Em “Pi – Panorâmica Insana” Bia Lessa e elenco fazem “teatro de risco”

Redação

“Pi – Panorâmica Insana” traz a diretora Bia Lessa de volta ao Festival de Curitiba em 2019. Com o prêmio de melhor do ano passado pela Associação Paulista de Crítico de Arte (APCA) no currículo, o espetáculo terá apresentações nos dias 30 e 31. No elenco estão nomes conhecidos do teatro e da televisão brasileira, entre os quais Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo

Baseado em pessoas e dados reais, “PI” traça um painel irônico do mundo atual. A peça coloca uma lente de aumento sobre a sociedade contemporânea e discute temas como indivíduo, civilização, sexualidade, política, violência, nação, miséria, riqueza, gênero e desejo. A dramaturgia do espetáculo foi concebida a partir dos ensaios e o resultado é uma escritura cênica e não um texto convencional, que transita entre artes plásticas, teatro e dança.

Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo vivem cerca de 150 personagens de diferentes nacionalidades. Os textos de Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant´ana, com citações de Franz Kafka e Paulo Auster, abordam temas cotidianos em tom visceral e apocalíptico. “Tudo o que é humano interessa, tudo que é próprio de cada um dos atores tem valor enquanto observação da vida, tal qual ela se apresenta agora”, afirma Bia Lessa. São projetados em tempo real números de assassinatos, estupros, nascimentos, narrações que apontam para uma saturação do sistema atual.

Concepção


O texto foi construído durante os ensaios, quando os atores criaram uma série de improvisações e algumas foram incorporadas à dramaturgia final do espetáculo, que tem estrutura híbrida, através do diálogo com a dança, artes plásticas e performance. “A gente se colocou em experimentação, tudo foi criado a partir do encontro entre os atores e os textos. É um teatro de inconformidade, de risco, que busca criar uma experiência”, explica a diretora.

O projeto foi idealizado por Cláudia Abreu e Luiz Henrique Nogueira. Inicialmente teria como foco os “excluídos sociais”, mas a chegada de Bia Lessa ampliou a temática, na busca de traçar um painel ilimitado de temas que afetam as condições de vida da humanidade. O próprio título do espetáculo traduz a ideia: ‘Pi’ é uma abreviação para ‘Panorâmica Insana’, mas remete também ao símbolo matemático “pi” (π), reforçando a ideia de fração infinita. “Queríamos olhar para os excluídos e agora falamos sobre um sistema de vida que justamente cria essas exclusões”, afirma Nogueira. “A peça é um grande painel da humanidade, com suas mais urgentes, profundas e superficiais questões”, completa Cláudia.

Bia segue com sua pesquisa cênica desde “Grande Sertão: Veredas”, apresentado no Festival de Curitiba 2018. A trilha sonora é criada em várias camadas onde música, ruídos, ambientes e a voz dos atores (manipuladas tecnologicamente) dialogam entre si. “O uso de microfones permite a criação de ecos e metalização, o que dá a ideia de fúria, de discurso oco e vazio”, explica Bia.

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