Resistência e laços familiares indígenas são tema de exposição no Museu Paranaense

Redação

indígenas Retomada da Imagem Museu Paranaense

A resistência, a relação com a terra e os laços familiares indígenas são tema de exposição que será aberta na quinta-feira (16), às 19 horas, no Museu Paranaense. As obras são resultados de uma produção coletiva de Gustavo Caboco, Denilson Baniwa e convidados. As produções ocorreram através do projeto Retomada da Imagem do Museu Paranaense (MUPA), que propõe a revisão do seu próprio acervo a partir de outros olhares.

O projeto começou em agosto com a aproximação de Caboco e Baniwa ao vasto acervo de fotografias do Museu Paranaense, que retratam diversas etnias indígenas do Paraná e da América Latina.

Na segunda etapa do projeto, os artistas propuseram um museu-ateliê com a participação de indígenas das etnias que habitam o Paraná. A partir do contato com esse material, das reflexões, conversas e até mesmo de um sonho, foram surgindo formas, cores e conexões que traduzem resistências e afetos.

“A gente percebeu que o material precisaria ser exposto, virar uma exposição, onde pudessem ser colocados todos os nossos pensamentos, questionamentos, entendimentos de produção de imagem em contraste com o próprio acervo fotográfico do museu”, relata Baniwa. O artista e curador amazonense, vencedor do Pipa, maior prêmio de arte contemporânea do Brasil, tem participado de importantes exposições nacionais e internacionais.

“É importante a gente fazer, como diria o Ailton Krenak, essas alianças afetivas onde aquilo que nos afeta pode ser compartilhado e juntos a gente pode pensar uma solução ou uma resposta para alguma pergunta que esteja aberta”, reflete Denilson Baniwa. Ele é considerado um artista antropófago, pois apropria-se de linguagens ocidentais para decolonizá-las em sua obra.

Uma das perguntas abertas pelo olhar indígena para esses acervos foi quem representa quem nessa produção artística ou fotográfica. Outro questionamento levantado pelo grupo foi como se forma essa imagem indígena a partir desses acervos. “Na construção de narrativas de imagens há exotizações, tipificações que funcionaram no campo acadêmico que podem até revelar uma ideia de racismo na imagem. A arte traz a ideia de poder recontar algumas das histórias que para a gente não fazem sentido”, explica Caboco.

Gustavo Caboco, um dos expoentes da arte indígena contemporânea, participou recentemente da 34ª Bienal de São Paulo com um amplo conjunto de obras. Sua investigação poética gira em torno do retorno à terra e se traduz em desenhos, bordados, na animação e no diálogo entre objetos diversos e sua identidade indígena.

O trabalho coletivo, que inclui painéis mas que também toma as paredes do museu, foi realizado por Caboco e Baniwa com Camila dos Santos e Thais Krīg (Kanhgág), Indiamara e Nicolas Paraná (Xetá), Juliana Kerexu, Ricardo Werá, Flávio Karai, Elida Yry (Mbyá-Guarani) e Lucilene Wapichana (Wapichana). A exposição foi pensada pelos artistas para expressar, para além dos limites do museu, a história, presença e perspectiva indígenas.

O Projeto Retomada da Imagem conta com uma terceira etapa, ainda em desenvolvimento. Baniwa e Caboco vão produzir uma publicação digital multimídia sobre o processo de encontro com o acervo do MUPA, uma historiografia indígena sobre o acervo, escrevendo um novo capítulo da história dessas imagens, previsto para ser lançado em março de 2022.

O Museu Paranaense fica na Rua Kellers, 285 – São Francisco.

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