Rádio do Paraná justifica recusa a Pabllo Vittar: “brincadeira de amigos”

Jorge de Sousa

Pablo Vittar irá fazer sua primeira live no dia 22 de maio

A Rádio Panorama emitiu nota nesta terça-feira (17), justificando como uma “brincadeira de amigos” a decisão do locutor Emerson Antunes em recusar colocar uma música da cantora Pabllo Vittar na programação do veículo.

A rádio fica sediada no município de Itapejara d’Oeste, cidade de 12 mil habitantes na região sudoeste do Paraná.

Segundo a nota, o ouvinte Ricardo Chaves, responsável pelo pedido da música, havia combinado com amigos em comum ao locutor, realizar a solicitação com objetivo de “provocar” Antunes.

Essa brincadeira foi motivada, porque em uma confraternização em que Chaves e Antunes estiveram, o locutor foi indagado sobre Vittar e criticou a qualidade musical da cantora e disse ainda que ela não se compara a artistas como Renato Russo, Cazuza, Freddy Mercury, Ricky Vallen, Ney Matogrosso, entre outros.

Dessa forma, a rádio afirma que o locutor não teve qualquer conduta de natureza homofóbica ou transfóbica e só negou o pedido ao perceber que se tratava de uma brincadeira.

A nota ainda salienta que a brincadeira foi gravada e postada em um grupo de WhatsApp. Na rede social, o material foi compartilhado sem autorização e viralizou.

Confira abaixo a nota da Rádio Panorama:

NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA

Em razão de situação ocorrida em 05 de setembro de 2019, envolvendo o locutor Emerson Antunes e o ouvinte Ricardo Chaves, faz-se necessário alguns esclarecimentos à imprensa e ao público em geral, notadamente porque o episódio referido tomou uma proporção inusitada e em muito reforçada por notícias divulgadas que não retratam a verdade do acontecido.

Conforme amplamente divulgado pela imprensa e redes sociais, na data de 05 de setembro de 2019 o ouvinte Ricardo Chaves solicitou ao locutor Emerson Antunes que tocasse, durante sua programação, uma música da cantora Pablo Vittar, pedido que não foi aten-dido pelas razões que abaixo serão apresentadas.

Por conta disso, notícias veiculadas em diversos sites e canais de comunicação partiram de uma premissa totalmente equivocada de que a recusa do locutor em atender ao pedido do ouvinte teria se dado por questões discriminatórias atinentes à orientação ou preferên-cia sexual da cantora Pablo Vittar, ou seja, por questão de transfobia, o que evidentemente não procede.

Na verdade, tudo não passou de uma brincadeira de um grupo de amigos. Uma brincadeira preparada com antecedência e, num primeiro momento, sem o conhecimento do locutor (que dela só tomou conhecimento no seu intercurso), na qual alguns amigos ajustaram que o ouvinte Ricardo Chaves, que conhecera o locutor Emerson dias antes num encontro de confraternização com amigos em comuns, faria o pedido de uma música da cantora Pablo Vittar, e isto durante o programa transmitido pelo locutor Emerson Antunes. Ajus-taram que assim seria feito para ver como reagiria o locutor, uma vez que, dias antes, na confraternização referida e durante uma roda de violão, o locutor foi indagado acerca de suas preferências musicais sobre alguns artistas, dentre eles a Pablo Vittar, e então emitiu opinião pessoal e crítica sobre a qualidade musical da cantora que, segundo ele, apesar de ser um ícone representativo de uma determinada parcela da população, não estaria em nível de comparação qualitativa à artistas como Freddy Mercury, Ricky Vallen, Ney Matogrosso, Renato Russo, Cazuza e tantos outros cujas canções foram e são frequentemente veiculadas em seu programa.

Registre-se que o próprio ouvinte nunca teve qualquer pretensão de que seu pedido fosse atendido, pois seu propósito foi apenas o de provocar a reação do locutor, pois ambos compartilham do mesmo juízo crítico acerca da musicalidade da artista citada.

Nunca houve, por parte do locutor Emerson Antunes, nenhum tipo de conduta discrimi-natória de natureza homofóbica ou transfóbica, sendo que a negativa de atender o pedido do ouvinte somente se deu a partir do momento em que o locutor, efetivamente, percebeu que havia sido envolvido numa brincadeira feita por seus próprios amigos. Não há, pois, se falar em prática de crime de homofobia, transfobia ou qualquer espécie de discrimina-ção pelo simples fato de que nunca houve qualquer intenção do locutor de agir com este propósito.

Anote-se, ainda, que a brincadeira foi gravada por um terceiro, o qual foi avisado previa-mente pelo ouvinte de que faria a solicitação da música ao locutor, e este terceiro então realizou a gravação com seu telefone celular diretamente de um aparelho de rádio, e na sequência encaminhou o áudio ao Ricardo Chaves, que por sua vez postou num grupo de whatsapp do qual faz parte, sendo que a partir daí este áudio acabou viralizando e gerou interpretações equivocadas de inúmeras pessoas que não sabiam o contexto da situação.

