequências reais para as vítimas e para pessoas próximas a ele”, afirma.

Uma dessas pessoas é Deb, a irmã de Dexter vivida por Jennifer Carpenter. Morta nos episódios originais, ela está de volta como uma espécie de consciência do personagem, que aparece quando ele está fazendo alguma coisa que julga errada.

Hall comenta que, certamente, ao longo dos anos que passou com sua nova identidade, Dexter teve vontade de voltar a usar seus conhecimentos (ele era um técnico forense) para matar. “Mas ficar bem com a Deb é uma das recompensas pela abstinência que ele internalizou vivendo nessa estranha relação doméstica”, comenta.

“Certamente ele foi posto à prova [durante esse período]”, imagina Hall. “Acho que ele deve ter chegado perto de voltar a matar, mas conseguiu se manter firme até aqui.”

O que muda então para que seus instintos assassinos voltem a se manifestar agora, fazendo o gosto dos fãs da série? “Tem um personagem que atrapalha Dexter em sua tentativa de se aproximar mais e mais de seu desejo de tocar a pureza, algo que na série se manifesta na figura de um cervo”, adianta.

“Mas acho que a coisa realmente significativa que acontece antes de ele voltar a matar é o filho surgir na frente dele”, analisa Hall. “Quando o Harrison reaparece, é como se uma represa se abrisse no Dexter, com coisas que vão escapando do controle dele, mesmo ele tentando conter.”

“DEXTER: NEW BLOOD”
Quando: Estreia 8/11
Onde: No Paramount+
Elenco: Michael C. Hall, Jennifer Carpenter, Jack Alcott, Julia Jones, Alano Miller, Johnny Sequoyah e Clancy Brown

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