Sete Confissões Capitais e Outros Pecados

 Pedro RibeiroFalar em pecado me remonta à infância, no interior, onde ainda, de calças curtas, frequentava ..

Pedro R. - 15 de janeiro de 2019, 19:49

 

Pedro Ribeiro

Falar em pecado me remonta à infância, no interior, onde ainda, de calças curtas, frequentava a igreja à base pescoções. Da doutrina católica, onde deveria absorver o bem, me via, sempre, no polo oposto envolvido, de uma forma ou de outra, em coisas do mal, do capeta. Parece que tudo o que fazia era pecado. Mais tarde, debruçado em livros, comecei a estudar sobre os sete pecados capitais, os quais me arrepiavam só em ouvir falar.

Volto ao tema depois de muitos anos e depois de uma conversa com a escritora, jornalista e poeta, Adriana Sydor, que nos coloca para leitura e reflexão a obra “Sete Confissões Capitais e Outros Pecados”, editado pela Travessa dos Editores.

Para quem nos brinda com o otimismo de ter “atravessado o ano de 2018 como quem passa por uma ponte muito longa sem perceber porque não olhou para a construção, mas ficou fixada no que corria por baixo ou no horizonte ou nos pássaros que voavam em volta. Fiquei presa à paisagem, fato que não merece nenhum tipo de juízo”, podemos perceber que Adriana Sydor se trata de uma semente filtrada, cristalizada, e transplantada de algum jardim da produção literária para a nossa selva política do dia a dia. Ela deixa o rio seguir seu curso, não interfere.

Ela atende ao telefone com carisma, o que nos encoraja a ousar uma conversa sobre poesia, filosofia e estudos sobre pecados capitais e outros pecados. Não há conheço pessoalmente, apenas pelas suas obras, redes sociais e críticas de nomes como do professor Aroldo Murá, Fernando Rodrigues, entre outros que traçam com polidez e maestria sua autobiografia e principalmente seu fino e apurado trato com as letras. Observei, no que li e depois no que ouvi, dignidade e grandeza.

Demônios

Todos nós temos os nossos demônios e precisamos lidar com eles. Para encarar esse desafio que nos cerca e encurrala no dia a dia e nos atormentam, a escritora e jornalista Adriana Sydor encontrou a receita que, para ela, está dando bons resultados. Não precisou puxar a espada para ir matando um a um, mas encarando-os de frente, buscando na raiz o significado de cada um para eliminá-los com estudos que envolveram um amplo mergulho em filosofia, teologia, religião, sociologia e muita força de vontade.

“Comecei a pensar nos defeitos e hábitos das pessoas que hoje fazem disso seus troféus diários. Percebi que não existe mais sentimento com o próximo, principalmente quando este está em dificuldades, e que o egoísmo vem nos matando a cada dia. Cada um quer ser melhor em tudo e há uma necessidade de reafirmar sua vaidade, seu egocentrismo, sem um exame de consciência”, disse.

Foi através desses estudos, de buscar nos sete pecados capitais, para identificar onde estariam seus erros que a escritora chegou à conclusão de que precisava fazer uma autocrítica ou rever o filme de sua vida. “Encontrei valores no meio do caminho. Foi uma travessia difícil, mas compensatória, porque hoje me considero uma pessoa mais alegre, feliz”, pontua Adriana.

Adriana Sydor foi, antes da escritora, a mulher que fez uma reflexão sobre a vida analisando suas atitudes no cotidiano. “Passei por fases de equilíbrio, como a Gula, fácil de assimilar, pelo menos nos dias de hoje, à Inveja de quem está próximo de você que foi difícil para absorver e conviver”, nos conta. “Fui pontuando um a um dos sete capitais e outros que já conhecia e alguns que fui encontrando”.

Nesta inflexão na busca de valores, Adriana diz que não conseguiu sair inteira de algumas situações, principalmente quando olhava no espelho em silêncio profundo de quem procurava enxergar a alma. “Hoje estou mais atenta a tudo, focada, sempre, para não pisar em falso, para me sentir uma pessoa melhor”.

“É preciso mudar, sem nos forçar nos comandos de igrejas, de aberrações que assistimos no dia a dia. Temos que ter atitudes diárias, como lições de vida”, explica.

Das lições deste livro, dos pecados que assustaram o mundo, principalmente a igreja católica, Adriana perguntou: “por que sou essa pessoa que não quero ser, não preciso ser?”.

Ela lançou o livro em meados do ano passado, na Feira do Livro de Parati e confessa que hoje se acha uma pessoa melhor, com pensamentos diferentes, uma pessoa mais feliz.

Pecados

Não se foge muito e também não se aproxima. Eles são o que são. Os sete pecados capitais – inicialmente pensados pelo papa Gregório Magno no século 6, e firmados por São Tomás de Aquino no século 13 – dizem muito sobre o que é ser humano. São eles: Vaidade (que, posteriormente, foi chamado pela Igreja de “soberba”), Inveja, acídia (“preguiça”), ira, avareza, gula e luxúria.

Tomás de Aquino também listou os pecados que dos sete originais se desdobram, formando uma lista de quase cinquenta: – o ódio que brota da inveja, a traição que vem da avareza, e por aí vai. Assim que, talvez por uma espécie de herança moral, vivemos ainda hoje em constante conflito interno, mesmo que a postura socialmente aceita seja a de soterrar os demônios interiores sob camadas de ilusões, conta Adriana.

Sua obra alçou vôo e atravessou o oceano. Adriana Sydor já pode ser lida em terras francesas. A revista literária “La cause littéraire” publicou recentemente o capítulo “Avareza” presente no livro da autora curitibana, “Sete confissões capitais e outros pecados”, com tradução de Stéphane Chao. “La cause littéraire” e a Travessa dos Editores já estão acordando a publicação dos outros capítulos do livro, cuja abordagem são as confissões dos pecados cometidos por Sydor. A editora e Chao já trabalham na tradução completa da obra para a edição francesa que deve sair no ano que vem. A autora também publicou “Salve o compositor popular” e “Toda prosa”, todos pela Travessa dos Editores, além de uma coletânea infantil “MPB para crianças”.

 

Serviço:

O livro está à venda nas

Livrarias Curitiba

Livraria da Vila

Travessa dos Editores