Netflix estreia série ‘Bom Dia, Verônica’ com Tainá Müller contra a violência doméstica

Folhapress


Raphael Montes, 30, e Ilana Casoy, 60, se encontraram por acaso em uma feira literária da cidade de Extrema (MG). O escritor policial então fez uma provocação à criminóloga: por que ela não se arriscava na ficção? Até então, Casoy se dedicava à dissecar as histórias de crimes reais, especialmente de serial killers. Montes também sugeriu que eles escrevessem juntos.

“Eu falei: ‘não, nem pensar'”, conta ela. Pouco tempo depois, e após devorar os livros dele em uma semana, Casoy mudou de ideia. E, assim, após um encontro presencial em que trocaram as primeiras impressões do novo projeto, ela mandou um email para ele. No assunto, o que viria a ser o título do trabalho em conjunto: “Bom Dia, Verônica”.

Lançada em 2016, a obra acaba de virar série na Netflix, com estreia nesta quinta (1º) e a atriz Tainá Mûller, 38, no papel da personagem-título, uma escrivã disposta a fazer de tudo para ajudar vítimas da violência doméstica -mesmo que isso signifique bater de frente com a corrupção policial. O elenco conta também com Camila Morgado, Eduardo Moscovis, Antônio Grassi, entre outros. É o primeiro thriller original desenvolvido pela plataforma no Brasil.

Raphael Montes segue à frente da adaptação para as telas como criador e roteirista-chefe. Casoy também faz parte da equipe de roteiristas da atração. Logo que começaram a pensar no livro juntos, o escritor revela que a proposta foi juntar o que os dois conheciam mais a fundo: ele, tramas recheadas de suspense, e ela, o universo dos serial killers.

“A ideia bem concisa era: “Eu quero fazer ‘O Silêncio dos Inocentes’ brasileiro. Não tem nada no Brasil como isso, como o mesmo jogo de gato e rato, com a mesma tensão, com a mesma pegada”, diz ele. Outros pontos bem definidos desde o início eram abordar a violência contra as mulheres e ter uma personagem feminina como protagonista. “E eu queria alguém que não fosse uma delegada, queria muito que fosse uma escrivã, que é uma policial que passa invisível no sistema, muita gente nem entende que é policial”, completa Casoy.

Para manter a essência da obra, Montes afirma que na adaptação para a série precisou fazer algumas mudanças. Uma delas é a inclusão da personagem Anita, vivida Elisa Volpatto, uma delegada que não se dá muito bem com a Verônica. “Desde o início a proposta é essa: vamos fazer uma série com viradas, com ganchos, que a pessoa não consiga parar de ver. Propositadamente há uma virada a cada dez minutos”, diz ele.

E funcionou. Esta repórter viu os oito episódios de “Bom Dia, Verônica” em dois dias. Para quem já leu algum livro de Raphael Montes, também fica muito clara a marca do autor na série.
No enredo, a escrivã Verônica Torres mergulha no caso de duas mulheres: uma jovem enganada por um golpista na internet, e a esposa de um policial militar, que sofre de violência física e psicológica. Casada e mãe de dois filhos, a protagonista também precisa equilibrar o trabalho com a sua vida pessoal.

“O desafio foi tratar de um assunto tão urgente e importante [a violência doméstica], com todo respeito e cuidado que ele merece e, ao mesmo tempo, construir a jornada dessa personagem que é ficcional. Foram dias intensos de gravação, e eu tinha um exercício de manter a energia sempre lá em cima, de chegar com frescor no set para dar tudo de mim ali”, conta Müller.

Para construir Janete, a mulher que sofre abusos dentro de casa, Camila Morgado relata que se fixou muito no roteiro, mas também foi buscar a sua própria vivência e de outras mulheres próximas a ela sobre o tema.

“A violência doméstica é um assunto urgente e toda mulher já passou por algum tipo de constrangimento. Então, eu também fui trazendo questões sobre como eu enxergo esse assunto, sobre como a minha avó lidava com esse assunto, a minha mãe, as minhas amigas, porque todo o mundo também tem uma história que vai por um assédio, um constrangimento. Eu fui tentando me colocar no papel dessa vítima e enxergar a partir dela”, relata.

*matéria escrita pela jornalista Karina Matias, da Folhapress

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