Exibicionista nas redes, filho de Alberto Fernández evita imprensa e eventos oficiais

Desde que seu pai foi eleito presidente da Argentina, em 2019, Dyzhy não dá entrevistas a grandes meios de comunicação, ..

Sylvia Colombo - Folhapress - 07 de agosto de 2021, 14:27

Reprodução Instagram
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Desde que seu pai foi eleito presidente da Argentina, em 2019, Dyzhy não dá entrevistas a grandes meios de comunicação, evita opinar sobre política, e sua última aparição oficial foi na posse de Alberto Fernández, em 10 de dezembro daquele ano.

Mas já foi aos tribunais duas vezes para se defender do que considerou "calúnias" e "ataques de homofobia".

Aos 26 anos, o publicitário de uma agência de seguros de Buenos Aires, que pediu para ser chamado pelo apelido, é mais conhecido por seu trabalho como DJ e cosplayer. Com mais de 430 mil seguidores no Instagram, publica ensaios fotográficos interpretando personagens de quadrinhos e atrizes.

As produções recebem comentários como "Você é uma diva" ou "Gosto da sua atitude, para derrotar o ódio dos mesmos de sempre". Mas também são alvo de críticas, ataques e até ameaças de morte –aos quais responde em vídeos em que aparece sem maquiagem e nos quais às vezes perde a paciência e xinga os acusadores.

Um dos casos mais recentes ocorreu em julho, quando a Justiça condenou um homem que o ameaçou de morte durante mais de um ano. As ameaças, que também tinham como alvo um amigo de Dyzhy, chegavam pelas redes sociais e por email. O homem foi condenado a pagar uma multa de 2 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 108 mil).

Outro episódio aconteceu em julho no ano passado, quando Dyzhy e a primeira-dama do país, Fabíola Yáñez, ganharam um processo por difamação contra a Agência Nova, um portal de notícias sensacionalista –o editor, Mario Casalongue, foi condenado a cumprir 50 horas de tarefas comunitárias.

Dyzhy voltou à cena pública depois de seu pai anunciar uma lei que permite a mudança de DNI (o RG argentino) com opção para as pessoas não binárias. Com a nova norma, é possível ter no documento um "x", em vez das opções de gênero masculino ou feminino.

A Argentina é o primeiro país da América Latina a oferecer essa opção nos documentos oficiais, como já acontece no Canadá, na Austrália, na Alemanha, na Índia e em alguns estados americanos.

"Ao Estado não deveria importar qual é o sexo de seus cidadãos. Há outras identidades além de homem e mulher que devem ser respeitadas", disse o mandatário argentino na cerimônia que celebrou a entrada em vigor da regra.

Logo depois, Dyzhy, que não respondeu aos pedidos de entrevista da Folha, foi às redes sociais. "Eu penso em mudar de nome, nunca gostei de Estanislao. Meus amigos e familiares me chamam de Dyzhy ou de Tani. Não me enquadro no que a sociedade classifica como homem", disse.

Afirmando-se bissexual e vivendo com a namorada, o filho do presidente reclamou da cobertura da imprensa após a declaração. "Disseram mil estupidezes, que eu não tinha identidade sexual clara, que eu estava transitando para mudar de sexo. Tudo mentira. Minha identidade é muito clara para mim. E eu fico pensando: se fazem sensacionalismo e mentem sobre uma questão pequena, que não importa a ninguém, que é a minha vida particular, eu imagino o quanto mentem sobre as notícias que são realmente importantes", disse em outro vídeo.

Dyzhy também costuma entrar em polêmicas virtuais envolvendo memes com sua imagem. Um deles tem uma foto em que aparece usando lingerie feminina, acompanhado da frase: "A única coisa que Alberto ", preferindo ficar no apartamento que aluga em Palermo. E afirma que a única coisa que o irrita da atual vida é que não pode dispensar o guarda-costas designado aos familiares do presidente.