Os vencedores musicais do Golden Globe

Pedro Ribeiro

PopCorn Music

 

Por Daniel Derevecki

A primeira coluna PopCorn Music de 2019 não poderia sair numa data mais propícia: o dia seguinte à entrega do Golden Globe. Ontem à noite, cinéfilos dos quatro cantos adentraram à madrugada esperando pelos anúncios dos vencedores da premiação, que antecipa o Oscar e congrega os melhores trabalhos do cinema e da televisão norte-americanos. Vou comentar um pouco dos dois filmes que venceram as categoriais musicais: melhor trilha sonora original e melhor canção.


O globo de melhor trilha foi para “First Man”, filme que conta a história do astronauta Neil Armstrong e da lendária missão que levou o ser humano a andar na Lua em 20 de julho de 1969. A música é assinada pelo jovem e talentoso compositor americano Justin Hurwitz, de apenas 33 anos. Apesar da pouca idade, se comparado a grandes medalhões das trilhas sonoras como Hans Zimmer (61), Alan Silvestri (68) e John Willians (86), figura no seleto grupo dos vencedores do Oscar, porque ganhou a estatueta dourada pelo seu trabalho em “La La Land –Cantando as Estações”.

Em “First Man”, Hurwitz utilizou um recurso antigo na indústria da música cinematográfica, mas que coube na medida exata para esse filme: o “theremin”. Trata-se do primeiro instrumento “eterofônico”, ou seja, cujo som é produzido por meio do ar ou éter, substância que filósofos do século XIX acreditavam permear o universo. O instrumento foi patenteado em 1919 pelo russo Leven Sergeivitch Termen, que ficou conhecido no mundo ocidental como Léon Theremin.

Tocá-lo é algo muito peculiar, porque possui apenas duas antenas, uma destinada à altura e outra à intensidade. A grosso modo, na antena da altura o músico determina a nota musical que irá soar e na da intensidade o volume do som. Por conta de suas características sonoras, o theremin foi muito utilizado em trilhas de filmes de ficção científica da década de 1950. Agora, no século XXI, Hurwitz retoma o uso desse magnífico instrumento e o mistura à orquestra. Um golaço. Para que você conheça melhor o instrumento, no final do texto está o link para um vídeo no youtube no qual o Prof. Dr. Álvaro Borges, da Universidade Estadual do Paraná, de quem tive a oportunidade de ser aluno na graduação, toca uma peça no “theremin”.

Falando agora do prêmio de Melhor Canção. Não houve surpresa, o globo foi para a música “Shallow”, de “Nasce Uma Estrela”, filme que marca de vez a entrada de Lady Gaga no mundo do cinema e determina um novo passo na carreira de Bradley Cooper que, além de atuar, também dirigiu o longa. A música é uma balada romântica cantada em dueto por Gaga e Cooper. A batida “folk” do violão marca a primeira parte, cantada por ele. Na segunda estrofe, quando ela assume o vocal solo, começam a entrar os outros instrumentos da banda. Mas é no momento do dueto que a música cresce e o instrumental aparece de vez. No final, para os mais atentos, uma cadência de engano deixa a música em suspenção. É um deleite para os ouvidos. Nota: a música foi mixada 18 vezes, segundo a própria Lady Gaga declarou após o anúncio da entrega do prêmio.

No mais é só estourar a pipoca, subir o som e curtir as trilhas desses grandes filmes, que já estão disponíveis no Spotify e em outros serviços de streaming.

Daniel Derevecki é bacharel em Música Popular pela Universidade Estadual do Paraná.
Instagram: @danielderevecki
Facebook: @danieldereveckimusic
Twitter: @danielderevecki

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook