Mercado de livros perdeu um quarto do tamanho no primeiro trimestre

Folhapress

Por Maurício Meirelles

A retração do mercado editorial, com as duas principais livrarias em crise, continua. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento com as vendas encolheu 25% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em número de exemplares, a queda é de 30% -ou 1,2 milhões de livros a menos.

É o que mostra a última edição da pesquisa Painel de Vendas de Livros no Brasil, realizada pela Nielsen sob encomenda do Sindicato Nacional dos Editores. Esse é o levantamento mais preciso sobre o setor, porque a Nielsen chega a esses números diretamente no caixa das livrarias, supermercados e lojas de e-commerce que monitora.

O faturamento total foi de R$ 134 milhões, conta os R$ 180 milhões do ano passado.

O preço médio dos livros continua sua tendência de alta. No período analisado, ele saltou de R$ 42,77 para R$ 45,73. O desconto médio dado no varejo, por outro lado, caiu de 22% para 15,5%.

A queda se explica principalmente pela diminuição nas vendas de livros infantis, juvenis e didáticos, cuja participação na receita total do mercado encolheu cinco pontos percentuais. No ano passado, ela tinha sido de 35% e agora foi de 30%.

É uma queda acentuada. Para se ter ideia, no trimestre anterior, a queda de faturamento tinha sido de 15% em relação ao mesmo período um ano antes.

A recuperação judicial da Livraria Cultura já foi homologada pela Justiça. O plano apresentado pela rede foi aprovado por ampla maioria dos credores.  No plano aprovado, os credores aceitaram a proposta de até 70% de desconto na dívida da empresa com cada um, com até 12 anos de prazo para pagamento, somado a uma carência de dois anos -mas esses números podem ser mais suaves de acordo com a categoria em que cada credor é encaixado pela Cultura. A situação do plano de recuperação da Saraiva ainda está em aberto.

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