Pintura histórica em museu curitibano é reataurada por mulheres vítimas de violência

Redação e Assessoria


Uma das paredes do Museu Alfredo Andersen, em Curitiba, vinculado à secretaria estadual de Cultura do Paraná, vai recuperar o aspecto que tinha em 1915. A pintura decorativa, escondida debaixo de oito camadas de tinta, será restaurada por uma equipe coordenada pela artista Tatiana Zanelatto. Com mais de 15 anos de experiência, e aliada à ong Unicultura, co-idealizadora do projeto, a restauradora está capacitando oito mulheres vítimas de violência para lhe auxiliarem na tarefa. O projeto social é inédito no Paraná.

“Eu sempre tive dificuldade para achar mão de obra qualificada quando pegava um trabalho novo. Daí eu pensei: e se eu capacitasse mulheres para me ajudarem?”, conta Tatiana Zanelatto, com 15 anos de experiência na atividade. Selecionadas entre vítimas de violência, as alunas do projeto RestaurAÇÃO têm idades variadas, dos 20 aos 60 anos, e trajetórias diferentes, da dona de casa à educadora infantil. Mas um ponto em comum: tiveram que recorrer à Casa da Mulher Brasileira, local que reúne a Delegacia da Mulher, Defensoria Pública e outros órgãos de apoio, numa hora de necessidade.

Alfredo Andersen abriu a primeira escola especializada em desenho e pintura do Paraná, no início do século passado. É a sua antiga residência, numa rua discreta do bairro histórico do São Francisco, na capital do Estado, que hoje abriga o museu que leva seu nome. Ele nasceu no dia 3 de novembro, na Noruega, e se fixou no Brasil por volta dos 30 anos de idade. “O resgate da pintura decorativa original é super importante para a nova fase do museu”, comemora Débora Maria Russo, diretora da instituição.

“O Museu Alfredo Andersen está passando por uma reformulação, pois vai ganhar uma nova identidade visual que valoriza a ideia do museu-casa”, revela Débora Russo. Toda a parte destinada às exposições está em reforma. Para ela, ter oficinas de ensino como o projeto RestaurAÇÃO dentro da instituição é importante, pois mantém as mesmas características que o local tinha quando o pintor e escultor era vivo. “Era um ateliê-escola e agora seguirá sendo uma casa, ainda que afetiva, para novas gerações de artistas”, comenta.

As alunas do projeto têm mais em comum, além do passado de vítimas da violência: deram a volta por cima, assumiram as rédeas da própria vida e agora se reinventam aprendendo, com Tatiana Zanelatto, como recuperar a vida das paredes de construções históricas. Enquanto refazem também a si próprias. Nos três meses de curso, elas recebem bolsas-estudo de R$ 800, auxílio-transporte e apoio psicológico. As aulas também as capacitam para atuar no ramo da pintura de paredes, além do trabalho com restauro.

O projeto social  foi viabilizado graças ao incentivo municipal, via Fundação Cultural de Curitiba, e conta com o apoio financeiro do Instituto Joanir Zonta, da Randon Rodoparaná e da Imax Diagnóstico por Imagem, além das Tintas Sherwin Williams. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) completa a lista de instituições que tornaram possível o resgate da pintura decorativa original do Museu Alfredo Andersen.

 

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