Masala, a escola de culinária de Curitiba que se transforma em terapia

Pedro Ribeiro


 

Em cada cantinho do quintal da casa, onde existir um pedacinho de terra, brotam ingredientes para temperos. Coentro, cebolinha, alfavaca, sálvia, variedades de pimentas e alecrins, orégano e manjericão. Tudo, cuidadosamente selecionados e para cada sabor, vão para a panela e forno, com resultados surpreendentes. Desde uma barriga de porco, da simples comida mineira, a um sofisticado bife francês, passando pela comida japonesa, indiana, peruana e mexicana.

Andréa Lino, engenheira civil e empresária do ramo de hotelaria, tem o DNA da cozinha no sangue. A mãe, Iracema e a avó Izolina, mineiras, sempre foram cozinheiras de mão cheia. Desde aos 7 anos de idade começou a dar os primeiros passos no que chama, hoje, de fantástico mundo da gastronomia. É claro que essa palavra “gastronomia” não existia no vocabulário da então menina, babá, que aprendeu a cozinhar ainda criança e tomou gosto pelo que é, hoje, sua principal profissão: cozinheira, professora especializada em cozinha nacional e internacional.

Sempre gostei de cozinhar, mas não tinha técnica. Foi então quando, há seis anos, resolvi fazer um curso de gastronomia, no Espaço Gourmet, em Curitiba e nunca mais parei. Após o curso, trabalhei de ajudante na cozinha do Restaurante Santo Antonio, onde fazia de tudo. A partir daí, foi um curso atrás do outro em busca do meu sonho: ser professora de gastronomia. Consegui”, relata. “Quando se ensina, mais se aprende”, teoriza.

Em 2018 Andrea realizou seu sonho. Abriu a Escola de Gastronomia Masala (mistura de tempero na língua indiana), localizada em sua própria residência, no bairro do Portão, em Curitiba. Antes, porém, passou por um curso de especialização em culinária nacional e internacional na Faculdade Positivo e outro sobre doces, em São Paulo, com um chef francês.

Gosto de ensinar a fazer o que gosto de comer e experimento todo tipo de comida. Comecei com a comida mineira, muito frequente em minha família, e acabei gostando mais da comida francesa”, relata Andrea. A comida francesa, explica a professora, não é um bicho de sete cabeças, como pregam, pois ela tem como base a comida caseira, onde se aproveita de tudo, começando pelos temperos do quintal. Os franceses, em épocas difíceis, principalmente no pós-guerra, aproveitavam de tudo por necessidade.

Culinária da necessidade

Para ilustrar, explica que, por exemplo, um “boeuf bourguignon” se faz a partir de uma carne dura, porém, marinada em tempero de um dia para o outro, fica macia e saborosa. “A culinária que nasce da necessidade é a melhor de todas. Os alemães comem a carne suína dos pés à cabeça. Aproveitam tudo. No Nordeste, o charque sempre foi uma carne dura, muitas vezes de segunda, que era salgada e colocada na sela do cavalo para ir amaciando”, pontua Andrea Lino.

O segredo, diz a professora, é cozinhar com amor, descontração e usar coisas simples, que estão no nosso quintal, como tempero. “Gosto de estudar, para ter conhecimento. “Busco curso online ou presencial e tenho facilidade em aprender. Meu forte é a cozinha quente, mas estou estudando também doces e pão egípcio, o qual aprendi a técnica em uma das minhas viagens para o exterior. Também gosto de parar na rua e conversar com as tiazinhas, principalmente aquelas cozinheiras de gastronomia de feira. Ali aprendo muito”.

Andréa revela que gosta de fazer pães, risoto e paçoca (farofa doce e salgada) no pilão. Está aprendendo também a comida vegana e confessa que tem dificuldade com os pratos indianos, devidos a temperos fortes, como pimentas especiais.

Escola Masala

Na Escola de Gastronomia Masala, localizada na rua Ponta Grossa, no bairro do Água Verde, a professora de culinária não apenas leciona, como aprende e se diverte, confessa. “No meu espaço, com capacidade para 14 pessoas por grupo, nós cozinhamos nos divertindo. São aulas com qualidade, onde as pessoas se sintam em casa (sem aquelas broncas de chefs estressados como vemos na TV) e cozinham com prazer. Nossa cozinha é nossa terapia”, observa.

Nas aulas, “ministramos cursos das culinárias francesa, japonesa, alemã, italiana, portuguesa, espanhola e de outros países, além de pães e doces”. Andréa, como empresária, fez muitas viagens pelo mundo. No Japão, teve aulas de sushi e em todos os países que visitou, sempre procurou conhecer os mercados da culinária local para ampliar seus conhecimentos.

A Escola Masala conta com estrutura moderna de fornos, fogões e até o tradicional fogão a lenha, que confessa ser seu xodó. “Temos estrutura para cozinha internacional”, diz. Durante as aulas, o aluno que desejar colocar a mão na massa, fica a vontade, ou seja, vai para o fogão. O espaço é alugado também para outros professores (ou chefs) que levam seu grupo de aprendizes.

Serviço

Masala Escola de Culinária

Rua Ponta Grossa, 341 – Portão

Aulas de terça a sábado

Máximo 14 pessoas por grupo

Telefone – (41) 99191-7813

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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