Após acompanhar o pai durante toda a vida, professora começa a produzir artes durante a pandemia

Johan Gaissler

obras de arte de professora e psicopedagoga na pandemia

“Apreço pelo belo e na busca por experiências novas “. É desse modo que Maria Fernanda Calderari se define após ver a carreira ter um novo – e natural – rumo. Psicopedagoga e professora de história da arte, Fernanda começou a produzir obras de arte abstrata durante a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) por influência de anos ao acompanhar o trabalho do pai, o artista plástico Fernando Calderari.

Formada em pedagogia e apaixonada por ensinar, a carreira de Maria Fernanda Calderari começou com o trabalho específico com crianças que apresentavam algum tipo de dificuldade de aprendizagem no ambiente escolar. Após alguns anos, passou pela área de assessoria de imprensa ao fazer prospecções e eventos. 

Ao levar o filho para o colégio nos primeiros anos escolares, foi convidada para ser professora de sala de aula e, posteriormente, trabalhou especificamente com história da arte. No momento atual, dá aulas de desenvolvimento de artes gráficas aos alunos e alunas de um colégio particular de Curitiba.

“Essa possibilidade que a história da arte me deu de fazer com que as crianças tão pequenas tenham essa paixão pela arte é muito gratificante”, afirma o lado educadora de Maria Fernanda Calderari.

O LADO DA ARTISTA

“Eu era uma criança que, desde muito pequena, ia com meu pai para a Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Eu ia como filha, depois fui como aluna de piano e lá eu esperava para voltar para casa dentro da sala de aula, onde ele dava aula de pintura e de gravura. A minha ligação com o mundo de arte e música sempre foi muito grande. A pessoa que tem possibilidade de viver e respirar a arte como foi na minha infância e na minha adolescência faz com que essa sensibilidade esteja impressa na vida e, agora, no meu trabalho”, conta Fernanda sobre os primeiros contatos com o mundo da arte.

Maria Fernanda Calderari admite que a pandemia da Covid-19 teve um papel importante para o desenvolvimento do lado artístico e das obras dela. Mesmo com dúvidas, incertezas e medo, as coisas se encaminharam para essa mudança. Ela teve o contrato suspenso e transformou a casa em um ateliê conjunto com o pai, Fernando Calderari, que pinta diariamente, aos 82 anos de idade.

“Nós, ao invés de filha e pai, nos encontramos como aluna e mestre. Eu sempre pintei sem intenção alguma e, no momento do confinamento, foi uma forma de passar o tempo e fazer companhia pra ele. No meio de todo esse caos, alguma coisa positiva houve. Ele continua trabalhando do meu lado. Ele vinha, palpitava… foi a aula particular do mestre que eu sempre sonhei ter”, relata a professora e artista.

obra de Fernando Calderari
Obra de Fernando Calderari. (Foto: Divulgação/Maria Fernanda Calderari)

O ESTILO DAS OBRAS DE MARIA FERNANDA

Quando começou a produzir, optou pela arte abstrata, muito pelo fato de não ter formação em artes visuais. Partindo de uma linha divisória vertical em uma tela, de um lado havia textura em polímero acrílico e tinta acrílica, e do outro havia tinta dourada e folhas em ouro para dar luminosidade.

Fernando Calderari solicitou que essa técnica fosse reproduzida por quatro ou cinco vezes. Após isso, solicitou que a linha fosse colocada na horizontal, formando, assim, uma paisagem marinha. Segundo ele, ali estava o DNA do lado artista da filha.

“No polímero acrílico, sem querer, eu coloquei no meu trabalho o que eu vi a vida inteira”, diz Fernanda após contar sobre uma fase das obras do pai, durante as décadas de 60 e 70, em que fazia talhas em madeira.

obra de Maria Fernanda Calderari
Obra de Maria Fernanda Calderari produzida após orientações do pai. (Foto: Divulgação/Maria Fernanda Calderari)

A psicopedagoga, professora e artista conta que foi possível realizar seu sonho mesmo num momento difícil. “Eu tento, através do meu trabalho, mostrar a força com as cores, com o dourado que não é só luz, e oferecer ao espectador uma sensação agradável de textura, de cor, de luz. É um trabalho que imprime o que eu sou: força, luz e serenidade”, finaliza Maria Fernanda Calderari.

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