Museu do Holocausto convida Monark para visita, após defesa de partido nazista

Apresentador foi desligado do programa; a instituição lembra que discursos de ódio precisam ser combatidos para que não se materializem.

Angelo Sfair - BandNews FM Curitiba - 09 de fevereiro de 2022, 13:29

Foto: Divulgação/Museu do Holocausto
Foto: Divulgação/Museu do Holocausto

O Museu do Holocausto de Curitiba contrapôs a ideia da criação de um partido nazista no Brasil defendida pelo youtuber e apresentador do Flow Podcast, Bruno Aiub, conhecido como Monark.

Primeiro museu do país dedicado ao tema, a instituição fez um convite para que o influenciador visite o local e conheça a história da perseguição ao povo judeu. As informações são da BandNews Curitiba.

A defesa da criação de um partido nazista aconteceu segunda-feira (7), na presença de dois deputados federais convidados para o programa, Kim Kataguiri e Tabata Amaral.

O assunto rapidamente entrou para os tópicos mais comentados na internet. Com a repercussão, diversos patrocinadores do Flow Podcast anunciaram o rompimento dos contratos. Em nota, os Estúdios Flow anunciaram o “desligamento” de Monark, embora ele seja o sócio-administrador da empresa que controla o programa. Em um vídeo, ele se desculpou pelas falas e alegou estar bêbado no momento das declarações.

O apresentador já havia causado repulsa em episódios anteriores. Por exemplo, ao questionar se ter uma opinião racista era crime, ou na ocasião em que disse ser contra a punição de pessoas que defendem discursos de ódios contra negros e homossexuais. As falas absurdas de Monark acontecem em um contexto de defesa irrestrita da liberdade de expressão e opinião.

Ao contrapor o podcaster, no episódio mais recente, o Museu do Holocausto de Curitiba lembrou que foram justamente as palavras e opiniões que fizeram o partido nazista crescer e cometer atos de extermínio do povo judeu e outras minorias sociais.

Nesse sentido, a instituição lembra que discursos de ódio precisam ser combatidos para que não se materializem. Por fim, o Museu do Holocausto lembrou que todos os indivíduos estão inseridos em uma sociedade, e que por isso a “liberdade individual” defendida por Monark se limita quando se choca com a liberdade do outro.