Sganzerla e Antoneli lançam livros em Curitiba

Pedro Ribeiro


 

Nesta quinta-feira, 24, na livraria Arte & Letra, em Curitiba, serão lançados os livros “Voz do Paraná – Uma História de Resistência” (Editora Esplendor, 144 páginas), de autoria do jornalista Diego Antonelli, e o romance histórico “Caminhos que levam para o Norte” (Editora Esplendor, 528 páginas), do também jornalista Eduardo Sganzerla. Tendo em comum o cenário do período do regime militar, o primeiro reconstitui a história do jornal “Voz do Paraná”, idealizado no âmbito da igreja católica e que se transformou num dos símbolos paranaenses de resistência à ditadura, nos anos 1970; e o romance conta a saga da família de Romano Albuquerque, empreendedor visionário e sem escrúpulos, que faz fortuna explorando o pinheiro e as madeiras da Amazônia. Ambos os livros foram produzidos por meio do Profice (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná), do governo do estado, com apoio da Copel. A edição de “Voz” é inédita e a edição de “Caminhos” é comemorativa dos vinte anos do romance.

“Editores recebiam ‘bilhetinhos’ da censura”

O semanário “Voz do Paraná” era feito com profissionalismo e reportagens investigativas e mostrou ousadia frente aos limites da censura imposta pela ditadura, explica o autor Diego Antonelli. No período mais duro, ele foi comandado pelo médico Roaldo Koehler (diretor-geral) e o jornalista Aroldo Murá G. Haygert (diretor de redação). “Foi um jornal que marcou época no Paraná. Era distribuído em todo o estado e conseguia driblar a censura, ameaças e outros limites da época”, conta o autor.

Idealizado em 1956, pelo então arcebispo de Curitiba, dom Manuel da Silveira D’Elboux, a “Voz do Paraná” foi o jornal oficial da Igreja Católica até o início dos anos 1970, quando o médico radiologista e ex-secretário estadual de Saúde, Roaldo Koehler, tomou as rédeas do veículo. A partir de então, o jornalista Aroldo Murá passou a ser o diretor de redação e o jornalista Celso Nascimento assumiu a chefia de redação. Outros nomes que ganharam destaque na imprensa paranaense e nacional também passaram pelo jornal, como Maí Nascimento, Toninho Vaz, Luiz Manfredini e Teresa Urban.

“Assuntos políticos, econômicos e sociais passaram a ser temas constantes de reportagens produzidas pela equipe profissional. Como os próprios entrevistados apontam, a ‘Voz do Paraná’ foi um oásis em tempos de censura militar. Nomes de opositores ao regime, como dom Paulo Evaristo Arns e dom Hélder Câmara, eram ouvidos com frequência pela equipe”, afirma Antonelli. O semanário ainda fez diversas reportagens sobre denúncias de escândalos de corrupção, envolvendo políticos paranaenses importantes da época, com grande repercussão.

“Os editores recebiam ‘bilhetinhos’ da censura, mas conseguiam ousar frente às dificuldades da época”, salienta o autor do livro.

“‘Caminhos’, uma reconstituição dramática do Brasil moderno”

Ambientado no Sul do Brasil dos anos 1960 e 1970, “Caminhos que Levam para Norte”, que tem como pano de fundo a Guerra do Contestado (1912-1916), ocorrida num vasto território do Paraná e Santa Catarina, na qual morreram mais de seis mil pessoas, retrata também os dramas nossos dias atuais. Narrado em ciclos, o romance se expande e faz uma ciranda de seus personagens. No giro do tempo, sucedem-se ambientes contrastantes, que vão dos sertões sulistas à metrópole do Rio de Janeiro; da Londres multicultural a uma aldeia de pescadores perdida num litoral inexplorado. Prosseguem na vastidão dos Andes peruanos e chegam até ao porão da memória onde a solidão dialoga em voz alta. “O espaço mais importante da obra, no entanto, está dentro de seus próprios personagens”, diz Sganzerla.

Na propriedade de tantos pinheirais dos Albuquerque, vive a família de Antenor Moraes, capataz humilde e cumpridor de ordens, como fora o seu pai. Guilhermina, sua religiosa mulher, encaminha o filho Paulo ao seminário, onde ele se encontra com Deus e a Filosofia e descobre um “novo mundo”. Paulo e Ricardo, filho de Romano, são como irmãos na infância, mas suas vidas tomam rumos opostos. O filho do patrão, de caráter indomável, desconhece fronteiras. Boêmio, conflituoso e irresponsável, aventura-se com um Ford 29 pela América Latina e EUA pelo simples prazer do desafio. O irmão Paulo abandona a batina e se torna um combatente clandestino da ditadura militar. Mesmo tão distantes, as vidas dos dois jovens estarão ligada para sempre.

“Toda a trama deste romance – na verdade, uma reconstituição dramática do Brasil moderno – vai surpreender muita gente. Revela a cada página a rica e turbulenta trajetória da força e da paixão, da coragem, do idealismo e do amor, que mudaram nossa história e transformam o ser humano para sempre”, diz Eduardo Sganzerla.

Sobre os autores

Diego Antonelli é jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e tem mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná. Atuou nos jornais “Diário da Manhã” e “Jornal da Manhã”, ambos de Ponta Grossa. Em 2011, começou a escrever para o jornal “Gazeta do Povo”. Na “Gazeta”, Antonelli assumiu a página semanal que o veículo mantinha sobre História. Produziu série de reportagens sobre os Pracinhas, a Ferrovia Paranaguá-Curitiba e sobre a Guerra do Paraguai. Foi finalista do Prêmio Esso – Regional Sul, pela série de reportagens “Império das Cinzas”, escrita em parceria com o jornalista Mauri König. Com a mesma série, ganhou o prêmio Global Shining Light Award 2015. Em 2008, lançou seu primeiro livro – “Em Domínio Russo” -, publicado pela Secretaria Estadual de Cultura do Paraná. Em 2016, lançou seu segundo livro intitulado “Paraná – Uma História”, publicado pela Editora Arte & Letra. Também foi contratado pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) para escrever um livro sobre a história da entidade. Participou como coautor do livro “Vindas – Histórias da Imigração”, que enfoca o processo imigratório da região paranaense dos Campos Gerais.

Eduardo Sganzerla é jornalista, escritor e editor. Foi repórter e redator da “Folha de São Paulo”, e editor e diretor da “Gazeta Mercantil”. Autor de uma dezena de livros (romance, biografias e reportagens), publicou “Alimentos Orgânicos no Brasil” (prêmio internacional Gourmand World Cookbook Awards 2014); “Curitiba Rural, Aromas e Sabores”; “Pêssanka”; “Pescadores Artesanais do Espírito Santo”; “Darcy Casagrande – Biografia”; “Comida de Tradição para Crianças”; “Culinária Paranaense”; e “Os últimos Artesãos”.

Serviço

Dia 24/10

Horário: das 18h30 às 21h

Onde: Livraria Arte & Letra – Rua Desembargador Motta, 2011, Batel – Curitiba

Preço: R$ 45,00 (um título) e R$ 60,00 (os dois títulos)

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal