Não dá mais para ficar quieto em relação à política, diz Manu Gavassi

Há um mês, Manu Gavassi saiu do "BBB 20" como a terceira colocada. Isso não quer dizer, contudo, que ela não tenha ating..

Walter Porto - Folhapress - 26 de maio de 2020, 18:01

(Reprodução / Multishow)
(Reprodução / Multishow)

Há um mês, Manu Gavassi saiu do "BBB 20" como a terceira colocada. Isso não quer dizer, contudo, que ela não tenha atingido seu objetivo primordial com a passagem pelo programa.

Na entrevista a seguir, a atriz e cantora conta como participar do "Big Brother" se encaixou num planejamento mais amplo de sua carreira artística, afirmando que o palco do programa trouxe uma visibilidade que ela sempre buscou como profissional.

Manu discute também os motivos pelos quais esta última edição teve uma proporção estrondosa, as acusações de que ela passou boa parte do reality show interpretando uma personagem que não era autêntica e a necessidade de que influenciadores como ela - que alcança mais de 15 milhões de pessoas no Instagram - passem a se posicionar sobre política, cada um a seu modo.

O FATOR FAMA

A minha decisão de entrar no reality tinha completamente a ver com meu trabalho. Eu queria ampliar a minha visibilidade, me apropriar da minha própria imagem.

Eu sentia que quem tinha uma percepção verdadeira sobre mim era um nicho muito pequeno. E muitos dos meus trabalhos como compositora e roteirista eram muito autorais, tinham muito a ver com quem eu era. Só tinham graça para as pessoas que realmente me conheciam.

Era uma frustração pessoal, um empecilho em muitos dos meus projetos grandes. Diziam, "ai, Manu, sua ideia é incrível, mas a gente não sabe se isso vai trazer muita gente para assistir". Isso me frustrava bastante, saber que minhas ideias eram boas, que eu tinha capacidade de realizá-las de maneira incrível, só que me faltava o fator fama.

Nunca pensei na minha vida em entrar num reality show, principalmente do tamanho do "Big Brother". Mas pensei: se isso for trazer o que eu sempre quis para a minha carreira, essa visibilidade da minha personalidade e, logo, do meu trabalho, então eu topo.

O RETORNO

O resultado foi muito melhor do que eu imaginava. Eu estava ciente do preconceito que carregava participar de um reality show. Mas eu contava com isso e sabia que talvez poucas pessoas entendessem aquele meu humor, a maneira que eu estava representando. Eu tinha na cabeça que ia virar um número um pouco maior, mas também limitado de pessoas.

Via esse risco, mas confiava em quem eu era. Por mais que eu seja uma pessoa que está aprendendo, que eu erre, é muito importante a maneira como você lida com erros. E eu sempre fui uma pessoa que não tem problema nenhum em pedir desculpas e rever comportamentos.

Tinha mais medo de fatores que eu não poderia controlar. Mas pensei que, na pior das hipóteses, as pessoas iriam ver os vídeos , porque a gente não tem informação sobre política, isso não é ensinado na escola. Eu me senti muito desinformada a vida inteira. Acho muito importante assumir isso e buscar informar as pessoas que nos acompanham.

Tenho acompanhado o crescimento do Felipe Neto, a maneira como ele se posiciona e admiro muito. Acho que é esse o caminho. A gente não pode mais ficar quieto em relação a isso, já passou da hora. Cada um do seu jeito, no seu tempo, tem que saber falar sobre o que acredita, sim.