Série infantil da Netflix sobre contos de Grimm causa revolta em grupos de mães; veja o trailer

Folhapress


A séria animada “Um Conto Sombrio dos Grimm”, da Netflix, tem sido alvo de críticas nesta semana por pais que a consideram imprópria para seus filhos. A produção faz uma releitura do clássico conto de fadas “João e Maria”, originalmente publicado em alemão em 1812 pelos irmãos Grimm, a partir de um livro de Adam Gidwtiz, de 2010.

A apresentadora do programa Hoje em Dia Renata Alves, da Record, é uma das mães revoltadas com a animação. Ela publicou em seu Instagram um vídeo no qual fez o alerta sobre o conteúdo que ela considera chocante.

“Sou mãe de uma criança de dez anos e eu não podia deixar passar esse assunto”, diz. “[Recebi] vários depoimentos de mães dizendo que seus filhos estão com medo de ficar ao lado dos pais, se perguntando o que é tortura, o que é decapitar uma pessoa, por que os pais estão isso com os filhos. Gente, isso é grave.”

A referência à decapitação acontece logo nos primeiros minutos do primeiro episódio -mas não é uma cena explícita. A proposta da história, narrada por três corvos falantes, é justamente brincar com a noção de que contos de fadas são inocentes, trazendo uma versão que transporta algo da crueza presente nos contos originais para o universo infantil.

No caso, o pai de João e Maria corta suas cabeças com uma espada, mas no momento em que isso aconteceria, a narração é interrompida, com um dos corvos dizendo que aquilo não poderia ser mostrado para crianças. A cena, então, ocorre em um pequeno teatro bidimensional. Em seguida, as cabeças das crianças são costuradas novamente no corpo com uma linha mágica.

Veja o trailer da série Um Conto Sombrio dos Grimm

Juliana Ingrao, que se apresenta como psicóloga de mães, também fez uma publicação criticando a série em seu perfil no Instagram, com mais de 23 mil seguidores. “Por favor, não deixem que seus filhos assistam, muitas crianças podem ser gravemente afetadas emocionalmente pelo desenho.” A psicóloga afirma ainda que, no decorrer da série, a confeiteira que tenta comer as crianças acaba “empalada numa bengala de hortelã”.

Isso porque, depois de voltarem à vida, João e Maria fogem para a floresta. Mais tarde, se descobre que isso se deveu a um pacto que os pais fizeram para resgatar outra personagem do inferno. Não há cenas exibindo sangue ou sofrimento. A animação, que é uma produção da Netflix, tem classificação etária para maiores de dez anos.

No Facebook e em outras redes, circula o vídeo de um recorte de cenas, abaixo das palavras “Absurdo!

Alerta aos pais!”, nas quais os personagens dos pais de João e Maria conversam com o espírito que os convence a decepar as cabeça dos filhos.

Parte do cânone da literatura infantil, as histórias dos irmãos Grimm tinham um caráter mais sombrio em suas versões originais, com cenas de violência e, em muitos casos, desfechos tristes. O advento de versões mais leves se deu com o passar do tempo.

Procurada para se manifestar a respeito das reclamações dos pais contra a série, a Netflix não respondeu à reportagem até o momento de publicação deste texto.

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