P.I – Panorâmica Insana é um soco no estômago

Fernando Garcel


O público do Teatro Guaíra encontrou centenas de roupas e histórias espalhadas pelo palco na noite de sábado (30). Em P.I. – Panorâmica Insana, o quarteto formado por Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo vivem – e morrem – diversas vezes para contar as mazelas de uma sociedade em que o ser humano é apenas mais um número.

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A peça é uma tragédia mas que conseguiu arrancar risos da plateia, apesar de que recusei a acreditar que o público conseguiu rir com a história de uma mulher que se alimentava das próprias fezes, por exemplo. Um soco no estômago nos primeiros minutos da montagem.

No entanto, vale destacar, essa percepção não é regra e a exceção se fez com os alívios cômicos vindos principalmente de personagens interpretados por Pandolfo.

Penso que a Panorâmica Insana, da diretora Bia Lessa e com textos de Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant’ana, faz refletir sobre invisibilizados e excluídos sociais enquanto passeia pela pobreza, pelas drogas, pelos desafios e apagamento de imigrantes, pelo racismo, soberba, sexo e toda a desordem que não enxergamos a nossa volta no dia a dia.

Como não poderia faltar, a peça também traz pitadas de política e religião. Em um breve momento de interação com o público, uma psicóloga interpretada por Cláudia Abreu reflete sobre a (in)existência de um deus, da alma e do amor ao próximo.

Também é nesse momento em que ela diz que nunca antes se falou e se elegeu tanto em nome de um deus como agora. A plateia aplaudiu, ovacionou e gritos de “Ele, Não” foram ouvidos ao mesmo tempo em que parte do público vaiava a peça. Alguém no primeiro balcão gritou algo como “eu não paguei para ver isso”. Essa mesma interação com o público ocorreu em um segundo momento, quando os atores lembraram o nome de Vladimir Herzog, jornalista morto na ditadura.

A peça também faz pensar sobre como o homem foi domado pela crença em um deus cruel que causa tragédias diariamente pra ser venerado e apresenta a figura de um homem que abriu mão de suas paixões, entre elas o Corinthians e sua mulher, para não desagradá-lo.

Serviço

A peça está em cartaz no Festival de Teatro de Curitiba e terá mais uma apresentação no Teatro Guaíra neste domingo (31), a partir das 19 horas. Os ingressos estão disponíveis apenas na internet e nos quiosques do Disk Ingresso.

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