Infelizmente esta brincadeira acabou gerando uma repercussão sem precedentes, inclusive a nível nacional, e que causou e ainda está causando inúmeros problemas ao locutor, que em 14 anos de rádio nunca antes se envolveu em qualquer situação semelhante, e que sempre manteve conduta exemplar tanto na vida pessoal como profissional, mas que de uma hora para outra viu seu nome vinculado a atitudes e comportamentos negativos que nunca teve e que vão na contramão de seu histórico profissional de total respeito aos seus ouvintes e às pessoas em geral. Prova disso, inclusive, são as inúmeras campanhas feitas em sua programação buscando arrecadar valores para que pessoas carentes pudessem realizar cirurgias, comprar medicamentos, se deslocar para tratamentos de saúde em cidades distantes e etc.

Por conta do viés negativo decorrente de publicações maldosas, manipuladas e adulteradas, o locutor precisou tirar do ar seus contatos profissionais, bem como desativar suas redes sociais, tudo para evitar ameaças, ofensas e acusações infundadas que estava sofrendo de pessoas que ignoram o contexto em que tudo ocorreu.

Quanto aos casos de adulterações e manipulações do áudio é necessário fazer esclarecimentos específicos.

Alguns sites e canais de comunicação, por exemplo, fizeram uso de uma frase isolada para concluir, tendenciosamente, que teria havido uma conduta discriminatória do locutor com relação à artista, mas propositadamente omitiram do público que logo na sequência dessa mesma frase o locutor deixa muito claro, e não foi por uma única vez, que não tem absolutamente nada contra a artista, e que apenas emitiu opinião pessoal de que a voz, ou seja, o timbre da cantora não seria dos mais agradáveis a sua percepção crítica, cabendo citar que o locutor é músico há quase 30 anos e radialista há 14, vale dizer, tem contato bastante íntimo com os mais diversos gêneros musicais.

Outros sites fizeram manipulações do áudio, invertendo a ordem das frases e omitindo novamente o contexto em que proferidas. Além disso, fizeram insinuações de que no áudio seria possível verificar risos de deboche ao fundo (dando a entender que tais risos haviam sido gravados no estúdio, com intento discriminatório), quando na verdade os
risos que aparecem são justamente da terceira pessoa que participou da brincadeira, e que no momento fazia a gravação com seu telefone celular diretamente de um aparelho derádio. Logo, os risos que se percebem não se dirigem de modo algum à cantora, mas sim ao próprio locutor que havia caído na brincadeira dos amigos.

Salienta-se, quanto a este ponto, que na entrevista coletiva realizada na manhã do dia 17/09/2019 foi franqueado o acesso ao áudio original a todos os profissionais da imprensa que participaram da coletiva, de modo que pudessem consultar o arquivo original, sem cortes, sem alterações, sem nenhuma espécie de manipulação.

Um outro ponto a ser esclarecido é que algumas notícias veiculadas insinuaram que teria havido duas recusas do locutor em atender os pedidos do ouvinte. Nunca aconteceu isso. Houve, sim, um equívoco quanto ao horário informado, equívoco este facilmente consta-tável no arquivo de áudio cujo acesso foi franqueado, repita-se, a todos os profissionais da imprensa que participaram da entrevista coletiva. Portanto, diversamente do que fora noticiado não houve duas recusas, mas apenas uma e pelas razões acima apresentadas.

Mas, como referido acima, essa brincadeira teve uma repercussão sem precedentes.

É evidente que vivemos num país democrático e no qual todos temos ampla liberdade de expressão e de manifestação, inclusive para criticar. Contudo, eventuais excessos – tais como ameaças, ofensas, acusações da prática de crimes que não existiram – não são tole-rados pela ordem jurídica, e logicamente as medidas judiciais cabíveis já estão sendo to-madas contra os seus respectivos autores.

Também é preciso deixar claro o total respeito que todos devemos aos direitos das mino-rias, e vice-versa. Porém, é preciso compreender que pessoas públicas (como políticos, atletas, artistas em geral), ainda que sejam ícones representativos destas minorias, sempre estarão sujeitas a um juízo crítico sobre seus seus trabalhos, até mesmo por conta da ex-posição pública a que se propõem, e isso também se dá com relação à música, pois vive-mos num país eclético musicalmente, de dimensão continental, no qual a música não ape-nas é um entretenimento como também faz parte, integra e modela a cultura de cada co-munidade, e cultura não se impõe, cultura se aprende, cultura se vive, cultura se compar-tilha com respeito às diversidades.

Reafirmamos, por derradeiro, um posicionamento totalmente contrário a qualquer tipo de intolerância ou discursos de ódio ou discriminação, sejam eles veiculados por opiniões majoritárias ou minoritárias, bem como repugnamos a prática de adulterações e manipu-lações de informações feitas com o propósito único e exclusivo de polemizar, sem qual-quer preocupação com os danos causados às pessoas nelas envolvidas.

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