Guardião da memória paranaense prepara acervo histórico

José Marcos Lopes - Metro Jornal Curitiba

Com a voz e o rosto conhecidos em toda a cidade, o jornalista José Wille tem um dos maiores acervos históricos de Curitiba e do Paraná. Um pouco já está no ar em seus portais e páginas do Facebook, mas a maior parte ainda será organizada e catalogada – um trabalho que começa agora

Quase três décadas de arquivos deverão ganhar o mundo nos próximos anos. Fotos, vídeos e áudios que fazem parte do acervo do jornalista José Wille, que contam muito sobre a história do Paraná e do jornalismo, começam a ser organizados agora – apesar de boa parte já estar disponível na internet. Aos 63 anos, Wille diz ter uma missão: “Pegar tudo que guardei até hoje e tornar público”.

Wille tem uma das vozes e um dos rostos mais conhecidos de Curitiba, mas poucos que o veem na TV sabem que ele é um “acumulador de fatos” desde a década de 1980, quando começou a trabalhar no curso de Jornalismo da UFPR. Em 1986, comprou um vídeocassete. Gravou aulas, telejornais e programas de debates, arquivou vídeos amadores e oficiais, acumulou fotos e recortes de jornal.

Parte desse acervo já está nos portais que mantém, o Memória Paranaense e o Memória Brasileira. Criou mais de 100 grupos no Facebook, abertos a postagens dos participantes de diversas regiões – pelo menos 20 deles vingaram.

A proximidade com a comunicação começou em Mandaguari, onde nasceu. Na infância, dividia a casa com uma emissora de rádio. “Meu pai era gerente da Rádio Guairacá. Em um andar ficava a rádio e no outro o nosso apartamento. Ele me deu um gravador, eu brincava de fazer rádio”, lembra. Três dos seis irmãos viraram  Depois de passar por Paranavaí, a família se mudou para
Curitiba. “Aos 15 anos, comecei a fazer parte do movimento estudantil. Fazia cartuns para o DCE (Diretório Central dos Estudantes), que tinha outro nome, e para a Associação dos Professores da UFPR”, conta Wille. “Eu idealizava um mundo sem classes. Comecei a ler bastante”.

Com talento para o desenho, Wille começou a cursar arquitetura, em 1978. “Fiquei três anos sofrendo. Cheguei à conclusão que queria fazer jornalismo”. Entrou em  no curso de comunicação da
UFPR. E já com um emprego.  “Fui o primeiro funcionário que atendia os alunos no curso”, lembra. “Montei uma rádio em 1982 e fui encarregado de instalar um estúdio”.

Já no mercado, Wille dirigiu a assessoria de Comunicação da UFPR e do Hospital de Clínicas, foi repórter, editor e apresentador do “Bom Dia Paraná”, da RPC, âncora da RIC TV e das rádios Rock & News, Independência, Rede T FM e Globo. Ajudou a instalar a CBN Curitiba, onde foi diretor de jornalismo e âncora por 18 anos. Também foi colunista no extinto jornal “Primeira Hora” e no Metro Jornal.

Aposentado da universidade, Wille é o âncora do Band Cidade Curitiba 2º edição, atualiza seus sites diariamente, organiza seus arquivos, presta consultoria em comunicação e atua na redação e na editoração de livros corporativos, biográficos e históricos.

Contando histórias

Na época de professor na UFPR, Wille dizia uma frase para seus alunos: “Jornalismo é como abrir uma janela e contar uma história”. “As coisas têm que ser interessantes”, define. “Aprendi a simplificar, para que a pessoa sinta a satisfação de ter entendido”. Sobre os  rumos do jornalismo na era da internet, ele se mostra receoso. “Foi uma frustração. A primeira ideia era que qualquer pessoa ia poder falar. Mas as pessoas logo desistiam, porque começavam a ser processadas”, diz.

A década atual trouxe a polarização política e a descrença na informação. “Esse engajamento foi uma decepção. Não é uma informação confiável”.  Mesmo quando não está seus arquivos, Wille se mantém perto dos textos e dos fatos: nas horas vagas, lê livros de história. “Se não tivesse sido jornalista, eu teria sido professor de história”, revela.

Pai de uma jornalista, uma psicóloga e um desenhista, jornalista de profissão e historiador por vocação, Wille tem outro projeto em mente. “Quero voltar a fazer cartuns, mas no computador”.

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