Obra número um de Alfredo Andersen, Porto de Cabedelo, estará em exposição na Fazenda Purunã ao lado de De Bonna, Nisio e Mirtilo Trombrini

Porto de Cabedelo, pintado em um pedaço da vela do navio, é a primeira e principal obra de Alfredo Andersen, o Pai da Pi..

Pedro Ribeiro - 29 de abril de 2021, 12:25

Empresário Lenomir Trombini proprietário da obra prima de Alfredo Andersen. (Foto: Rodolfo Rodolfo Bührer)
Empresário Lenomir Trombini proprietário da obra prima de Alfredo Andersen. (Foto: Rodolfo Rodolfo Bührer)

Porto de Cabedelo, pintado em um pedaço da vela do navio, é a primeira e principal obra de Alfredo Andersen, o Pai da Pintura Paranaense.

A principal e mais importante obra do artista plástico nórdico, Alfredo Andersen, o “Porto de Cabelo, uma paisagem com personagens representativas da vida cotidiana dos brasileiros do litoral paraibano, fará parte de uma exposição que o proprietário da tela, industrial Lenomir Trombini, realizará na inauguração de empreendimento que está lançando em sua fazenda Purunã.

Pintado em 1892, em um pano de vela do navio em que viajava, vindo na Noruega e ancorado em Cabedelo, na Paraiba, Alfredo Andersen destacou a luminosidade das terras brasileiras iniciando, depois, em uma outra viagem quando desembarcou em Paranaguá, sua carreira como um dos mais representativos pintores da paisagem paranaense.

A partir dai surgia, no cenário artístico paranaense, o pintor, retratista e escultor, agraciado com o título de o “Pai da Pintura Paranaense”. No Paraná, Alfredo Andersen foi o autor de obras como as “Sete Quedas”, Construção da Ferrovia Curitiba-Paranaguá”, entre centenas de outras, algumas expostas no Museu Casa Alfredo Andersen, localizado em Curitiba.

Andersen foi, também, o criador do Brasão das Armas do Paraná onde se destacam o trabalhador no campo, a águia (harpia) e os ramos do pinheiro nativo e da erva mate.

Vidal Pinto também destaca Cabedelo como a primeira e principal obra de Alfredo Andersen que foi um pintor apaixonado pela paisagem paranaense e ganhou o título de “Pai da Pintura Paranaense”  também  por ter discípulos como De Bonna, Lang de Morretes e outros.

A artista Plástica Débora Russo, ex-diretora do Museu Casa Alfredo Andersen e Centro Juvenil de Artes Plásticas, disse que “Porto de Cabedelo” é considerada a primeira paisagem e retratação do povo brasileiro do norueguês Alfredo Andersen.

Nesta obra, ele registra a praia do litoral nordestino, suas construções e a população dentro do seu cotidiano simples. Ele retrata uma vegetação exuberante com a presença de pessoas que se protegem do sol, sob os galhos e folhas de uma frondosa árvore. Os barcos também estão  presentes, demonstrando os hábitos   cotidianos de pescadores do local. Seus reflexos ficam caracterizados nas águas  do mar. A luminosidade  presente nesta  obra é  registrada  como uma   característica inédita até  este momento na carreira de Andersen.

CONHEÇA A HISTÓRIA DE ALFREDO ANDERSEN

Alfredo Andersen foi um artista norueguês considerado “O Pai da Pintura Paranaense” por suas inúmeras contribuições nas áreas da pintura, da formação de artistas e por seus registros pictóricos do Paraná do século XIX.

Nascido em 1860 em Kristiansand, na Noruega, desde muito jovem já  demonstrava interesse e aptidão para a arte, recebendo uma sólida formação  artística adquirida em importantes instituições educacionais do norte da Europa.

Em 1892, o artista que já era conhecido em sua terra natal, viaja com seu pai, capitão da marinha mercante, rumo à Argentina. Viagem que terminou antes de seu destino final quando por um extravio no barco eles aportaram no porto de Paranaguá.

A partir de então, Andersen passou a viver no estado, residindo dez anos em Paranaguá antes de se transferir para Curitiba, onde pôde ter contato com personalidades locais e criar um atelier para a formação de artistas.

Alfredo Andersen nasceu em Kristiansand, na Noruega, em 3 de novembro de 1860. Pintou sua primeira tela intitulada “Akt” aos treze anos. Foi aceito como discípulo de Wilhelm Krogh. Atuou com pintor, escultor, decorador, cenógrafo e desenhista.

Em 1879 ingressou, por concurso, na Academia Real de Belas Artes de Copenhagen. Foi professor de desenho livre na Escola de Rapazes, junto ao Asilo de Vesterbron, rompendo com a tradição de ensino através da cópia de gravuras impressas, adotando o modelo vivo.

PROFESSOR DE DESENHO E ANIMADOR DAS ARTES PLÁSTICAS

Como crítico de arte foi enviado a Paris para o Salão Oficial de Belas Artes. Em 1891 e 1892 viajou pela Europa, Ásia, Índia e América, e chegou ao Brasil na Paraíba do Norte em 1892, pintou “Porto de Cabedelo”, seu primeiro registro artístico no país. Após retornar à Noruega fez outra grande viagem partindo da Inglaterra em direção a Buenos Aires. Alguns concertos no navio em que viajava exigiram uma parada em Paranaguá, no Paraná, onde permaneceu por dez anos, cativado pelo Brasil. Casou-se com Anna de Oliveira, descendente de índios, constituindo uma família de quatro filhos.

Em 1902 transferiu-se para a capital, Curitiba. Fez projetos para escolas oficiais de arte e foi professor de Desenho na Escola Alemã, Colégio Paranaense, Escola de Belas Artes e Indústrias de Mariano de Lima e Escola Profissional Feminina República Argentina.

Alfredo Andersen foi, acima de tudo, um grande animador das Artes Plásticas do Paraná. Ensinou como um grande mestre, orientou tendências como um sábio, permitiu a liberdade de criação, desenvolvendo assim, um trabalho pioneiro na formação de algumas gerações de pintores entre os quais destacam-se Traple, Freysleben, Lange de Morretes, Theodoro de Bona, Maria Amélia D’Assunção, Isolde Höltte, seu filho Thorstein, entre outros.

Como pintor e desenhista, documentou sua época, dentro de três linhas temáticas: o retrato, a cena de gênero e a paisagem. Utilizou uma linguagem plástica própria, fruto da concepção artística presente na Noruega do século XIX.

Em 9 de agosto de 1935, Andersen faleceu na sua residência-atelier, onde se situa hoje o museu. Pelo seu trabalho pictórico, durante toda sua vida passou a ser considerado o “Pai da Pintura Paranaense”. (MCAA).