Morre aos 89 anos o músico paranaense Waltel Branco

Redação e Alexandra Fernandes

Foi divulgada, nesta quinta-feira (13), a morte de um dos maiores nomes da música paranaense, o maestro e compositor Waltel Branco. Ele faleceu no Rio de Janeiro, aos 89 anos, no dia 28 de novembro, em decorrência de complicações da diabetes. A notícia da morte do músico foi trazida a público dias mais tarde.

Waltel nasceu em Paranaguá, em 1929, foi violonista, guitarrista, contrabaixista, cavaquinista, produtor e diretor musical, e professor. Foi arranjador de composições como “Azul da Cor do Mar” (Tim Maia), “Bastidores” (Cauby Peixoto), “Faz Parte do Show” Cazuza) e ficou consagrado pelo arranjo da trilha sonora do filme A Pantera-cor-de-rosa.

A sobrinha do compositor, Cecília Branco, lembra com carinho da dedicação do tio em manter viva a musicalidade. “Ele estava sempre estudando. O físico dele já estava debilitado, mas a mente, o lado musical dele, esse lado criativo, sempre esteve muito vivo. Até os últimos momentos da vida dele”, disse. “Ele estava tocando, cantarolando, lá, do jeitinho dele”.

Waltel a estudar música aos 12 anos e teve como mestres Bento Mossurunga, Sebastião de Oliveira, Othon Saleiros e Oscar Cáceres (violão), Padre Penalva (canto gregoriano), Jorge Kosha (música clássica), Stanley Wilson (música incidental, em Nova Iorque) e Alceo Bocchino e Mário Tavares (regência), Paulo Silva e Cláudio Santoro (composição). Na Espanha, estudou técnica instrumental com o guitarrista Andrés Segóvia.


Em 1943, um ano antes de ser ordenado padre, deixou o Seminário e seguiu para Cuba, acompanhando a cantora Lia Ray como arranjador, diretor musical e violonista. Em 1950, mudou-se para os Estados Unidos, onde estudou música incidental com o maestro Stanley Wilson e trabalhou com Henry Mancini e Nat King Cole.

No Brasil, tocou ao lado de grandes nomes da MPB como João Gilberto, Dorival Caymmi, Cartola entre outros.  Integrou os grupos Djalma Ferreira e Milionários do Ritmo e o Trio Surdina. Na TV Globo, Waltel foi diretor responsável por trilhas sonoras de novelas como “Irmãos Coragem”, “Escalada”, “O Semideus”, “Bravo”, “Moreninha”, “O Feijão e o Sonho”, “A escrava Isaura”, “Supermanoela” e “Vejo a lua no céu”.

Para as novelas, compôs trilhas internacionais, sob o pseudônimo de W.Blanc. É considerado um pioneiro na criação de estilos musicais, como o Jazz Fusion, e teve participação importante em outros, como a Bossa Nova.

Segundo o produtor musical Virgílio Milléo, que dirigiu a última coletânea do artista, a música paranaense está de luto. “O maestro Waltel influenciou muitas gerações de músicos pelo Brasil. Muitos, que começaram a tocar, usaram as músicas, as partituras do Waltel, como referência de estudo também”, conta.

Waltel deixa um legado de mais de 5000 composições, arranjos e colaborações. O compositor foi condecorado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2012.

Fundação Cultural

A Fundação Cultural de Curitiba lamentou, também, a morte do músico. “Foi uma honra para a Fundação Cultural acompanhar e poder fazer parte da trajetória deste músico, arranjador, compositor e maestro paranaense. Ele esteve presente na cena cultural curitibana, em shows memoráveis, ministrando masterclass na Oficina de Música, participando de bate-papo no Conservatório de MPB e tantas outras atividades. É com profundo pesar que lamentamos sua morte”, disse Ana Cristina de Castro, presidente da Fundação.

Em 2017, ao abrir um workshop e bate-papo musical no Conservatório de MPB, Waltel afirmou, segundo a FCC, que “não existe música boa ou ruim, para se fazer música, precisa estudar muito. O aluno tem que saber o que é música”.

Mediado pelo produtor Ricardo Rosinha, no encontro, Waltel falou de sua vida, obra, experiências e carreira para artistas experientes e para os novos músicos presentes na plateia.

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