Museu Paranaense promove oficina de pintura corporal com indígenas Kayapós

Indígenas pintarão partes do corpo dos visitantes interessados em conhecer mais sua cultura tradicional; público será atendido por ordem de chegada.

Redação - 14 de maio de 2022, 07:15

Foto: Simone Giovine-Associação Floresta Protegida
Foto: Simone Giovine-Associação Floresta Protegida

O Museu Paranaense promove, neste sábado (14) e domingo (15), uma oficina de pintura corporal com indígenas Mebêngôkre-Kayapós, do Pará. A programação gratuita conta ainda com um encontro, pela primeira vez, do grupo com um acervo etnográfico e imagético que registra seu povo.

Os Mebêngôkre-Kayapó estão representados no museu por meio da Coleção Vladimir Kozák e da Coleção João Américo Peret.  A primeira coleção é composta substancialmente por acervo imagético, entre fotografias, cromos, filmes e iconografia. Já a segunda é caracterizada por objetos como ornamentos plumários, bordunas e outros armamentos de guerra ou rituais, inúmeros ornamentos de dentes, sementes ou miçangas.

O encontro desses indígenas que vivem no Norte do Brasil com um importante acervo sobre seu povo, resguardado por uma instituição museológica do Sul do país, faz parte de uma política de reparação histórica iniciada pela atual gestão do Museu Paranaense.

“Para o MUPA, o encontro com os kayapós traz uma energia única, especial. Proporcionar a vinda do grupo com o museu e aproximá-los não só com o público, mas também com o nosso acervo, está entre as nossas prioridades”, afirma a diretora do museu, Gabriela Bettega.

O grupo fez uma verdadeira travessia pelo Brasil, saindo – alguns pela primeira vez na vida e sem falar português – da aldeia Kubenkrãkenh, no município paraense de Ourilândia do Norte, para compartilhar habilidades e saberes ancestrais com o público do Museu Paranaense.

Eles são acompanhados do início ao fim da viagem pelo antropólogo Daniel Tibério Luz, da Associação Floresta Protegida e levaram cinco dias até o desembarque em Curitiba, com a jornada dividida entre trajeto a pé, de barco, caminhonete e, por fim, o trajeto aéreo.

OFICINA DE PINTURA CORPORAL

Neste sábado e domingo, o grupo de mulheres indígenas fará no Museu Paranaense a oficina “Jenipapo, pintura corporal e grafismos Mebêngôkre-Kayapó”, na qual pintarão com a pigmentação oriunda de dois elementos vegetais – o jenipapo e o carvão vegetal – partes do corpo dos visitantes interessados em conhecer mais sua cultura tradicional.

As pinturas corporais são consideradas roupas que versam sobre as fases da vida: luto, nascimentos e cerimônias.

Foto: Simone Giovine-Associação Floresta Protegida

As oficinas acontecem das 14h às 18h, hoje, e das 10h às 13h30 no domingo, e não há necessidade de inscrição prévia. O público será atendido por ordem de chegada

O grupo também traz ao museu uma gama variada de artesanatos feitos em sua aldeia. No sábado, a partir das 14h, será possível acompanhar uma breve apresentação de Daniel Tibério Luz sobre os trabalhos desenvolvidos com os Mebêngôkre-Kayapó, contextualização do histórico da região de Tucumã-PA e aldeia Kubenkrãkenh.

AS PINTURAS E SEUS SIGNIFICADOS

Os mais elaborados desenhos de traços são pintados pelas mulheres, que exercem o papel de preservação e de perpetuação desse conhecimento. Desde a infância, as menires, como são chamadas nas aldeias, aprendem as pinturas características de seu povo e as disseminam por gerações, fortalecendo durante esse processo, principalmente, as relações entre os Mebêngôkre-Kayapós e suas aldeias. 

Além de exibir a identidade Mebêngôkre, esse tipo de arte corporal também é usado em rituais, encontros, adornos e festejos. Uma mulher pode se pintar de preto com extrato de jenipapo, por razão do filho ter completado um ano de idade, marcando com isso a possibilidade dela voltar a participar das atividades cotidianas da aldeia, depois desse um ano de uma série de prescrições.

Serviço:

Oficina de pintura corporal “Jenipapo, pintura corporal e grafismos Mebêngôkre-Kayapó”

Datas: sábado e domingo (14 e 15)

Local: Museu Paranaense, Rua Kellers, 289 - São Francisco

Atividade gratuita, a pintura individual será feita por ordem de chegada

Sábado - das 14h às 18h - no primeiro dia haverá uma breve apresentação do antropólogo da Associação Floresta Protegida, Daniel Tibério Luz, sobre os trabalhos desenvolvidos com os Mebêngôkre-Kayapó, contextualização do histórico da região de Tucumã-PA e aldeia Kubenkrãkenh. 

Domingo - das 10h às 13h30